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Sunday, January 14, 2018

Contos Exemplares - Sophia de Mello Breyner Andresen

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Foi a autora Olinda P. Gil, que nos encaminhou para esta leitura. No seu livro "Contos Breves", um dos seus contos ("Sophia") é totalmente dedicado à autora Sophia de Mello Breyner Andresen. Na altura a escolha deste título "Contos Exemplares" de entre os restantes da autora, pareceu-nos a melhor para representar esta ligação ao livro de Olinda P. Gil, por dois motivos: porque são ambos livros de contos e por "Os Contos Exemplares" ser um livro recomendado no Programa de Português para o 3º ciclo (a autora Olinda P. Gil é professora de português :) ). 

Todos os motivos seriam válidos para escolher esta obra em particular e confesso que também já há muito tempo desejava ler este livro. A escrita de Sophia de Mello Breyner Andreson sempre me cativou e nutro um enorme respeito e admiração pela autora. Este é no entanto o primeiro título lido para este blogue e devo dizer que fiquei muito feliz por "ela finalmente ter cá chegado".

Esta edição, de 2014 e com prefácio de Frederico Bertolazzi, foi me oferecida no Natal. Paral além de ser uma leitura específica para este blogue, serviu também para completar um desafio da Maratona Literária Outono/Inverno 2017 (maratona essa já aqui várias vezes mencionada), desafio esse que era: Ler um livro que tivessem oferecido (ou que gostaria que te tivessem oferecido) no Natal.

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"Esta coletânea de contos foi pela primeira vez publicada em 1962 e o título faz uma referência explícita a uma citação presente no início do livro, às Novelas Exemplares de Cervantes. Inclui os contos «O Jantar do Bispo», «A Viagem», «Retrato de Mónica», «Praia», «Homero», «O Homem» e «Os Três Reis do Oriente». Como nos diz Federico Bertolazzi no seu prefácio, «"Não aceitar o escândalo", não "ceder ao desastre", é esta a lição de Sophia. A sua clara integridade atravessou as turbulências políticas e sociais com a firmeza de quem procura a verdade e quer desmascarar a mentira. Num tempo em que a palavra tinha sido profanada, Sophia reagiu para lhe restituir a sua sacralidade e o seu condão: revelar ao homem o seu próprio rosto.». Nesta edição é mantida a grafia antiga."
fonte: fnac
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Este livro revelou-se ser (quase) tudo aquilo que eu esperava que fosse. Foi para mim uma leitura maravilhosa, pois estes contos são quase como pequenas obras de arte. A escrita, irrepreensível, é marcadamente única, num estilo que combina simplicidade e beleza de uma forma rara. Os textos são construídos na sua maioria por frases curtas e simples, mas onde as palavras brincam e se arranjam de uma forma melódica e poética. Apesar da aparente simplicidade, os temas não são de todo simples ou directamente acessíveis ao leitor. Por vezes é necessário alguma reflexão ou contextualização, e confesso que em alguns caso foi já depois de ler o prefácio (que nestes casos deixo para ler no fim da leitura dos textos), que entendi algumas das particularidades dos contos.

Esta edição dos Contos Exemplares, contém sete contos. Começa pelo conto "Jantar do Bispo", um conto de entendimento fácil mas de reflexão prolongada. O tema é o clássico do "bem e do mal" com figuras também clássicas para o estereotipar, como "o rico e o pobre", ou "Deus e o Diabo". Não é um conto supreendente, mas é muito bonito.

O conto "A Viagem" é um dos contos "desconcertantes" deste conjunto e um dos meus preferidos. A reflexão que este conto proporciona irá depender do leitor. Pessoalmente fez-me reflectir sobre o dar valor ao que se tem e sobre a ambição de ter sempre mais. É também um conto de enorme beleza, como o são todos.

"Retrato de Mónica" é uma sátira muito bem conseguida ao "sucesso social". Fez-me rir e reflectir como estes contos, apesar de terem sido escritos enquanto "crítica" ao Estado Novo, numa altura em que as pessoas não tinham voz, conseguem ser como no caso deste, tão actuais como nessa altura.

