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Friday, January 5, 2018

Quando Lisboa Tremeu - Domingos Amaral

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Este é um Link Inicial, que surge no nosso blogue por recomendação de Diana Matias na plataforma Goodreads. Esta recomendação já é bastante antiga, pois data de Maio de 2013, mas não estava esquecida.

Estava pois na estante há muito tempo e foi agora escolhido para leitura pois encaixava na perfeição num dos desafios literários da Maratona Literária Outono Inverno, promovida pelos blogues Flames e Agora que Sou Crítica, maratona essa na qual estou a participar.  O desafio era o de ler um livro com a cor branca na capa.

Agradecemos pois a Diana, esta sua contribuição para o Linked Books. Quem sabe quantos bons links este livro nos proporcionará.

Linked synopsis...

"Lisboa, 1 de Novembro de 1755. A manhã nasce calma na cidade, mas na prisão da Inquisição, no Rossio, irmã Margarida, uma jovem freira condenada a morrer na fogueira, tenta enforcar-se na sua cela. Na sua casa em Santa Catarina, Hugh Gold, um capitão inglês, observa o rio e sonha com os seus tempos de marinheiro. Na Igreja de São Vicente de Fora, antes da missa começar, um rapaz zanga-se com a sua mãe porque quer voltar a casa para ir buscar a sua irmã gémea. Em Belém, uma ajudante de escrivão assiste à missa, na presença do rei D.José. E, no Limoeiro, o pirata Santamaria envolve-se numa luta feroz com um gangue de desertores espanhóis. De repente, às nove e meia da manhã, a cidade começa a tremer. Com uma violência nunca vista, a terra esventra-se, as casas caem, os tectos das igrejas abatem, e o caos gera-se, matando milhares. Nas horas seguintes, uma onda gigante submerge o Terreiro do Paço, e durante vários dias incêndios colossais vão aterrorizar a capital do reino. Perdidos e atordoados, os sobreviventes andam pelas ruas, à procura dos seus destinos. Enquanto Sebastião José de Carvalho e Melo tenta reorganizar a cidade, um pirata e uma freira tentam fugir da justiça, um inglês tenta encontrar o seu dinheiro, e um rapaz de doze anos tenta encontrar a sua irmã gémea, soterrada nos escombros."
fonte: leya

Linked opinion...

Quando comecei este livro estava com elevadas expectativas em relação ao mesmo. Nunca havia lido nada que tratasse sobre o terramoto de 1755 e entusiasmava-me a ideia de ler um romance histórico neste cenário. 

Comecei a lê-lo no Dia de Todos os Santos, o que achei perfeito uma vez que foi exactamente nesse dia que o grande terramoto assombrou Lisboa e arredores. Agradava-me também a ideia de ler ficção histórica por si só, género que apesar de não ser dos meus preferidos, aprecio bastante e não tem tido grande expressão neste blogue. Por outro lado, temia que fosse um mau romance histórico, pois pela minha experiência quando são maus, são mesmo bastante penosos de ler.

Foi com este espírito que às primeiras páginas do livro fiquei surpreendida. Apesar de não se poder dizer que não se trata de um romance histórico, este livro é muito diferente de todos os que havia lido até ao momento. Esperava descrições mais ou menos elaboradas e uma contextualização histórica fiel e pormenorizada. Contudo acaba por ser mais um romance que decorre durante os dias do terramoto, e  o terramoto enquanto acontecimento histórico acaba por ser apenas o cenário para este romance.

O foco desta história é o dia a dia de um grupo de pessoas de várias origens e de características bem diversas entre si, cujas histórias mais ou menos individuais se acabam por intersectar. A história segue a vida dessas pessoas desde o dia anterior ao terramoto contando a forma como vivenciaram este evento e lhe sobreviveram (ou não). 

A escrita é simples e corrida, com muitos acontecimentos, o que faz com que o leitor se prenda à narrativa e consuma as páginas rapidamente. Apesar de como disse anteriormente esperar algo diferente, agradou-me este ritmo, sem grandes pausas descritivas. 

