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Sunday, December 31, 2017

Clepsydra - Camilo Pessanha

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Chego à leitura deste clássico da poesia nacional, pela mão do autor português João Aguiar. Foi João Aguiar que no seu livro "Os Comedores de Pérolas", mencionou Camilo Pessanha. O título Clepsydra foi escolhido para representar essa ligação ao autor, por ter encontrado na altura, uma edição disponível no site winkingbooks. Não me recordo se este livro acabou por vir ou não do winkingbooks , mas já estava na estante há algum tempo. Aproveitei um desafio da Maratona Literária Outono/Inverno 2017 em que estou a participar, desafio esse que consistia em ler um livro com menos de 100 páginas, para finalmente me lançar nesta leitura.

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"Os versos do primeiro poema de Clepsidra, "Inscrição" - "Eu vi a luz em um país perdido./A minha alma é lânguida e inerme./ Oh! Quem pudesse deslizar sem ruído! / No chão sumir-se. Como faz um verme…" -, dizem o essencial da biografia e da obra deste poeta nascido em Coimbra (1867) e falecido em Macau (1926), após uma existência segregada desde o nascimento e a reunião tardia num escasso volume duma obra publicada dispersamente.

A poética da pura sugestão encontra em Pessanha um cultor de exceção; tudo é apenas insinuado, nunca dito, através de atmosferas onde o mistério e o sonho se cruzam para dizer o indizível como nesse extraordinário poema de amor e morte que é "Floriram por engano as rosas bravas…" Ao serviço daquela poética coloca o poeta o decassílabo para o qual encontra desvios inovadores e expressivos que trazem à sua poesia um timbre musical único. Fernando Pessoa terá confessado que conhecia quase todos os poemas de Pessanha de cor. É natural: a modernidade não vanguardista de Pessanha está-lhe nos genes."
fonte: wook

Linked opinion...

Não sou leitora assídua de poesia e não posso também dizer que seja um dos meus géneros favoritos, mas a verdade é que aqui no blogue já tive o prazer de ter algumas surpresas, pelo que foi com entusiasmo e de espírito aberto que iniciei esta leitura.

Se bem que não se revelou uma leitura arrebatadora, este pequeno livro foi no entanto uma leitura muito agradável. A forma como o autor domina as palavras , os sentimentos que evoca,  a melodia e ritmos intrínsecos, tudo é de uma enorme beleza, reveladora da grande mestria do autor.

Esta poesia foi a mais melódica e rítmica que alguma vez li, quase mesmo como música sem o som de instrumentos, onde as notas são trocadas por palavras e é o som dessas palavras que nos embala a leitura.

Só não gostei mais desta leitura, porque senti os temas algo distantes, não me fazendo "sentir", factor que é na minha opinião a maior qualidade da poesia. É na poesia que me faz sentir, quase sofrer ou alegrar-me com o poeta, que me revolve os sentimentos e me deixa a pensar, é nessa a poesia que mais encontro gosto por este género literário.

A poesia do presente livro é uma poesia linda, ritmicamente perfeita, mas falhou por não me fazer sentir. Senti-me como uma admiradora de uma linda obra de arte, mas que me fala pouco ao coração.

Assim, e pelo que disse anteriormente, recomendo esta obra a todos os amantes de poesia, mas não gostei o suficiente para a recomendar de uma forma geral a todos os leitores deste blogue.

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Não tendo encontrado blogues com opinião sobre este livro, ficam algumas opiniões diversas que encontrei no Goodreads:

Linked books...

A Educação no Japão  - Venceslau de Morais (o autor foi mencionado na biografia de Camilo Pessanha, tendo sido este título escolhido para representar essa referência, por ser o título do autor mais barato que encontrei no site da fnac)

China - Camilo Pessanha (obra mencionada na biografia do autor)

Contos Tradicionais Portugueses para as Crianças - Ana de Castro Osório (a autora foi mencionada e este título foi o escolhido para representar essa referência, entre os títulos disponíveis da autora na fnac)

Mensagem - Fernando Pessoa (Fernando Pessoa foi mencionado na biografia do autor. Já aqui lemos "O Marinheiro", pelo que optei por escolher a "Mensagem" para representar esta referência, por já se encontrar na nossa lista de livros a serem lidos)

O Além-Mar na Literatura Portuguesa - João de Castro Osório (o autor foi mencionado, e este foi o título escolhido por ter sido o que mais encontrei disponível ao pesquisar na net)

Viagem à Holanda - Paul Verlaine (Paul Verlaine, foi citado, nomeadamente um dos seus poemas - ver embaixo o "linked poem"- pelo que resolvi escolher um título do autor para representar essa referência. Este foi o único título com edição em português que encontrei disponível.)