"Praia" é um conto denso, pesado. Belo ainda, é talvez aquele que mais dúvidas suscitará no leitor sobre o seu significado. Eu tentei contextualizá-lo na época do Estado Novo, entendendo no texto os medos, receios e esperanças de uma geração que espera a mudança, que espera qualquer coisa. Ainda assim julguei ser fácil colocá-lo nos nossos dias, parecendo-me um óptimo espelho para reflectir sobre as dificuldades das gerações mais novas. Surge aqui finalmente o mar, um tema e uma paixão recorrentes na escrita de Sophia de Mello Breyner Andresen, mas é no conto seguinte: "Homero" que o mar aparece em tua a sua força. 

Lindíssimo o conto "Homero", este é um dos contos que mais me fez sentir. No homem que vagueia, mendigo, à parte de uma sociedade e que no mar encontra talvez a sua salvação, a sua companhia, a razão da sua vida. Se nos outros contos já me admirava com a beleza da escrita, neste fiquei esmagada pelas imagens que a autora me conseguiu passar. 

Outro conto que não perdeu a actualidade e que apela ao nossos sentimentos e reflexões mais profundas é o conto "O Homem". Um apontar do dedo à sociedade e a cada um de nós enquanto parte dela.

Por fim, temos no conto "Os Três Reis do Oriente" o conjunto de três histórias, "Gaspar", "Melchior" e "Baltazar". Foi curioso pois pensei que não iria gostar destes contos e acabei por gostar até bastante. Muito simples e directos, são contos que fazem reflectir sobre a vida e os seus significados.

Resumindo, não encontro nada de mal a dizer em relação a esta obra. Ela está magnífica, mas reconheço que cada leitor poderá ter entendimentos diferentes, e se uma leitura não nos "tocar" ao pensamento e ao coração, não deixará de ser uma obra de arte mas não terá em nós qualquer efeito. Eu tive a sorte de esta obra me ter atingido e permeado, ainda que eu ache que no futuro uma releitura pode ainda revelar-me alguns mistérios que desta vez não descortinei. Recomendo-a pois na esperança que possa ter em vós leitores deste blogue, um efeito similar.

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Por incrível que possa parecer, tive muita dificuldade em encontrar opiniões sobre este livro, pelo que recorri às opiniões da plataforma Goodreads, que também não abundam...

Linked books...

Conto de Inverno - William Shakespeare (Shakespeare foi mencionado no texto do conto "O Jantar do Bispo". Já aqui foram lidas algumas obras de Shakespeare, nomeadamente:
Optei por por este título, o "Conto de Inverno" por ainda não ter sido por nós lido, e por conter a palavra "conto" no título, para representar a ligação feita a Shakespeare por Sohia de Mello Breyner Andresen)

Dinossauro Excelentíssimo  - José Cardoso Pires (livro mencionado no prefácio de autoria de Frederico Bertolazzi)

Filodemo - Luis Vaz de Camões (Camões foi mencionado no conto "O Jantar do Bispo" e este foi o título escolhido para representar essa referência, por já se encontrar na nossa lista de livros a serem lidos) 

Novelas Exemplares - Miguel de Cervantes

O Colar - Sophia de Mello Breyner Andresen (título escolhido de entre as obras mencionadas da autora, por ser um livro de teatro, género que muito gosto)

Vida Nova - Dante Alighieri (Dante foi mencionado no conto "O Jantar do Bispo" e este foi o título escolhido para representar essa referência, por já se encontrar na nossa lista de livros a serem lidos) 

Linked citations...

«Heles dado el nombre de ejemplares, y si bien lo niras no hay ninguna de quien no se pueda sacar un ejemplo»
Cervante, «prologo al lector», em Novelas Ejemplares 

«Dai a César o que é de César, e dai a Deus o que é de Deus»
frase atribuida a Jesus, Bíblia. 