Existem alguns aspectos menos positivos na forma de escrever do autor, como por exemplo um personagem inglês que fala de uma forma estranhíssima e cansativa (uma palavra em inglês e outra em português consecutiva e continuadamente) e que por um qualquer milagre é entendido por todos (lembremos que estamos no séc XVIII e que seria bastante improvável que, por exemplo, uma escrava o entendesse na perfeição). Outro aspecto menos bom  foi o que considerei um excesso de cenas e situações sexuais. Se bem que me agradou uma história que tratava basicamente das necessidades imediatas e prementes de um grupo de pessoas que de repente se vê no meio de uma catástrofe de tremendas dimensões, parece-me que a paixão, o amor, a promiscuidade e o sexo ocuparam (talvez) um lugar de destaque maior do que o que na realidade lhe seriam devidos.

Mas a leitura foi agradável e durante o livro pensava que talvez até merecesse 4 em 5 estrelas na minha review no Goodreads. Contudo o final foi perfeitamente despropositado. Já me tinha habituado a que o livro não tivesse grande história, sendo um relato do dia a dia de pessoas que se encontram em situação excepcional, cheio das dificuldades inerentes a quem viveu uma tão horrível situação. Penso que as histórias não necessitam todas de ter espectacularidade ou grande acontecimentos, ainda para mais num cenário destes, espectacular por si só, pelos piores motivos.

Contudo, de repente no final, a história toma contornos de uma novela barata. Não adianto muito mais para que esta opinião não estrague a leitura futura de quem deseje ler este livro, mas posso dizer que uma série de coincidências, despropositadas e pouco credíveis se conjugaram para que o livro tivesse um grande e surpreendente final (pela negativa). Se nada deste livro foi "em grande", a minha opinião é a de que o autor deveria ter mantido o mesmo rumo, apresentando um final realista e concordante com o resto da história. "Quase" entendo a necessidade do autor dar ao seu livro este "grande" final, mas para mim, acabou por arruinar a opinião que vinha a formar sobre o livro e sobre o seu autor.

Por tudo o que disse atrás e apesar de ter sido uma leitura agradável, não chega para que eu recomente aqui este livro.

Linked opinion by other bloggers...

Linked books...

Na biografia do autor, foram mencionados vários dos seus livros, dos quais escolhi um. Este título foi o escolhido por ter o título que achei mais sugestivo:
  • O Fanático do Sushi - Domingos Amaral
Foram também vários os livros que a editora aproveitou para publicitar nesta edição. Um deles já por nós foi lido no blogue, pelo que resolvi incluí-lo aqui e que resolvi também escolher um outro de entre os publicitados, uma vez que o texto deste livro não mencionou outros livros:

Linked people...
Sebastião José de Carvalho e Melo
(Marquês de Pombal e Conde de Oeiras)
Padre Malagrida
(confessor do Rei)
D. João V
D. José
Linked places of interest in Lisbon...
Rossio
Terreiro do Paço
Alcântara

Linked monuments and landmarks...


Palácio da Inquisição
Convento de Mafra
Convento de Odivelas
Convento de São Domingos
Sé de Lisboa
Castelo de São Jorge
Igreja de São Vicente de Fora
Linked towns and villages...


Odivelas
Linked religious institutions...



Inquisição
Linked means of transport...


Caleche
Chaise

Linked boats...


Brigue
Falua
Linked holy day...


Dia de Todos os Santos
Linked looked up words...

caliça - cal ou gesso, desprendido das paredes.

Friday, May 25, 2012

Inês de Portugal - João Aguiar

Linked by...


O "link" que me trouxe a este livro, foi a publicidade na contracapa do livro "O Deus das Moscas" de William Golding. Foi novamente pela Winking Books (comunidade online de troca de livros), que consegui um exemplar desta obra, cujo autor me era totalmente desconhecido. Apesar de abordar uma parte da História de Portugal sobejamente conhecida, dei o benefício da dúvida. Talvez me viesse a surpreender, pensei.


Linked opinion...


A esperança de ser surpreendida, não se concretizou. Bem sei que se trata da História de Portugal, e que o autor lhe deve ser fiel. No entanto, esta não era uma crónica, mas um romance histórico. Talvez um olhar novo , para um tão conhecido assunto, pelo menos....

Contudo, também há que ter em conta que foi escrito primeiramente enquanto guião para o filme, o que também decerto terá imposto diversas restrições ao autor. Assim, o que temos é, a história de Inês de Portugal, entre a sua morte e o ser coroada rainha, com uns flashbacks ocasionais ao tempo em que decorre o romance entre D. Pedro e Inês de Castro (que é, de facto, muito cinematográfico...).

Esta história, bem escrita, lê-se muito rapidamente, e é prazenteira a sua leitura. Pena é, realmente, a história em si. Dizem que é uma grande história de amor, esta de Pedro e Inês, de um amor infinito no tempo e no espaço, da mais linda história de amor que este nosso país conheceu...

