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Wednesday, May 9, 2012

Os Lusíadas de Luís de Camões, Contados às Crianças e Lembrados ao Povo - João de Barros


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Foi a partir de Coca-Cola Killer de António Vitorino de Almeida, que cheguei a este livro. Contudo, a referência não é para ele. O livro menciona "Os Lusíadas" de Luís Vaz de Camões, e não esta versão, em prosa e "simplificada", que eu desconhecia sequer existir. Acontece que procurava os Lusíadas na feira da ladra, convicta de ir encontrar um exemplar. O intuito era o de revisitar esta obra, seguindo o "link" do Coca-Cola Killer. Já tinha encontrado um, mas como se estava literalmente a "desfazer", continuei a minha procura, e é nessa procura que li numa lombada  "Os Lusíadas de Luís de Camões". Finalmente...pensei. Enganava-me. Era esta versão. Contudo, chamou-me a atenção e fiquei curiosa...Como seria possível transformar os Lusíadas em prosa, sem massacrar esta obra de inegável genialidade poética? E para quê? Com que finalidade se macularia tamanho legado da nossa cultura? Bem, só lendo...Dois euros, disse o senhor. Comprado, apesar de dar para comprar 4 na banca do lado...

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Foi com enorme curiosidade que "peguei" neste livro, e confesso, com baixas expectativas. Julguei que haveria duas possibilidades. Uma: o livro seria de facto, uma versão em prosa muito simplificada para crianças, e aí nada haveria a apontar, uma vez que tendo como público alvo os mais novos, seria justificado este "atentado" à obra original, para que os mesmos a conhecessem e entendessem. Duas: iria deparar-me com uma história em prosa, sem qualquer qualidade, e que na qual, nem por sombras se vislumbraria  pitada da magnitude dos Lusíadas. Pois bem, estava enganada. Logo ao ler o prefácio, me dei conta que os "medos" que a mim me assaltavam, também os teve o autor da obra. Também ele temia "conspurcar" ou diminuir de alguma forma, o que são os Lusíadas e os intentos de Camões. E em minha opinião não o fez. A história que ele conta, é de facto a história dos Lusíadas, entendível para os mais novos, mas não demasiado simplificada. Há nesta prosa emoção, brio, e melodia. Não é a mesma melodia que a poesia proporciona, muito menos a poesia genial de Camões, mas serve o intuito de contar a sua história sem perder do original (em termos da história em si, é claro). Para que os mais novos consigam entender a obra poética, e até em jeito de preparação para essa leitura, julgo que a leitura deste livro poderá ser um enorme benefício. Aos mais novos, e não só. Penso também nos mais velhos que deixaram "escapar" esta obra. Assim quando chegar a altura de ler cantos de Camões, poderão os leitores estar mais disponíveis para os entender, absorver e apreciar, em toda a sua grandiosidade.

Nota: Verifiquei posteriormente a ter emitido esta opinião, que este livro está integrado no plano nacional de leitura e que é recomendado para todas as idades. Tenho pena que não tivesse sido "no meu tempo", pois acredito que menos pessoas relembrariam os Lusíadas como "uma grande seca...".

Linked review...

"Era uma vez um povo de marinheiros e de heróis, o povo português, o nosso povo, que já lá vão muitos anos — mais de quatrocentos — quis descobrir o caminho marítimo para a Índia. A Índia aparecia então, aos olhos de todos os Europeus, como terra de esplendor e de riqueza, que todos os homens desejavam, mas onde era difícil, quase impossível chegar.

Quatro pequenos navios — tão pequenos sobre o imenso, ignorado Oceano! — Quatro naus comandadas pelo grande capitão Vasco da Gama lançaram-se através do Atlântico, só conhecido até ao Cabo da Boa Esperança, dobraram esse Cabo e puseram-se de vela para a região que demandavam.

