Em " O Delfim " , José Cardoso Pires mencionou este autor, que para mim era totalmente desconhecido. Procurei na Winking Books, e este título estava disponível, pelo que foi o escolhido para me iniciar neste novo autor. Não sabia exactamente o que esperar. Por um lado, e dando uma vista de olhos ao livro, pareceu-me interessante, por outro lado o facto de ter sido escrito por um padre nas décadas de 20 e 30 do século XX, fazia-me ter algumas reservas. Assim, receando por um lado que o livro se tornasse demasiado religioso, mas por outro esperando que as histórias das viagens deste padre cientista pudessem ser bem interessantes, assim me dediquei a ler este livro.
Linked opinion...
Este é, sem qualquer margem para dúvida, um livro muito bom. Alguns dos aspectos particulares deste livro são também bastante diferenciadores, por exemplo, logo no facto principal de o seu autor ser um padre, cientista e explorador, viajante do mundo, e pioneiro no seu campo de estudos. Raras vezes um livro poderá ser descrito enquanto "divulgação científica" e "religioso" ao mesmo tempo, como acontece neste caso.
É uma história real de aventuras imensas pelas terras do oriente. Simplesmente fascinante, e inebriante. Várias jornadas científicas são descritas de forma irrepreensível, e o autor ao fazê-lo transporta-nos para lá, parecendo que fazemos parte da sua "caravana", ou pelo menos, desejando fazer parte da mesma. As cartas descrevem, em 10 capítulos os anos de 1923 a 1939.
A única coisa que gostei menos, foram as considerações religiosas e filosóficas do autor. Mas mesmo essas não são as esperadas, ou pelo menos, as habituais. Apesar de não concordar com as mesmas,acabam até por ser interessantes, por resultarem da fusão do homem da ciência com o homem da religião, que procura uma explicação para a vida, para o futuro. E busca as suas respostas também nessa fusão, não sendo a ciência vista não como algo à parte.
Recomendo este livro, para quem goste de não ficção.
Linked books...
Os Conquistadores - André Malraux (mencionado nas notas de rodapé/comentários)
Os Assassinos Entre Nós - Simon Wiesenthal (título esconhido dos volumes publicados na mesma colecção)
O Meio Divino - Pierre Teilhard de Chardin (surge mencionado na introdução e no texto)
Hegel - Jacques D´Hont - foi mencionado "o espírito metafísico" de Hegel. Estando este livro disponível na Winking Books, achei que poderia ser uma boa forma de conhecer melhor o autor mencionado.
Kim - Rudyard Kipling (foi mencionado Kipling e o lama de Kim)
loess - é um solo fértil de coloração amarela. É formado por sedimentos depositados pelo vento, ou seja, de origem eólica.
muezim - mouro que cinco vezes ao dia chama os crentes à oração.
grés - rocha formada de grânulos de quartzo aglomerados; espécie de argila misturada com areia fina e empregada em olaria; pó desta argila empregado para polir metais.
piastra - moeda de prata de valor variável segundo os países.
umbela - chapéu-de-sol, geralmente de cor clara.
=
SOMBRINHA; [Religião católica]
pálio pequeno em forma de chapéu-de-sol;[Botânica]
modo de inflorescência em forma de chapéu-de-sol.
eufórbio - [Botânica]
Género de plantas euforbiáceas de flor campanulada e de suco acre e corrosivo.; Goma drástica extraída desse género de plantas.
amonita - [Química]
Explosivo à base de nitrato de amónio.
canhenho - livro de lembranças; memória; caderno de apontamentos; canhoto.
solidéu - pequeno barrete usado por alguns judeus e por eclesiásticos católicos para cobrir a tonsura ou o alto da cabeça; pequeno barrete, geralmente de malha, usado por pessoas calva.
É a partir do livro "A Alternativa Wilt" de Tom Sharpe, que chego a esta obra. Tratando-se de um título bastante antigo, não foi fácil encontrar um exemplar. Quando já me tinha convencido de que a única forma de conhecer esta obra seria ler o e-book em inglês, encontrei, um pouco por sorte, uma 1ª edição na Frenesi. Não hesitei, pois, em fazer a encomenda online. Foi com surpresa que ao receber o livro verifiquei que nunca havia sido lido, uma vez que tive de separar as folhas, algo que nunca tinha tido o "prazer" de fazer. Julgando-a uma obra antiga e de leitura talvez densa e pesada, surpreendeu-me ver que fazia parte da colecção "Biblioteca dos Humoristas". Foi assim com enorme curiosidade que comecei a ler este livro.
Nota: Posteriormente à sua leitura, o autor desta obra surgiu indicado também em:
Gostei bastante deste livro, tanto da sua história como pela forma como está construído. Melhor ainda que a história, são as suas personagens deliciosas e perfeitamente conseguidas, no sentido da sátira pretendida pelo autor. Thomas Love Peacock satiriza neste livro o Romantismo, e alguns dos autores românticos da época. Apesar de o prefácio, de Jorge de Sena, ajudar ao entendimento do propósito do autor, não é contudo imprescindível. A história em si evidencia os "ridículos" de cada personagem, e das suas "visões da vida". A tristeza, a melancolia, a misantropia, etc., como única forma de elevação intelectual, e os "males" do amor enquanto necessários a essa tão profunda tristeza, que só o "génio" detém...Enfim, esta é uma das visões. Talvez a mais preponderante, visto ser partilhada pelos dois personagens principais da história. A história e os seus personagens são em si mesmo muito engraçados. Achei também sagazes os nomes atribuídos aos personagens, que os tornam ainda mais hilariantes. De todos, o meu preferido, embora sem grande intervenção na história, foi o Mr. Listless, o cúmulo da preguiça e da inércia, a quem as forças escasseiam para fazer seja o que for. E se não forem as forças, serão os nervos...que ficam num estado tal, que lhe suga toda a energia. Resumindo, achei realmente o livro muito bom, e proporcionou-me para além do riso ocasional, motivo para reflexão sobre a vida e sobre como a entendemos e vivemos.
Linked review...
“(…) os seus dotes de ensaista e de
comediógrafo vão encontrar, de par com os de poeta, a mais original das
ocupações nos romances admiráveis de ironia, lucidez, cultura e espírito
satírico (…) entre os quais se destaca esta Abadia, e cuja importância,
através de um Jorge Meredith, um Norman Douglas, e um Aldous Huxley,
não tem cessado de aumentar na literatura inglesa”.