O que eu vejo é, em primeiro lugar adultério (D. Pedro era casado com D. Constança quando a "linda história de amor" começou..., em segundo lugar incesto (D. Pedro e D. Inês eram primos, e daí a proibição do seu casamento), depois loucura (de um homem habituado a ter tudo o que quer, e que perde o seu amor), perjúrio (o que D. Pedro jurou a seu pai, D.Afonso, fê-lo apenas por interesse próprio, e quando o pai morreu, faltou á promessa), traição (entregou a Castela, em troca pelos "assassinos de Inês", nobres que lhe haviam pedido refúgio) e por fim assassinato (a morte dos "responsáveis" pela sentença de morte proferida a D. Inês, quando "todo o reino a queria morta"...).  Para além disso o nosso rei "justiceiro", diz-se que ficou com fome de justiça pelo que aconteceu à sua Inês (eu vejo sede de vingança...) e foi um implacável executor das leis. Punindo, por exemplo, de morte o crime de adultério (curioso...deve ser porque o adultério de Reis é coisa fina, é outra coisa), e misericórdia era palavra que não conhecia. História de amor? Mais uma vez, só se for sobre o seu poder destruidor.

Para alguns momentos do prazer de Pedro e Inês, tantos tiveram as suas vidas destruídas. Mas parece que também sempre foi assim. Por amor, pela fé, pela pátria, pela justiça, e por tudo e mais alguma coisa, tanto sangue, tanto ódio, tantas vidas perdidas. A nossa história (e da humanidade em geral) está pejada de vergonhas, mas que são embelezadas em histórias épicas ou de amor, talvez porque viver com tamanho legado se tornasse demasiado pesado. Ou então para que quem ocupe o poder possa continuar a escrever nas mesmas linhas, do livro da história da humanidade, que esse sim, é o livro mais triste do mundo.

Linked movie...




Linked books...


No texto foram referenciados dois títulos:
Os Lusíadas - Luis Vaz de Camões
Crónica do Senhor rei Dom Pedro - Fernão Lopes

De todas as obras do autor publicitavas no final do livro, escolhi uma. O critério foi apenas ter sido a primeira que encontrei disponível na Winking Books:


Linked music...



Foram referidas as trovas de El-Rei D. Dinis. Aqui uma cantiga de amor: "O que vos nunca cuidei a dizer"

Linked places...


Dos muitos lugares mencionados, ficam aqui alguns:

 
Marco de Canaveses aqui em 1910. (Porto, Portugal)

Muralhas/Castelo de Monterrey (Galiza, Espanha)
Chaves (Vila Real, Portugal)
Alcanede (Santarém, Portugal)

Linked words...


Charamela

charamela - espécie de clarinete pastoril. 

segrel - cavaleiro trovador.; jogral.

merlão -  parte do parapeito entre duas seteiras.

almadraquexa - travesseiro.
 
Seteiras e Merlão
Segrel
beetria - localidade que gozava o direito de eleger todos os seus magistrados.

mesnada - tropa mercenária.

adarve - espaço estreito que corre ao longo do alto das muralhas para serviço das ameias; muralha.

Adarve

Wednesday, May 9, 2012

Os Lusíadas de Luís de Camões, Contados às Crianças e Lembrados ao Povo - João de Barros


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Foi a partir de Coca-Cola Killer de António Vitorino de Almeida, que cheguei a este livro. Contudo, a referência não é para ele. O livro menciona "Os Lusíadas" de Luís Vaz de Camões, e não esta versão, em prosa e "simplificada", que eu desconhecia sequer existir. Acontece que procurava os Lusíadas na feira da ladra, convicta de ir encontrar um exemplar. O intuito era o de revisitar esta obra, seguindo o "link" do Coca-Cola Killer. Já tinha encontrado um, mas como se estava literalmente a "desfazer", continuei a minha procura, e é nessa procura que li numa lombada  "Os Lusíadas de Luís de Camões". Finalmente...pensei. Enganava-me. Era esta versão. Contudo, chamou-me a atenção e fiquei curiosa...Como seria possível transformar os Lusíadas em prosa, sem massacrar esta obra de inegável genialidade poética? E para quê? Com que finalidade se macularia tamanho legado da nossa cultura? Bem, só lendo...Dois euros, disse o senhor. Comprado, apesar de dar para comprar 4 na banca do lado...