Linked flowers and vegetation...

Buxo
("jardim de buxo" mencionado no conto "O Jantar do Bispo")
Camélias
(mencionadas no conto "O Jantar do Bispo")
Linked newspaper...


Diário de Notícias
(mencionado no conto "O Jantar do Bispo")

Linked historical figures...


D.Sebastião
(mencionado no conto "Praia")
Rommel
(mencionado no conto "Praia")
Alexandre, o Grande
(mencionado no conto "Os Três Reis Magos")

Linked religious figures...

Nossa Senhora da Esperança
(mencionada no 1º conto "O Jantar do Bispo")
Santa Bárbara
(mencionada no 1º conto "O Jantar do Bispo")

Linked prayer...


Rezar a "Magnífica"
oração que o povo costuma rezar quando há trovoadas

(mencionada no 1º conto "O Jantar do Bispo")

Linked looked up words...

estamenha - tecido grosseiro de lã (palavra utilizada no conto "Os Três Reis Magos").

melopeia - música que acompanha uma recitação; arte de fazer acompanhamentos musicais; [figurado] cadência, ritmo (palavra utilizada no conto "Homero").

Friday, January 5, 2018

Quando Lisboa Tremeu - Domingos Amaral

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Este é um Link Inicial, que surge no nosso blogue por recomendação de Diana Matias na plataforma Goodreads. Esta recomendação já é bastante antiga, pois data de Maio de 2013, mas não estava esquecida.

Estava pois na estante há muito tempo e foi agora escolhido para leitura pois encaixava na perfeição num dos desafios literários da Maratona Literária Outono Inverno, promovida pelos blogues Flames e Agora que Sou Crítica, maratona essa na qual estou a participar.  O desafio era o de ler um livro com a cor branca na capa.

Agradecemos pois a Diana, esta sua contribuição para o Linked Books. Quem sabe quantos bons links este livro nos proporcionará.

Linked synopsis...

"Lisboa, 1 de Novembro de 1755. A manhã nasce calma na cidade, mas na prisão da Inquisição, no Rossio, irmã Margarida, uma jovem freira condenada a morrer na fogueira, tenta enforcar-se na sua cela. Na sua casa em Santa Catarina, Hugh Gold, um capitão inglês, observa o rio e sonha com os seus tempos de marinheiro. Na Igreja de São Vicente de Fora, antes da missa começar, um rapaz zanga-se com a sua mãe porque quer voltar a casa para ir buscar a sua irmã gémea. Em Belém, uma ajudante de escrivão assiste à missa, na presença do rei D.José. E, no Limoeiro, o pirata Santamaria envolve-se numa luta feroz com um gangue de desertores espanhóis. De repente, às nove e meia da manhã, a cidade começa a tremer. Com uma violência nunca vista, a terra esventra-se, as casas caem, os tectos das igrejas abatem, e o caos gera-se, matando milhares. Nas horas seguintes, uma onda gigante submerge o Terreiro do Paço, e durante vários dias incêndios colossais vão aterrorizar a capital do reino. Perdidos e atordoados, os sobreviventes andam pelas ruas, à procura dos seus destinos. Enquanto Sebastião José de Carvalho e Melo tenta reorganizar a cidade, um pirata e uma freira tentam fugir da justiça, um inglês tenta encontrar o seu dinheiro, e um rapaz de doze anos tenta encontrar a sua irmã gémea, soterrada nos escombros."
fonte: leya

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Quando comecei este livro estava com elevadas expectativas em relação ao mesmo. Nunca havia lido nada que tratasse sobre o terramoto de 1755 e entusiasmava-me a ideia de ler um romance histórico neste cenário. 

Comecei a lê-lo no Dia de Todos os Santos, o que achei perfeito uma vez que foi exactamente nesse dia que o grande terramoto assombrou Lisboa e arredores. Agradava-me também a ideia de ler ficção histórica por si só, género que apesar de não ser dos meus preferidos, aprecio bastante e não tem tido grande expressão neste blogue. Por outro lado, temia que fosse um mau romance histórico, pois pela minha experiência quando são maus, são mesmo bastante penosos de ler.

