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Thursday, June 11, 2015

Auto da Barca do Inferno de Gil Vicente

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Desta vez, foi José Cardoso Pires, autor de "O Delfim",  a referir este maravilhoso clássico da literatura portuguesa. Uma obra que conhecia apenas "de ouvido" e que já me havia sido sugerida várias vezes. Muitas "dessas vezes" devem-se à Roberta, (administradora do blog "FLAMES") à qual quero desde já agradecer, pelo facto de disponibilizar muitas das obras a que tenho tido acesso nos últimos tempos. Esta edição faz parte de um manual, a colecção chama-se Ser em Português  e pertence à Areal Editores.

Linked sinopsis...
"Esta edição escolar e ilustrada de Auto da Barca do Inferno inclui inúmeras notas destinadas a esclarecer questões relativas ao vocabulário e ao enquadramento da peça no seu tempo, para além de outras observações destinadas a despertar o sentido crítico do leitor. Inclui ainda uma útil introdução, destinada a contextualizar a peça e o seu autor, bem como a fornecer ao aluno elementos que lhe permitam compreender esta obra de Gil Vicente: a temática, a encenação, as personagens, os processos de cómico, a linguagem."
fonte: WOOK
Linked opinion by others...
opinião em "Overdose"
opinião por "Open Page"

Linked opinion...
À primeira vista, a impressão que este manual nos transmite é que, a baixa qualidade da edição e o formato deixa muito a desejar. Mas assim que o abrimos e começamos a folhear essa sensação começa a esmorecer pela qualidade do seu conteúdo.  Esta é uma oportunidade perfeita para podermos utilizar a expressão: "Nunca se deve julgar um livro pela sua capa". A sua introdução está muito bem conseguida, ou seja, a contextualização entre o autor e a peça é fornecida ao leitor de forma a permitir-lhe uma maior compreensão entre a encenação, os personagens, a linguagem adquirida e sobretudo a temática. Um pormenor que eu gostei bastante foram as ilustrações, apesar da sua simplicidade possui um "traço" do qual eu sou fã e enquadra-se perfeitamente na história.

Gil Vicente é mais um autor que se estreia no nosso blog e a nível pessoal também. Este autor, como salientei anteriormente, era até à data um nome que eu tinha conhecimento mas nunca tinha tido o prazer de ler nada da sua autoria. Reconhecido como o primeiro grande dramaturgo português (que possui um estilo de escrita bastante diferente daqueles a que estou acostumado, pelo menos nesta obra), surpreendeu-me bastante. Adopta nos diálogos o vocabulário e gíria/calão próprios da época, o que me intimidava. No entanto, reparei rapidamente que iria ter a leitura bastante facilitada, isto porque em todas as páginas existe um glossário que nos retira qualquer dúvida que tenhamos (refiro-me a esta edição em particular). Este aspecto poupa-nos tempo e desnecessárias procuras num dicionário. À medida que avançamos, vamos-nos "familiarizando" cada vez mais e começamos a sentir um crescente conforto que irá desencadear um maior prazer na leitura.

Em suma, trata-se de uma sátira que retrata a sociedade do séc. XVI, onde nos são mostrados os estatutos das camadas sociais. Toda a trama se desenrola numa fase post-mortem e cada personagem tem um papel determinante que adorei. Os processos do cómico estão incluídos nos diálogos, por isso, o bom humor é uma presença constante. Pensava que iria apanhar uma "seca". No entanto, este "livrinho" foi uma verdadeira surpresa, tendo-me proporcionado bons momentos de leitura e aprendizagem. Consegui entender o porquê de ser estudado nas escolas. Aconselho-o vivamente e vou manter futuramente este autor "debaixo de olho" nas minhas incursões pelas feiras e alfarrabistas.

Linked books...
Não foram encontradas referências directas a outros livros. Contudo, por o Auto da Barca do Inferno ser a primeira parte da chamada "Trilogia das Barcas", resolvemos considerar como link a seguir, o segundo título da trilogia:
Auto da Barca do Purgatório - Gil Vicente

Linked personalities...
D. Manuel I de Portugal
Barrabás
Garcia Moniz
Linked religious figures...
S. Gregório
S. Domingos
S. Miguel 
S. Marçal
Linked animals...
Grou
 Linked church...
Igreja de São Gião
Linked flora...
Boninas
Linked plays...
Grupo de Teatro Lethes  
(parte 1/6 - disponível no Youtube)