Linked opinion...

Foi com enorme curiosidade que "peguei" neste livro, e confesso, com baixas expectativas. Julguei que haveria duas possibilidades. Uma: o livro seria de facto, uma versão em prosa muito simplificada para crianças, e aí nada haveria a apontar, uma vez que tendo como público alvo os mais novos, seria justificado este "atentado" à obra original, para que os mesmos a conhecessem e entendessem. Duas: iria deparar-me com uma história em prosa, sem qualquer qualidade, e que na qual, nem por sombras se vislumbraria  pitada da magnitude dos Lusíadas. Pois bem, estava enganada. Logo ao ler o prefácio, me dei conta que os "medos" que a mim me assaltavam, também os teve o autor da obra. Também ele temia "conspurcar" ou diminuir de alguma forma, o que são os Lusíadas e os intentos de Camões. E em minha opinião não o fez. A história que ele conta, é de facto a história dos Lusíadas, entendível para os mais novos, mas não demasiado simplificada. Há nesta prosa emoção, brio, e melodia. Não é a mesma melodia que a poesia proporciona, muito menos a poesia genial de Camões, mas serve o intuito de contar a sua história sem perder do original (em termos da história em si, é claro). Para que os mais novos consigam entender a obra poética, e até em jeito de preparação para essa leitura, julgo que a leitura deste livro poderá ser um enorme benefício. Aos mais novos, e não só. Penso também nos mais velhos que deixaram "escapar" esta obra. Assim quando chegar a altura de ler cantos de Camões, poderão os leitores estar mais disponíveis para os entender, absorver e apreciar, em toda a sua grandiosidade.

Nota: Verifiquei posteriormente a ter emitido esta opinião, que este livro está integrado no plano nacional de leitura e que é recomendado para todas as idades. Tenho pena que não tivesse sido "no meu tempo", pois acredito que menos pessoas relembrariam os Lusíadas como "uma grande seca...".

Linked review...

"Era uma vez um povo de marinheiros e de heróis, o povo português, o nosso povo, que já lá vão muitos anos — mais de quatrocentos — quis descobrir o caminho marítimo para a Índia. A Índia aparecia então, aos olhos de todos os Europeus, como terra de esplendor e de riqueza, que todos os homens desejavam, mas onde era difícil, quase impossível chegar.

Quatro pequenos navios — tão pequenos sobre o imenso, ignorado Oceano! — Quatro naus comandadas pelo grande capitão Vasco da Gama lançaram-se através do Atlântico, só conhecido até ao Cabo da Boa Esperança, dobraram esse Cabo e puseram-se de vela para a região que demandavam.

O vento era brando, o mar sereno. Até então a viagem correra sossegada. Mas os perigos seriam constantes, a travessia arriscada, a viagem longa. E ninguém sabia ao certo o rumo a seguir, pois nunca outra gente se atrevera sequer a tentar tão comprida e custosa navegação.

Só a coragem e a audácia dos Portugueses seria capaz da proeza heróica! Assim inicia João de Barros a sua adaptação em prosa de Os Lusíadas, o poema épico português. Nesta obra, o autor condensa e simplifica a leitura dessa jóia da literatura nacional, tornando-a acessível a um público mais jovem, mas interessado em conhecer a sua História e as suas Origens."


Linked people...

São muitas as personalidades que são referidas neste texto. Estas foram as que escolhi para partilhar.

Vasco da Gama
Nuno Álvares Pereira
Viriato

Antão Vaz de Almada (Diplomata português, nascido em 1573 e falecido em 1644, foi o grande impulsionador da Restauração. Após o triunfo da revolução, foi nomeado por D. João IV embaixador em Londres. Graças aos seus esforços diplomáticos, foi assinado um Tratado de Paz e Aliança entre Inglaterra e Portugal, que foi fundamental para a manutenção da independência do nosso país)

Linked places...

Abundam os locais nesta "história". Não sendo possível colocá-los todos, foram seleccionados apenas alguns.

Cabo da Boa Esperança (África do Sul)


Cananor (Índia)
Cochim (Índia)
Malaca (Malásia)
Mombaça (Quénia)


Deserto do Saara

Linked words...

aljava - coldre ou recipiente para setas, geralmente transportado ao ombro.

chuço -  pau armado de ponta aguda de ferro.

aljôfar - pérolas miúdas. 

procela - tormenta no mar, tempestade.