Este título está "irremediavelmente" ligado à "Lenda de S. João Hospitaleiro" de Gustave Flaubert, uma vez que os dois contos fazem parte do livro intitulado "Contos Lendários". Quando procurei o conto de Falubert para ler, foi este o exemplar que encontrei, e é assim que o conto de Selma Lagerlöf surge neste blog. "A Lenda da Rosa" será o primeiro título desta "autora Prémio Nobel" a ser lido aqui no blogue.
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Este é um conto interessante e muito bem escrito. Contudo, não posso dizer que me tenha impressionado, ou que tenha gostado muito.
É mais um conto do fantástico, bem desenvolvido, mas que não "marca". Pelo menos, não nos dias de hoje. Não deixa de ser uma história que se lê muito bem, e que contém algumas particularidades curiosas. Gostei, mas não posso no entanto aconselhar uma leitura, que praticamente já esqueci.
Thomas Mann foi mencionado por John le Carré no seu livro Guerra de Espelhos. Ao procurar uma obra do autor mencionado, esta foi a primeira que encontrei disponível na Winking Books para troca.
Os "likes" à foto da capa que que foi colocada na nossa página no Facebook e os comentários positivos à mesma, fizeram-me antever uma excelente leitura. Para além disso, o autor foi Prémio Nobel da Literatura em 1929, e é uma referência da literatura alemã e do romance, pelo que não me parecia haver qualquer razão para que esta leitura pudesse correr menos bem.
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Esta será talvez a opinião mais difícil que tive que dar até ao momento. Acontece que fiquei muito dividida sobre o que dizer sobre este livro, pelo que pensei que o melhor seria dividir a minha opinião em pontos fortes e pontos menos fortes para simplificar.
São muitos os pontos fortes deste livro. Em primeiro lugar é um produto literário magnífico. O autor manuseia as palavras de forma genial, criando um discurso cativante e ambíguo que leva o leitor a imergir-se por completo na ambiguidade do enredo e dos sentimentos do personagem principal (Aschenbach).
Um outro ponto forte, foi a forma como o autor trata o conceito de "beleza", daquilo que é puro e belo. Para tal faz-se valer de um sublime engenho linguístico, que tem como alavanca a pureza, inocência e beleza idealizada de um rapaz adolescente (personagem de nome Tadzio), e o exotismo, beleza e magnificência da cidade de Veneza (local da acção).
Algo que também achei fantástico neste livro, foi como o autor consegue fazer passar esta história, mantendo o fascínio que Aschenbach sente por Tadzio envolto numa capa de admiração platónica pela beleza em si mesma, como se admirasse uma obra arte, isenta de desejo sexual pelo rapaz. No entanto, existe uma altura em que esta admiração é erotizada, ainda que apenas em pensamento pelo personagem principal. Apesar de ter estado até essa altura a fazer um esforço por acreditar nesse amor ou fascínio apenas platónico, deixando-me levar pela ambiguidade do discurso, nesse momento, tudo para mim caíu por terra. E aqui começam os pontos menos fortes.
A partir do momento em que a relação entre os personagens foi erotizada, ainda que tenha sido só em pensamento por parte do personagem principal, tudo se tornou terrívelmente errado para mim. A partir do momento em que Aschenbach leva um pouco mais longe os seus pensamentos, não pude deixar de começar a pensar em Aschenbach de uma forma completamente diferente. Se antes via um artista, amante das artes e do que é belo, em busca de si próprio , tentando reviver de alguma forma a sua própria juventude, bebendo da juventude e da beleza daquele jovem e da cidade de Veneza, depois comecei a ver um homem abjecto que dissimula as suas perversões, ainda que para si mesmo e de forma bastante hábil, sob a capa da arte . Alguns aspectos de que algo mais doentio poderia estar a acontecer ao íntimo de Aschenbach, tornaram-se evidentes : a obsessão, o voyeurismo, e até a idealização de que os seus sentimentos eram de alguma forma retribuidos, ao interpretar erradamente gestos ou olhares casuais do adolescente. Tão doentios que o levam a um desenlace trágico, tal como o título do livro indica. Devo realçar que a questão da homosexualidade me é totalmente indiferente. O meu problema aqui é o "roçar" de elementos que remetem para a pedofilia. Se Tadzio fosse uma rapariga adolescente, seria exactamente igual a minha opinião. Ainda que Aschenbach nunca tenha (felizmente) transformado o seu desejo em comportamento, isso não quer dizer que esteja menos errado.
O ponto exposto anteriormente foi o meu principal motivo de desagrado, mas também fiquei um pouco desiludida com o próprio enredo. A história quase não existe. Já tinha mais de metade do livro lido e não tinha acontecido rigorosamente nada. É claro que a habilidade literária do autor disfarça o facto de que não tem nada para contar, mas ainda assim, gostaria de ter tido maior complexidade no enredo.