Foi com este espírito que às primeiras páginas do livro fiquei surpreendida. Apesar de não se poder dizer que não se trata de um romance histórico, este livro é muito diferente de todos os que havia lido até ao momento. Esperava descrições mais ou menos elaboradas e uma contextualização histórica fiel e pormenorizada. Contudo acaba por ser mais um romance que decorre durante os dias do terramoto, e  o terramoto enquanto acontecimento histórico acaba por ser apenas o cenário para este romance.

O foco desta história é o dia a dia de um grupo de pessoas de várias origens e de características bem diversas entre si, cujas histórias mais ou menos individuais se acabam por intersectar. A história segue a vida dessas pessoas desde o dia anterior ao terramoto contando a forma como vivenciaram este evento e lhe sobreviveram (ou não). 

A escrita é simples e corrida, com muitos acontecimentos, o que faz com que o leitor se prenda à narrativa e consuma as páginas rapidamente. Apesar de como disse anteriormente esperar algo diferente, agradou-me este ritmo, sem grandes pausas descritivas. 

Existem alguns aspectos menos positivos na forma de escrever do autor, como por exemplo um personagem inglês que fala de uma forma estranhíssima e cansativa (uma palavra em inglês e outra em português consecutiva e continuadamente) e que por um qualquer milagre é entendido por todos (lembremos que estamos no séc XVIII e que seria bastante improvável que, por exemplo, uma escrava o entendesse na perfeição). Outro aspecto menos bom  foi o que considerei um excesso de cenas e situações sexuais. Se bem que me agradou uma história que tratava basicamente das necessidades imediatas e prementes de um grupo de pessoas que de repente se vê no meio de uma catástrofe de tremendas dimensões, parece-me que a paixão, o amor, a promiscuidade e o sexo ocuparam (talvez) um lugar de destaque maior do que o que na realidade lhe seriam devidos.

Mas a leitura foi agradável e durante o livro pensava que talvez até merecesse 4 em 5 estrelas na minha review no Goodreads. Contudo o final foi perfeitamente despropositado. Já me tinha habituado a que o livro não tivesse grande história, sendo um relato do dia a dia de pessoas que se encontram em situação excepcional, cheio das dificuldades inerentes a quem viveu uma tão horrível situação. Penso que as histórias não necessitam todas de ter espectacularidade ou grande acontecimentos, ainda para mais num cenário destes, espectacular por si só, pelos piores motivos.

Contudo, de repente no final, a história toma contornos de uma novela barata. Não adianto muito mais para que esta opinião não estrague a leitura futura de quem deseje ler este livro, mas posso dizer que uma série de coincidências, despropositadas e pouco credíveis se conjugaram para que o livro tivesse um grande e surpreendente final (pela negativa). Se nada deste livro foi "em grande", a minha opinião é a de que o autor deveria ter mantido o mesmo rumo, apresentando um final realista e concordante com o resto da história. "Quase" entendo a necessidade do autor dar ao seu livro este "grande" final, mas para mim, acabou por arruinar a opinião que vinha a formar sobre o livro e sobre o seu autor.

Por tudo o que disse atrás e apesar de ter sido uma leitura agradável, não chega para que eu recomente aqui este livro.

Linked opinion by other bloggers...

Linked books...

Na biografia do autor, foram mencionados vários dos seus livros, dos quais escolhi um. Este título foi o escolhido por ter o título que achei mais sugestivo:
  • O Fanático do Sushi - Domingos Amaral
Foram também vários os livros que a editora aproveitou para publicitar nesta edição. Um deles já por nós foi lido no blogue, pelo que resolvi incluí-lo aqui e que resolvi também escolher um outro de entre os publicitados, uma vez que o texto deste livro não mencionou outros livros:

Linked people...
Sebastião José de Carvalho e Melo
(Marquês de Pombal e Conde de Oeiras)
Padre Malagrida
(confessor do Rei)
D. João V
D. José
Linked places of interest in Lisbon...
Rossio
Terreiro do Paço
Alcântara

Linked monuments and landmarks...