O vento era brando, o mar sereno. Até então a viagem correra sossegada. Mas os perigos seriam constantes, a travessia arriscada, a viagem longa. E ninguém sabia ao certo o rumo a seguir, pois nunca outra gente se atrevera sequer a tentar tão comprida e custosa navegação.

Só a coragem e a audácia dos Portugueses seria capaz da proeza heróica! Assim inicia João de Barros a sua adaptação em prosa de Os Lusíadas, o poema épico português. Nesta obra, o autor condensa e simplifica a leitura dessa jóia da literatura nacional, tornando-a acessível a um público mais jovem, mas interessado em conhecer a sua História e as suas Origens."


Linked people...

São muitas as personalidades que são referidas neste texto. Estas foram as que escolhi para partilhar.

Vasco da Gama
Nuno Álvares Pereira
Viriato

Antão Vaz de Almada (Diplomata português, nascido em 1573 e falecido em 1644, foi o grande impulsionador da Restauração. Após o triunfo da revolução, foi nomeado por D. João IV embaixador em Londres. Graças aos seus esforços diplomáticos, foi assinado um Tratado de Paz e Aliança entre Inglaterra e Portugal, que foi fundamental para a manutenção da independência do nosso país)

Linked places...

Abundam os locais nesta "história". Não sendo possível colocá-los todos, foram seleccionados apenas alguns.

Cabo da Boa Esperança (África do Sul)


Cananor (Índia)
Cochim (Índia)
Malaca (Malásia)
Mombaça (Quénia)


Deserto do Saara

Linked words...

aljava - coldre ou recipiente para setas, geralmente transportado ao ombro.

chuço -  pau armado de ponta aguda de ferro.

aljôfar - pérolas miúdas. 

procela - tormenta no mar, tempestade. 

Tuesday, April 24, 2012

O Espião Que Saíu Do Frio - John Le Carré


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Foi no livro Coca-Cola Killer, de António Victorino D´Almeida que surgiu, a título de trocadilho, a obra de um personagem denominada "O Frio Que Veio Do Espião" que me levou a incluir a referência a este título, o real. Sendo este um livro de espionagem, género esse que nunca foi do meu interesse, enquadrava-se perfeitamente no desafio que me propus nas "viagens" entre referências que este blogue descreve. Levou-me assim a um livro que provavelmente nunca teria escolhido para ler, e que se revelou, não uma surpresa, mas uma boa história e uma leitura agradável.

Linked opinion...
O tema da espionagem, como já referi, nunca foi do meu interesse, quer se tratasse de livros, filmes ou séries televisivas, a não ser o "Olho Vivo", que muitas e boas recordações me deixou da minha infância e adolescência, mas isso é "outra coisa". Esta obra nunca seria assim, alvo da minha escolha. A partir do momento em que me apercebi de que género se tratava, imaginei traições, mentiras, (des)lealdades, assassinatos em catadupa, reviravoltas mirabolantes, um enredo difícil de iamginar ou enquadrar na realidade, e um sem número de personagens com comportamentos criminosos sob o lema dos meios justificarem os fins. E foi isso mesmo que encontrei. Os eternos "bons" e "maus", mas em que os bons são exactamente iguais aos maus, diferindo apenas na ideologia ou política que legitima os comportamentos de cada uma das partes. Mas não será sempre assim? O quem me fica desta história, é a possibilidade da existência de amor, mesmo em contextos totalmente contrários a que o mesmo exista, em ambiente de desconfiança constante de tudo e de todos, e de perigo iminente a quem se possa permitir algum tipo de humanidade. O amor, ou "pseudo" amor desta história permite que surja um pouco de lealdade, numa história de completa mentira, ainda que essa lealdade seja trágica. Mas tragédia e amor sempre andaram de mão dadas nos grandes clássicos. E este é também ele um clássico. Deste género é certo, mas é. Daí que para quem aprecie o género, aconselho a sua leitura. Quanto aos restantes, esperem um boa história, de leitura fácil e rápida, e quem sabe, a abertura a novos gostos em termos de géneros literários. Para mim ainda não foi desta que fiquei "fã", mas agradou-me ler este livro. Alguma coisa sempre fica...