Um outro ponto menos forte deste livro e aqui Thomas Mann não tem qualquer ónus, é a edição que li. Em primeiro lugar a capa não é adequada ao livro, pois dá a sensação de que vamos ler um policial de categoria B, e em segundo, o texto tem bastantes gralhas e incorrecções. Aconselho, caso desejem ler este livro, a escolherem uma outra edição.
Resumindo, não sei o que vos diga... Este não seria um livro que eu aconselharia os meus amigos a lerem, pelo que não o faço aos seguidores deste blogue. No entanto, como são curiosos, e famintos por boa literatura, aconselho a não se ficarem com a minha visão enviesada pela minha moral e valores, e que vejam as opiniões dos outros bloggers que coloquei acima, para poderem decidir se de facto é um livro que desejam ler.
Zadig - Voltaire ( Voltaire foi mencionado. No blogue temos já dois títulos deste autor, nomeadamente Cândido e O Ingénuo. Dicionário Filosófico já se encontrava na nossa lista de livros a ler, pelo que optámos por esse título para representar esta menção ao autor)
Fábulas - Fedro (foi mencionado o autor, tendo sido escolhido este título para representar esta referência)
"Motus Animi Continuus" - Cícero (106 A.D. - 43 A.D.) significa o trabalho contínuo e perpétuo da mente, e o despertar da consciência, que Cícero considerava a essência da eloquência.
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antitética - que encerra antítese. cerúleo - azul-celeste; verde-mar. escamoteador - aquele que escamoteia; prestigitador; gatuno de golpe; caixilho para abrigar da luz as chapas fotográficas. escamotear - fazer desaparecer de modo que não se perceba; roubar com subtileza; esconder ou encobrir algo. rapapé - mesura, cortesia que se faz arrastando o pé para trás; exagero no cumprimento. metílico - diz-se dos compostos derivados do metano. vibrião - género de bactérias alongadas com forma curva ou inflectida. cendrado - da cor das cinzas. clorose - doença feminil caracterizada por uma palidez esverdinhada e excessiva fraqueza. clorótico - da clorose ou a ela relativo. miasma - emanação morbífica, proveniente de substâncias orgânicas em decomposição.
Foi no livro "A Festa do Chibo" de Mário Vargas Llosa, que este título foi mencionado. Apesar de já ter visto o filme (o clássico de 1951), nunca lera o livro, e o nome deste autor (Nobel da literatura de 1905), não me era familiar. Como já não me lembrava da história do filme, foi com gosto que iniciei esta leitura, antecipando um excelente livro.
Este exemplar foi obtido através da plataforma Winking Books.
Nota: Posteriormente este título foi também mencionado no prefácio do livro Satíricon, de Petrónio (prefácio de autoria de Jorge de Sampaio).
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Quando solicitei este livro na plataforma Winking Books, não me apercebi que não era a versão completa da obra, mas sim uma edição condensada, adaptada para o público juvenil. Este foi o meu primeiro erro na abordagem a esta leitura. Revelou-se um erro, porque não gosto de livros "condensados", uma vez que fico sempre com a sensação de que perdi alguma coisa, por não ter acesso à obra completa. Foi o que se verificou neste caso. Em várias fases desta leitura, senti que me faltou um conhecimento mais aprofundado da história, e que tudo se passava de uma forma excessivamente rápida e "pela rama".
O meu segundo erro, foi não me ter apercebido que existia um glossário no final. Por este motivo, demasiadas palavras ficaram incompreendidas até ao final do livro, o que prejudicou a minha experiência de leitura.
Devido a estes erros, cujo ónus só a mim pode ser atribuído, a opinião sobre esta grandiosa e clássica obra ficou comprometida. Digo isto porque estou quase certa de que na ausência das minhas falhas, este teria sido um título que teria adorado, e não apenas gostado, como veio a acontecer.
Mas falando agora apenas nesta edição do Quo Vadis, devo dizer que apesar de tudo o que atrás disse, este livro consegue ser uma boa leitura. É sem dúvida uma excelente história de amor, por mais cortes que lhe tenham feito. Para além dessa história que é central, apresenta-nos um retrato da Roma Antiga, que apesar de não ser totalmente fiel, põe a nu as fragilidades e os problemas sociais daquela época. Também os valores e a moral individual são expostas, bem como o papel dos primeiros cristãos. De realçar nesta trama paralela, a personagem de Nero, que neste livro faz arder Roma só para ter inspiração à de Homero quando escreveu sobre o incêndio de Tróia...
Muito boa esta história, mas não este livro condensado. Aconselho a quem ainda não leu, mas se são adultos, esta versão juvenil condensada poderá deixar-vos insatisfeitos, pelo que escolham uma versão "normal".