Palácio da Inquisição
Convento de Mafra
Convento de Odivelas
Convento de São Domingos
Sé de Lisboa
Castelo de São Jorge
Igreja de São Vicente de Fora
Linked towns and villages...


Odivelas
Linked religious institutions...



Inquisição
Linked means of transport...


Caleche
Chaise

Linked boats...


Brigue
Falua
Linked holy day...


Dia de Todos os Santos
Linked looked up words...

caliça - cal ou gesso, desprendido das paredes.

Sunday, December 31, 2017

Clepsydra - Camilo Pessanha

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Chego à leitura deste clássico da poesia nacional, pela mão do autor português João Aguiar. Foi João Aguiar que no seu livro "Os Comedores de Pérolas", mencionou Camilo Pessanha. O título Clepsydra foi escolhido para representar essa ligação ao autor, por ter encontrado na altura, uma edição disponível no site winkingbooks. Não me recordo se este livro acabou por vir ou não do winkingbooks , mas já estava na estante há algum tempo. Aproveitei um desafio da Maratona Literária Outono/Inverno 2017 em que estou a participar, desafio esse que consistia em ler um livro com menos de 100 páginas, para finalmente me lançar nesta leitura.

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"Os versos do primeiro poema de Clepsidra, "Inscrição" - "Eu vi a luz em um país perdido./A minha alma é lânguida e inerme./ Oh! Quem pudesse deslizar sem ruído! / No chão sumir-se. Como faz um verme…" -, dizem o essencial da biografia e da obra deste poeta nascido em Coimbra (1867) e falecido em Macau (1926), após uma existência segregada desde o nascimento e a reunião tardia num escasso volume duma obra publicada dispersamente.

A poética da pura sugestão encontra em Pessanha um cultor de exceção; tudo é apenas insinuado, nunca dito, através de atmosferas onde o mistério e o sonho se cruzam para dizer o indizível como nesse extraordinário poema de amor e morte que é "Floriram por engano as rosas bravas…" Ao serviço daquela poética coloca o poeta o decassílabo para o qual encontra desvios inovadores e expressivos que trazem à sua poesia um timbre musical único. Fernando Pessoa terá confessado que conhecia quase todos os poemas de Pessanha de cor. É natural: a modernidade não vanguardista de Pessanha está-lhe nos genes."
fonte: wook

Linked opinion...

Não sou leitora assídua de poesia e não posso também dizer que seja um dos meus géneros favoritos, mas a verdade é que aqui no blogue já tive o prazer de ter algumas surpresas, pelo que foi com entusiasmo e de espírito aberto que iniciei esta leitura.

Se bem que não se revelou uma leitura arrebatadora, este pequeno livro foi no entanto uma leitura muito agradável. A forma como o autor domina as palavras , os sentimentos que evoca,  a melodia e ritmos intrínsecos, tudo é de uma enorme beleza, reveladora da grande mestria do autor.

Esta poesia foi a mais melódica e rítmica que alguma vez li, quase mesmo como música sem o som de instrumentos, onde as notas são trocadas por palavras e é o som dessas palavras que nos embala a leitura.

Só não gostei mais desta leitura, porque senti os temas algo distantes, não me fazendo "sentir", factor que é na minha opinião a maior qualidade da poesia. É na poesia que me faz sentir, quase sofrer ou alegrar-me com o poeta, que me revolve os sentimentos e me deixa a pensar, é nessa a poesia que mais encontro gosto por este género literário.

A poesia do presente livro é uma poesia linda, ritmicamente perfeita, mas falhou por não me fazer sentir. Senti-me como uma admiradora de uma linda obra de arte, mas que me fala pouco ao coração.

Assim, e pelo que disse anteriormente, recomendo esta obra a todos os amantes de poesia, mas não gostei o suficiente para a recomendar de uma forma geral a todos os leitores deste blogue.