Linked movie...

Este livro foi adaptado ao cinema em 1965, e realizado por Martin Ritt

Linked Song...



Apenas uma canção foi referida. trata-se de "Ilkley Moor Barht'at", uma canção popular que representa quase um hino do Yorkhsire.


Linked book...
Existe apenas uma referência a livros, e é feita no prefácio pelo autor. Fala-nos aí, em jeito um pouco depreciativo, da obra que se seguiu a esta, que decidi incluir aqui:

Linked drink...

Neste livro, apesar de se beber imenso,  há apenas referência a um bebida, que para mim era desconhecida. Chama-se Pink Gin. Encontrei aqui um pequeno vídeo que mostra como fazer este cocktail.



Linked cars...
Opel Rekord 1958



Algumas referências a carros despertaram-me a curiosidade. Uma delas foi ao Opel Rekord, que tive dificuldade em lembrar qual seria. Após procura de informação sobre este carro, verifiquei que foram comercializados vários modelos do Opel Rekord, entre 1953 e 1986. Na foto ao lado temos o modelo de 1958. Para saber mais sobre a história do Opel Rekord, clique aqui.



DKW (AU1000S, seguido de perto por um F91)

A referência a esta marca de automóveis, a DKW, foi uma completa novidade para mim. Nunca tinha ouvido falar de tal coisa. Trata-se no entanto de uma marca histórica de automóveis e motocicletas, associada em todo o mundo a motores com ciclos de dois tempos. Encontrei muitas fotos de carros e motos, com modelos fantásticos, e foi difícil escolher uma para partilhar. A história desta marca alemã é também bastante interessante.




Este foi outro dos veículos que despertou a minha curiosidade. O Mercedes 180.
Linked people...

Não foram muitas as personalidades que este livro referiu. De notar que Graham Greene não é uma referência no texto. Resolvi incluí-lo por causa da sua frase que figura na capa do livro. Diz ele sobre esta obra : "A melhor história de personagem que alguma vez li.". Sendo-me muito familiar o nome do autor, mas sem conseguir "arrumá-lo" em termos de género literário ou títulos de livros, ficou-me a curiosidade de procurar mais informação sobre este autor.

Graham Greene (1904- 1991)

Arthur Koestler (1905 - 1983)

Nikita Khrushchev (1894 - 1971)

Honoré de Balzac (1799 - 1850)


Linked newspapers...

Nunca faltam jornais em histórias de espiões...aqui ficam alguns dos que foram mencionados no texto, a título de curiosidade.


The Observer
Continental Daily Mail
Le Monde
Le Figaro
Neue Zurcher Zeitung
Die Welt
Evening Standard
Linked dance...
 Morris Dancing, uma antiga dança foclórica inglesa em que os figurantes representavam personagens lendárias.

Linked words...

bambúrrio - Carambola que se faz por onde não era jogada. Acaso feliz.
assestar - Chegar (a boca da peça) para a canhoneira. Apontar.

VoPos - A Deutsche Volkspolizei (DV, "Polícia Popular Alemã") ou apenas Volkspolizei, foi um corpo de polícia nacional da República Democrática Alemã. Formou-se logo após o final da Segunda Guerra Mundial na Europa e aboliu-se com a Reunificação da Alemanha. Os seus agentes recebiam o nome de VoPos. Entre outras tarefas, os VoPos foram encarregados de vigiar zelosamente e disparar a matar quem pretendesse atravessar o Muro de Berlim ou a restante fronteira interna alemã para fugir.  



arrostar - Fazer face a, encarar sem medo. Abalançar-se, atrever-se. Afrontar. Defrontar, afrontar, expor.
ornear - Zurrar, ornejar.
creosoto - Líquido cáustico e anti-séptico extraído do alcatrão e próprio para conservar substâncias orgânicas, nomeadamente a carne.
presciente - Que tem presciência, que prevê o futuro. Previdente.


casamata - Bateria abobadada. Casa à prova de bomba para explosivos ou para habitação de governador de um castelo. Abrigo subterrâneo fortificado, geralmente abobadado. = BÚNQUER. Bateria que defende um fosso.

