Em "O Grande Gatsby" a referência fez-se através da menção ao "Festim de Trimalquião".
Esta é a primeira vez que Petrónio surge no nosso blogue, e será provavelmente a última, uma vez que o seu "Satíricon" é a única obra que terá chegado até aos nossos tempos. Por este motivo e apesar da última experiência de leitura de um clássico romano (ver o meu post sobre "A Arte de Amar", de Ovídio), foi com enorme curiosidade que me dediquei à leitura desta sátira clássica.
Obtive este exemplar na Feira da Ladra de Lisboa em Outubro de 2014, mas a forma como o obtive foi bastante peculiar, e para mim única. Isto porque, apesar de o vendedor estar a pedir apenas 50 cêntimos, estávamos no fim da feira e naquele dia tinha ficado sem dinheiro. Nem uma moeda... O vendedor apercebendo-se da minha desilusão por não o poder comprar, ofereceu-mo! A princípio não quis aceitar, mas acabei por fazê-lo pensando que um dia haveria de o voltar a encontrar na feira e "acertar contas". Infelizmente isso não aconteceu (ainda), mas fiquei-lhe para sempre grata, e com esta feliz memória.
Linked synopsis...
"Caso único, pelo tema, pela estrutura e pelo estilo,Satyricon, o
célebre texto atribuído a Petrónio (conselheiro de Nero e testemunha daquela
época de extravagância, diletantismo e volubilidade sexual), sai agora a
público, na primeira versão feita para português a partir do original latino.
Este ‘livro das lascívias’, considerado o primeiro romance realista e pai do
género picaresco, constitui uma sátira prazenteira, lúdica e crítica, dos
excessos da Roma imperial do século I. Cerca de dois mil anos depois, o leitor,
seduzido, desde as primeiras páginas, pela rede de episódios satíricos desta
obra estilisticamente simples e narrativamente moderna, entra num universo
singular, cujos contornos, porém, são intemporais. A espantosa galeria de
personagens deSatyricon exibe-se num desenho tão exacto que as torna
inquestionavelmente verosímeis, quase reais, e actuais: Trimalquião, por
exemplo, o novo-rico cuja monstruosa fortuna corresponde apenas a um monstruoso
gosto e a uma monstruosa educação, ou Encólpio, o narrador falicamente dotado
que tem que sofrer os amargos desaires da impotência, ou Gíton, o adolescente
cuja beleza desarma qualquer um, etc. Paródia, humor, ironia, é esta a
atmosfera que aguarda o leitor desta obra maior, na belíssima tradução de
Delfim Leão."
Para quem tem acompanhado este blogue não será novidade que se por um lado a leitura dos clássicos gregos me tem apaixonado, por outro, dos clássicos romanos não guardo as melhores recordações. Contudo, este Satíricon de Petrónio quebrou essa tendência.
Mesmo recordando os anteriores clássicos romanos lidos para este blog, foi sempre impressionante testemunhar os paralelismos de uma sociedade tão antiga com a nossa sociedade actual. A impressão inicial causada por esse livro foi mesmo essa, já que a primeira parte se inicia com um debate sobre a educação, o papel dos professores, pais e alunos, debate esse que se adequa ainda aos dias de hoje.
A realidade satirizada que Petrónio nos apresenta, impressionou-me. É uma exposição crua e tremendamente dura desta sociedade decadente, sem valores ou moral, entregue ao prazer e aos vícios. O exagero dos cenários, das confrontações, dos personagens e acontecimentos, resultou numa escrita interessante, agressiva para os sentidos, construções mentais e expectativas. Resumindo, Petrónio mexe com aquele que lê o seu Satyricon e não o faz de forma superficial.
Infelizmente para os leitores, a obra chega-nos inacabada, com enormes lacunas tornando a narrativa entrecortada e difícil de acompanhar. É mesmo doloroso o facto de o final do livro se ter perdido também. É minha opinião no entanto que devemos ficar gratos por parte significativa da obra ter sobrevivido aos nosso dias.
Finalizando, recomendo esta leitura a quem tenha de antemão algum interesse nesta obra, seja pelo seu cariz histórico, pela sua importância literária ou pela adaptação cinematográfica de Fellini.
O autor Sófocles foi mencionado neste texto, e para representar essa referência considerei estes dois títulos por já se encontrarem na nossa lista de livros a serem lidos. Relembro que neste blogue já lemos de Sófocles os seguintes títulos:Ájax,Antígona,Filoctetes, eRei Édipo.
Hécuba - Eurípedes
Fedon - Platão
Leis - Platão
Eurípedes e Platão foram mencionados neste livro, e para representar essa menção considerei os títulos destes autores já existentes na nossa lista de livros a serem lidos. Odes - Píndaro ( oautor foi mencionado, e este título foi escolhido para representar essa ligação, por ter encontrado uma edição à venda na wook)
Agamemnon - Ésquilo (foi mencionada Cassandra, cativa de Agamemnon) Fábulas - Esopo (foi mencionada uma fábula de Esopo em que o salteador quer as roupas do hospedeiro e para isso diz que se transformará em lobo após bocejar três vezes)
Eneida - Virgílio (Virgílio foi mencionado e citado: "Entretanto Eneias e os seus barcos fizeram-se ao largo") Odes - Horácio
Arte Poética - Horácio
Horácio foi mencionado, e estes foram os títulos escolhidos para representar essa referência por já se encontrarem na nossa lista de livros a serem lidos.
Linked looked up words... açafate - cesto de vime de bordo baixo, sem asas nem arco. adelo - pessoa que compra roupas e coisas usadas para revender. atelanas - farsas populares usadas na antiga Roma. austro - o sul; vento de sul. aquilão - [antigo] [náutica] vento de nordeste; vento de norte; [linguagem poética] vento violento e frio. burel - tecido grosseiro de lã de ovelha bordaleira; hábito religioso, geralmente feito desse tecido. caduceu - varinha ou bastão encimado por por duas asas e em que se enroscam duas serpentes cujas cabeças ficam viradas umas para as outras no topo, atributo do deus Mercúrio, e que hoje costuma empregar-se como símbolo do comércio. calendas - primeiro dia de cada mês, entre os romanos. decúria - subdivisão militar romana. émulo - que ou o que tem emulação por.= adversário; competidor; concorrente; rival. ergástulo - local onde se cumpre uma pena de detenção = cárcere, masmorra, presídio, prisão; [figurado] antro de miséria. fressuras - conjunto de vísceras comestíveis da rês. lictor - cada um dos doze portadores de varas que acompnahavam os cônsules na antiga Roma. orco - região dos mortos, inferno. ouropéis - folha delgada de latão ou de cobre; liga de cobre e zinco que imita o ouro = ouro falso, pechisbeque; [figurado] falso brilho ; [figurado] aparência enganosa. saturnais - festas realizadas na Roma antiga em homenagem a Saturno. serrazinhar - maçar, falar constantemente do mesmo assunto. sirtes - banco de areia movediça; banco de areia, rochedo ou penhasco perigoso para a navegação, [figurado] situação perigosa ou arriscada = escolho, perigo. terçã - diz-se da febre cujos acessos se repetem deixando entre si um dia de apirexia.