Linked opinion by others...

Não tendo encontrado blogues com opinião sobre este livro, ficam algumas opiniões diversas que encontrei no Goodreads:

Linked books...

A Educação no Japão  - Venceslau de Morais (o autor foi mencionado na biografia de Camilo Pessanha, tendo sido este título escolhido para representar essa referência, por ser o título do autor mais barato que encontrei no site da fnac)

China - Camilo Pessanha (obra mencionada na biografia do autor)

Contos Tradicionais Portugueses para as Crianças - Ana de Castro Osório (a autora foi mencionada e este título foi o escolhido para representar essa referência, entre os títulos disponíveis da autora na fnac)

Mensagem - Fernando Pessoa (Fernando Pessoa foi mencionado na biografia do autor. Já aqui lemos "O Marinheiro", pelo que optei por escolher a "Mensagem" para representar esta referência, por já se encontrar na nossa lista de livros a serem lidos)

O Além-Mar na Literatura Portuguesa - João de Castro Osório (o autor foi mencionado, e este foi o título escolhido por ter sido o que mais encontrei disponível ao pesquisar na net)

Viagem à Holanda - Paul Verlaine (Paul Verlaine, foi citado, nomeadamente um dos seus poemas - ver embaixo o "linked poem"- pelo que resolvi escolher um título do autor para representar essa referência. Este foi o único título com edição em português que encontrei disponível.)

Linked people...

Venceslau de Morais
Ana de Castro Osório
João de Castro Osório
Óscar Lopes
Fernando Pessoa
Paul Verlaine

Linked poem...

Il Pleure dans mon couer
Paul Verlaine

Il pleure dans mon cœur
Comme il pleut sur la ville ;
Quelle est cette langueur
Qui pénètre mon cœur ?

Ô bruit doux de la pluie
Par terre et sur les toits !
Pour un cœur qui s’ennuie,
Ô le chant de la pluie !

Il pleure sans raison
Dans ce cœur qui s’écœure.
Quoi ! nulle trahison ?…
Ce deuil est sans raison.

C’est bien la pire peine
De ne savoir pourquoi
Sans amour et sans haine
Mon cœur a tant de peine !

Linked words...

a flux - abundantemente, a rodos; unanimemente.

hemoptise - expectoração de sangue; hemorragia da membrana mucosa do pulmão.


ptomaína - putrefacção cadavérica; parte apodrecida de qualquer organismo; infecção que resulta dessa putrefacção.


vesânia - nome genérico dado a doenças ou perturbações mentais.

Tuesday, December 19, 2017

The Algorythm of Power - Pedro Barrento

Linked by...

This book is what we consider a "First Link" in our blog. Not linked by any other book we´ve already read, it will be the start (I hope) of a new "reading chain" and maybe it will connect to old readings as well.

If you follow our blog you know that "First Link" books are quite limited, but we do sometimes open exceptions for books that are gifted to us, or books that our readers highly recommend. This one was the first case: an offer. It was the author himself that gifted me this edition, after I contacted him through Goodreads: An "Advanced Reading Copy", of what will be his third book, expected to be publicated in January, 2018.

I contacted the author after seeing this book on a Goodreads giveaway. I have always been curious about Pedro Barrento´s work, but hadn´t had the opportunity yet to read any of his books. As you know, my reading choices are almost all "dictated" by other books. Inexpectedly the author made me this wonderful offer, "opening the doors" for it to be part of our blog as a new starting point for more linked books. 

I was really happy and eager to read this story, and for it to be a part of this blog,  and would like to thank Pedro Barrento for his kind gesture.

Linked synopsis...

"A society run by an operating system...

A world without politicians...