Tuesday, April 10, 2012

Coca-Cola Killer - António Vitorino D´Almeida

"First Link"...
 
Apesar de não ter sido ainda referido por nenhum dos livros deste blog, acaba por chegar a mim, por ligação indirecta a Tom Sharpe. Uma vez que eu havia já lido dois dos livros de Tom Sharpe e havia gostado, perguntaram-me se já tinha lido o "Tom Sharpe português"... E assim me vi em pouco tempo, a devorar este livro de António Vitorino D´ Almeida.

Linked Opinion...

Na minha opinião este livro é fantástico. Se o comecei a ler por o autor ser alegadamente o Tom Sharpe português, para mim superou em muito qualquer dos dois livros de Tom Sharpe que li até agora. Li-o com grande rapidez, mal podendo esperar para retomar a leitura sempre que por algum motivo, tinha forçosamente que parar. Rir foi uma constante durante a sua leitura, chegando mesmo às lágrimas. É simplesmente incrível a imaginação do autor, as pequenas histórias tão absurdas, tão surreais, e ao mesmo tempo tão credíveis dentro da história, por vezes até, acopladas a acontecimentos reais. Os personagens esses, são maravilhosos. Simplesmente coloridos e fantásticos, com características únicas que acho que só quem é português os consegue imaginar em toda a sua grandeza (ou pequeneza). Enfim, um livro de leitura obrigatória, construído com uma inteligência e humor brilhantes e fora do comum, não se esperando outra coisa, deste senhor que se chama António Vitorino D´Almeida.

Linked art...

Aparece mencionado no texto esta obra de arte, que julgo ser digna de aqui mostrar.

O Desterrado de Soares dos Reis
Linked songs...

Como não podia deixar de acontecer, são mencionadas duas canções: Fascination e La Cumparsita. Deixo os links para que as possam ouvir aqui.

La Cumparsita


 Fascination

Linked books...


São três as obras referenciadas no texto deste livro. A primeira contudo não é mencionada directamente, mas enquanto trocadilho, e como obra de um dos personagens do livro (O Frio Que Veio do Espião...). Resolvi contudo incluir nesta minha lista a obra real a que se refere.

O Espião que Saíu do Frio - John Le Carré
Os Maias - Eça de Queiróz
Os Lusíadas  - Luis Vaz de Camões

Linked people...

São diversas as personalidades mencionadas no texto deste livro, num total de sete , cinco para mim desconhecidas. Apesar de conhecer Carlos Gardel e Sharon Tate, do primeiro pouco sabia, e da actriz fiquei curiosa em saber mais para além da história do assasinato, pela qual eu a conhecia. "Apresento" desta forma estas personalidades aos leitores deste blogue, por foto, e com links para quem desejar saber mais.

Rosa Luxemburgo (autora da frase "Quem não se movimenta, não sente as correntes que o prendem")










 
Herbert Marcuse (1898 - 1979)



Luigi Boccherini (1743 - 1805)


Alberto Nepomuceno (1864 - 1920)


Carlos Gardel (1890 - 1935)
Stéphane Mallarmé (1842 - 1898)

Sharon Tate (1943 - 1969)

Linked words...

Esta foram as palavras que este livro me "apresentou" :
soez - Torpe; reles; vil
seráfico - Relativo aos serafins. Místico; beatífico; paradisíaco. Diz-se das ordens religiosas franciscanas.
chistosa - Que tem chiste ou graça. Brincalhão, engraçado, faceto.
onanismo - Coito interrompido antes da ejaculação. Masturbação masculina.
azémola - Besta de carga. Cavalgadura velha e estropiada. Pessoa estúpida.
hemoptises - Expectoração de sangue. Hemorragia da membrana mucosa do pulmão.