Linked looked up words:
almários - [Popular] O mesmo que armário.
arrais -  Mestre ou patrão de barco. Guia, condutor [Figurado].
arrecear - O mesmo que recear.
asinha -  Depressa, com brevidade. Pequena asa.
atavio - adorno, enfeite, gala; aparelhos, apetrechos: atavios de guerra.
auto - peça teatral em forma poética, de origem medieval, que focaliza temas religiosos e profanos; criação essencialmente popular, apresenta uma linguagem que integra vocabulário e expressões consagradas pelo povo. 
avença -  Tipo de acordo feito entre as partes que estão envolvidas numa disputa litigiosa; aveniência. Ação de unir, de concordar, de estar em harmonia com; concórdia ou união. Ordenado, pago em dinheiro, atribuído durante um prazo previamente determinado. Falta de entendimento; brigas ou confusões.
baraço - corda fina, cordel; laço de forca; corda com que se enforcavam os condenados; pessoa prepotente, despótica [figurado].
barzoneiro -  ocioso; vadio. 
beleguim - empregado inferior de justiça que citava, prendia etc. ; agente policial ou judicial. 
bolinar - alar com bolina; enganar, embair, lograr; navegar à bolina. 
borregada - pancada
chantadas - colocadas, arrumadas.
cortiço - caixa de cortiça dentro da qual as abelhas fabricam a cera e o mel;  casa de habitação coletiva da classe pobre; casa de cômodos.
coxim - almofada grande que serve de assento; assento de ferro, colocado sobre o dormente, no qual repousa o trilho.
enlheos - enredos.
freguados - castigados, atormentados.
fumoso - que exala fumo ou vapores; cheio de fumo; jactancioso, orgulhoso, vaidoso.
giricocins - asnos.
grosa - lima grossa para desbastar madeira ou casco de cavalgaduras; faca de fio embotado para descarnar peles; maledicência, murmuração.
guarecer - curar, sarar.
marchetada - que se fez segundo os processos da marchetaria; tauxiado; matizado, policromo; obra de marchetaria.
muitieramá - em muito má hora.
mundanal - o mesmo que mundano. 
onzeneiro - que tende a armar ou fazer intrigas; que faz mexericos; mexeriqueiro; particular de onzena (juro de 11%); onzenário.s.m. Indivíduo onzenário; avarento. (Etm. onzena + eiro)
peguilho - aquilo que pega ou prende; embaraço; causa de demora; enguiço, pecado, crime.
peitas - corrompes; subornas; subornar; procurar corromper com peitas.
peleja - luta, combate, briga; desentendimento, desavença.
salvanor - o devido respeito.
samicas - maricas; indivíduo pobre de espírito; homem sem ação; porventura, quiçá, talvez.
sandeu -  definido pela sandice; que está relacionado ou foi composto por sandice; discurso tolo; dito da pessoa imbecil; pateta; que se comporta de modo simplório; que demonstra ingenuidade; tonto. 
scilicet - advérbio latino que significa "isto é"
seirão - seira grande, espécie de cesto, de esparto, cipó, ou vime, usado para transportar cargas sobre animais.
sus -  usa-se para incitar ou animar, significando Eia! Coragem! Ânimo!
tordião - baile cantado; canto, que acompanhava o bailado.
trinchão - aquele que trincha; trinchante; bom bocado, grossa fatia.

Tuesday, August 5, 2014

A Arte de Amar - Ovídio

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Foram dois os títulos que nos guiaram até esta leitura:
Passo a explicar de que forma isso aconteceu. Para ler a Odisseia,  optei por um exemplar usado, que consegui através da plataforma de troca de livros Winking Books. No exemplar que recebi, um dos anteriores donos havia assinalado diversos títulos no índice da colecção (livros de bolso Europa-América), que eu decidi aceitar enquanto ligações a outros livros. Entre os títulos que um antigo dono do exemplar de Odisseia assinalou, estava este título, A Arte de Amar de Ovídio.

Em "O Anjo Ancorado", José Cardoso Pires referiu-se a Ovídio, sem especificar qualquer título deste autor. Uma vez que tinha este livro de Ovídio na lista de livros a ler pelo Linked Books, utilizei-o,  completando assim a menção ao autor.

Antes de começar a ler este livro, a expectativa era muito elevada. O trabalho realizado até agora para este blogue revelou-me muitas surpresas, e uma delas é que adoro os clássicos gregos. Esperava pois deste livro, mais uma magnífica obra, e terminá-lo a sentir-me uma privilegiada por lhe poder ter acesso, uma sortuda por o livro ter chegado até aos nossos dias.

Este exemplar foi adquirido na Feira da Ladra em Março de 2014.

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"A arte de amar é um título que procura seduzir por sua simplicidade e inquieta por sua ingenuidade. Pode-se perguntar se é necessário, útil ou conveniente ensinar esta arte, que parece evidente, fazendo parte dessas coisas tão compartilhadas e tão comuns a todos sem que seja preciso ensiná-las. Mas Ovídio busca não ensinar o sentimento, mas a habilidade; não o amor, mas a sedução. Reconcilia os dois sexos e dá à mulher sua participação e sua iniciativa neste jogo do qual séculos de 'civilização' a excluíram.
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Que profunda desilusão este livro me provocou. Pensava ter um fantástico clássico grego entre mãos, e o título tão sugestivo "A Arte de Amar", fazia-me antecipar uma magnífica leitura. Infelizmente, o título é enganoso, pois não se trata aqui de nenhuma arte, e muito menos de amor,sendo o título mais adequado a este livro "Dicas de Engate". O próprio autor nas primeiras páginas desmistifica o título, alertando que o amor de que tratará na sua obra, será o "amor leviano".