Digital Alternative is a new movement that intends to revolutionise politics... by doing away with politics.
From its humble origins as a buggy strategy game developed by a geeky teenager, Epochs evolves to become The Network, the operating system that will rule over the whole planet with chilling efficiency.
Split between the 21st and the 24th centuries The Algorithm of Power is a new type of dystopia. One in which the future that awaits us is not democratic and where the government has no use for torture, gulags or a secret police - because no one even notices there is a government.
Welcome to the reign of software!"

source: amazon.com

Linked opinion...

What a wonderful book! I started reading this book with great curiosity and enthusiasm, but it turned out be be even more than I could anticipate. I´m quite amazed by this story and have now become even more interested in the work of Pedro Barrento. 

I confess that utopian/dystopian settings always have a great effect on me, and that I just love thinking about, discussing, debating and imagining these kind of things. George Orwell´s 1984 truly blew me away when I was quite young. However, nowadays, I´m not often surprised or feel engaged in utopian/dystopian books or movies, as they always seem to me "stories that have already been told". But I knew this "Algorytm of Power" had got to me, when I realized I spent all my lunch break talking with great enthusiasm about it...

For many chapters I was glued to the book, and just until the final chapters I was planning of giving a five star rating on Goodreads, which is not something that happens to me very often. It was only by the final chapters that the story changed for me. Until arriving there, the book was really amazing, but then it changed a bit for me, from "amazing" to "really good". If only the final chapters were different... but well, I have nothing to complain. This was truly one of the best books I read this year. And these are some of the reasons why.

The book is very well written, in a simple but efective style. Straight to the point, without overdoing anything. The story has a sound structure, that goes back and forward in time, with no risk of the reader getting "lost". The story is very original, imaginative and creative, with no need to make up stuff, like often happens in science fiction books, where the contraptions, machines, structures are so "out there" is hard for the reader to get in the story and fully understand it. One of the most interesting things to this story is that is really doesn´t have much new or made up features, but the way the author combines existing things is truly original.

The locations in the story, for us portuguese people, are familiar day to day places everybody or many people know, and yet the author manages to make it totally believable that so much happens or has happened "next door". It´s really an immersive story, and I know this is really strange to say, as it´s a science fiction dystopia, but I felt that I shared something with these characters. Also, I almost had a sense of pride for being portuguese like the author, and knowing that there are portuguese authors capable of producing a story like this one. This could easily be a bestselling book in many countries (including Portugal...). 

The edition is also great, loved the cover, loved the book, and so...I truly reccomend it. If you love utopian/dystopian fiction, please don´t miss out on this one, and even if you don´t,  I highly recomend you give it a chance, as I suspect many people will be surprised (for the best!).

Linked books...

Don Quixote - Miguel de Cervantes 

Dr. Jekyll and Mr. Hyde - Robert Louis Stevenson

Marlene and Sofia - A Double Love Story  - Pedro Barrento (mentioned on the back cover)

Os Maias - Eça de Queirós

The Gulag Archipelago - Aleksandr Solzhenitsyn

The Morning of the Magicians - Louis Pawwels and Jacques Bergier

The Prince - Niccòlo Machiavelli

The Prince and the Singularity - A Circular Tale - Pedro Barrento (mentioned on the back cover)

Twenty Letters to a Friend - Svetlana Alliluyeva

Linked people...
Stalin

Fidel Castro
Henry Ford
Mao Zedong
Escher

Morocco
Georgia
Russia
India
Sweden
Canada
Croatia
Argentina
Norway
Greece
Kosovo
Kenya
Cuba
Singapore

Linked historical and economical events...


Global Financial Crisis
The Crusades
Cuban Revolution
Russo-Georgian War
British Documentary Movement
Linked scientific theories and other science related things...
Sparrows
Blackbird

Linked proverbs and sayings...

"When a father gives to a child, they both laugh. When a child gives to a father they both cry"
William Shakespeare

Linked looked up words...

binge - a period of excessive indulgence in an activity, especially drinking alcohol or eating.
briars - any of a number of prickly scrambling shrubs, especially a wild rose.
politburo - the principal policymaking commietee of a comunist party; the principal policymaking committee in the former Soviet Union in 1917.
wacky baccy - cannabis.