Viemos aqui parar através da menção de João Aguiar, no seu livro "Os Comedores de Pérolas". O nome deste autor é-me familiar, mas não me recordo de alguma vez o ter lido.
Nas minhas buscas virtuais sobre este título, descobri que faz parte de uma trilogia. Por infelicidade, este é o 2º volume, o que me fez pensar que talvez não fosse o melhor sítio para começar.
Acabei por descobrir este exemplar, que andava a estragar-se em casa da minha sogra, de onde foi resgatado.
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Este livro é excelente. Uma história muito interessante, escrita de forma simples. Uma escrita limpa e fluida que muito me agradou.
O facto de a história decorrer na China rural, proporcionou-me um "contacto", uma proximidade encantadora, com os costumes do povo chinês daquela época. Fiquei maravilhada com o que "conheci" através deste livro, e sendo a minha ignorância neste tema quase total, foi aí que o livro mais me marcou.
A história é sólida e interessante. É também estranhamente inesperada. Utilizo a palavra estranhamente, porque o que me aconteceu foi pensar que sabia o que vinha a seguir, e ver-me sempre negada a confirmação dessa expectativa, que parecia tão provável e por vezes até o único desenlace possível...Grande imaginação do autor. Excelente.
Não senti qualquer estranheza em relação à história, ou falta de informação pelo facto de este ser o 2º volume da trilogia, e não ter lido ainda nenhum dos outros dois. Pode até ser que venha a senti-lo no futuro ao ler as outras histórias, mas para já diria que apesar de se completarem, cada um dos volumes tem uma história auto-suficiente, bem delimitada e independente.
Muito bom este livro. Recomendado.
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Sem dúvida com ligação a este título, e mencionados pela editora estão os outros dois livros desta trilogia:
concitava -instigar (para o que é mau); excitar, provocar.
geomancia -adivinhação por meio de figuras traçadas no solo.
escamotear - fazer desaparecer de modo que não se perceba; roubar com subtileza.
=
EMPALMAR; esconder ou encobrir algo.
algibebe -o que negoceia em fatos feitos.
hausto -acto de haurir.[linguagem poética]; acção de aspirar.
=
ASPIRAÇÃO, SORVO; porção que se bebe de uma só vez.
=
GOLE, TRAGO adelo -pessoa que compra roupas e coisas usadas para revender.
=
ADELEIRO, FERRO-VELHO
Mencionado por um dos livros favoritos deste blogue (Até à Eternidade de James Jones), foi com enorme expectativa que iniciámos a leitura deste "clássico". O exemplar foi obtido através da Winking Books.
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Não foi uma leitura prazenteira, mas uma leitura sólida. Um texto profundo, uma história épica e recheada de provações, uma reflexão aprofundada sobre os valores humanos e sobre a evolução da organização do trabalho, com as suas inevitáveis repercussões económicas e sociais.
Escrito de forma primorosa, o autor intercala a acção principal com capítulos descritivos que a contextualizam. Tão bem o faz, que o leitor quase consegue cheirar o ar e sentir a terra entre os dedos.Quanto à acção, consegue surpreender e chocar em variados momentos. A simplicidade dos personagens, a sua bondade, o seu sentido de justiça e a sua enorme sabedoria de vida, fazem com que num ápice, nos entrem coração dentro.
Poderiam parecer estas pessoas tão distantes da nossa realidade. Contudo... se hoje em dia vemos pessoas forçadas a sair da sua terra em busca de trabalho, pessoas que só querem trabalhar mas que lhes é negado esse direito, pessoas que mesmo conseguindo trabalho auferem um rendimento insuficiente para viver, com um mínimo de dignidade, pessoas que não se podem recusar a trabalhar por um ordenado abaixo da compensação que seria justa, porque devido ao número de desempregados, logo outro tomaria o seu lugar e ficaria agradecido com tal oportunidade...pessoas que só porque esperam que o governo os trate com justiça e dignidade são rotulados de "vermelhos" e perseguidos...Mas não. Não estão distantes de nós estas pessoas. Quem me dera família Joad, que a vossa luta tivesse já terminado...
Livro que recomendo sem qualquer margem para dúvida.
Nota - Esta obra foi posteriormente mencionada em:
O Peregrino - John Bunyan The Winning of Barbara Worth - Harold Bell Wright O Livro de San Michele - Alex Munthe (publicidade da editora na badana da contracapa)
Uma vez que o livro descreve uma viagem, são muito os locais nele mencionados. Deixo o link para o mapa da viagem realizada pela família, com explicações, elaborado pela Cornell University.
Linked citations...
" Não eleves a fé até à altura do voo dos pássaros, e não rastejarás depois como os vermes"