É verdade, custa a acreditar, mas é assim mesmo. Já sabia que se tratava de um livro de "não ficção", mas não esperava de todo encontrar uma espécie de "livro de auto-ajuda" da antiguidade clássica! Não sei se assim pode ser considerado, mas os conteúdos parecem mesmo o que se encontraria num "guia de técnicas de engate"
Por exemplo, existem dois capítulos sobre como se ser bem sucedido no engate. Um capítulo "para eles", que julguei muito machista, não viesse um capítulo logo a seguir "para elas". Locais, modos de proceder, de vestir, de andar, sinais...enfim. Depois existe ainda um capítulo com dicas de beleza para as senhoras,  desde conselhos, como por exemplo não deixar que o amante a veja sem maquilhagem, até receitas de "mezinhas" de beleza. Encontramos ainda outro capítulo, sobre como manter a relação, mas com a devida atenção para não "cair" no amor verdadeiro, mais direccionado aos homens.

Ler livros de auto-ajuda é para mim algo semelhante a tortura mental, e este apanhou-me totalmente desprevenida...

Tentei "passar por cima" da temática, e aproveitar ao máximo as referências à mitologia grega. O autor faz uso no seu discurso de várias personagens e lendas mitológicas, que trazem uma cor especial e remetem para o imaginário o tema em mãos. Comecei por apreciar bastante o modo como o autor jogava com o real e o mitológico,  mas rapidamente me cansei, essencialmente porque esta técnica se tornou demasiado recorrente, e porque a certa altura começou a não fazer sentido algum. Era como se eu escrevesse um livro com dicas de fitness, ou um qualquer guia de preparação física, e para ilustrar as minhas dicas, estivesse constantemente a referir-me a acontecimentos e histórias de super-heróis. Faltou pois, na minha opinião, mais sobre o dia-a-dia daqueles tempos, e isso sim, seria algo que me interessaria ler.

Resumindo: não aconselhado. De todo. Costumo chegar ao fim dos clássicos gregos, com um sentimento de incredulidade por poder nos dias de hoje aceder a essas obras, e agradecida pela experiência, mas em relação a este, devo dizer (apesar de me sentir envergonhada por isso), que o terminei a pensar que se tivesse perdido, não se teria perdido grande coisa...

Linked opinion by other bloggers...
opinião em "Leitura Escrita"
opinião de Gabriella M. Sousa em "Oceano Literário"

Linked books...
Metamorfoses - Ovídio (Obra que foi referida na contra-capa deste exemplar, na nota biográfica do autor)

Ilíada  - Homero (Esta obra foi mencionada. Para além disso, foi também referida Ílion, que significa Tróia em latim, e o próprio autor: Homero).

Fragmentos Poéticos - Safo (foram mencionados os poemas de Safo, e escolhido este título de edição portuguesa)

Elegias - Tíbulo (foram referidas as obras de Tíbulo)

Linked people...
Augusto
(mencionado no prefácio)
Anacreonte
Calímaco
Propércio
Fálaris
Crasso
Geta
Perilo
 Linked mythological figures...
Reia
(mencionada no prefácio)
Héstia/Vesta
(mencionada no prefácio)
Deméter
(mencionada no prefácio)
Latona
(mencionada no prefácio)
Automedonte
Ceres
Caribdis
Cila, Filha de Niso
Andrómaca
Podalírio
Andrómeda
Milânion
Pasifae

Busíris
Heitor
Perseu
Dáfnis
Bíblis
Tália
Linked places... 
Palatino (Roma, Itália)
Ilha de Serifos (Grécia)
Ascra (Grécia)
Monte Pélio (Grécia)
Ménalo (Grécia)
Pérgamo (Grécia)
Metímna (Grécia)
Monte Ida (Creta, Grécia)
Lácio (Itália)
Cós (Grécia)
Tirinto
Numídia (Africa)
Ilha de Dia (Grécia)
Linked mythological ship...
navio Argo
Linked ancient civilizations...
Aqueus
Partos
Odrísios
Linked flora...
Arruda
Amarílis
Mirra
 Linked food...
Chícharo
Linked looked up words...
acroceráunio - que é alto e termina em ponta (estando por isso exposto aos raios).
alvaiade - carbonato de chumbo artificial.
plectro - [música] vara de marfim com que se tocavam as cordas da lira; [música] peqeuna peça para percutor instrumentos de corda = palheta; [figurado] poesia; dom poético.
pusilâmine - aquele que é excessivamente tímido; que não tem coragem para reagir; aquele que tem frqueza de ânimo ou cobardia.