Linked people...

Venceslau de Morais
Ana de Castro Osório
João de Castro Osório
Óscar Lopes
Fernando Pessoa
Paul Verlaine

Linked poem...

Il Pleure dans mon couer
Paul Verlaine

Il pleure dans mon cœur
Comme il pleut sur la ville ;
Quelle est cette langueur
Qui pénètre mon cœur ?

Ô bruit doux de la pluie
Par terre et sur les toits !
Pour un cœur qui s’ennuie,
Ô le chant de la pluie !

Il pleure sans raison
Dans ce cœur qui s’écœure.
Quoi ! nulle trahison ?…
Ce deuil est sans raison.

C’est bien la pire peine
De ne savoir pourquoi
Sans amour et sans haine
Mon cœur a tant de peine !

Linked words...

a flux - abundantemente, a rodos; unanimemente.

hemoptise - expectoração de sangue; hemorragia da membrana mucosa do pulmão.


ptomaína - putrefacção cadavérica; parte apodrecida de qualquer organismo; infecção que resulta dessa putrefacção.


vesânia - nome genérico dado a doenças ou perturbações mentais.

Wednesday, December 24, 2014

A Dama Pé-de-Cabra - Alexandre Herculano

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Foi João Aguiar no seu livro "Diálogo das Compensadas" que ao mencionar a expressão "cousa mui escusada e indecente" me conduziu a este título. É a primeira vez que Alexandre Herculano surge no nosso blog.

Apesar de desconhecer este livro, tem no entanto um título bastante sugestivo, e esta pequena edição convida à leitura. Assim partimos para este texto com algum interesse, mas sem saber o que esperar.

Este exemplar foi adquirido atavés da Winking Books.

Linked synopsis...
"A Dama Pé-de-Cabra, conto que dá título ao livro, conta a história de um nobre senhor que, ao encontrar na serra uma dama, por ela se perde de amores; mas a dama não é quem parece ser e muito terá o nobre de sofrer em consequência das suas escolhas. Um conto misterioso, intrigante, marcante pelo tom com que é apresentado (quase como uma história contada em voz alta) e onde os elementos sobrenaturais são soberanos."
from: Goodreads

Linked opinion...
Como atrás referi, quando iniciei esta leitura, não fazia ideia sobre o que esperar. O início foi algo atribulado, uma vez que o texto está escrito em português antigo, repleto de palavras cujo significado desconhecia. Como podem ver em baixo na rúbrica "Linked looked up words...", foram muitos os significados que tive que consultar, o que foi uma experiência um pouco estranha de início. Contudo, após alguma habituação, comecei a apreciar esta particularidade, pois apesar de tornar a minha leitura mais lenta e cuidada, transportou-me de facto para um imaginário de tempos antigos, levando-me a "sentir" a época da lenda contada. Assim, apesar de este aspecto ter levado a que a leitura do texto não fosse fácil e simples, confere-lhe algo de especial e diferente das leituras que ultimamente tenho realizado.

Quanto à história, é bastante simples. Trata-se de uma lenda, que joga com os temas clássicos do sagrado e do profano, sem nada de muito surpreendente, pelo menos, não para os tempos habituais. Acredito que quando foi escrita, possa ter despertado em muitos o interesse pelo fantástico, e pelas lendas e mitos do nosso país, mas apesar de ter sido uma leitura interessante, não foi uma história relevante ou marcante. Julgo mesmo que não irá permanecer na minha memória durante muito tempo.

Esta história é uma lenda popular, que data do séc. XI, e que Alexandre Herculano compilou no livro "Lendas e Narrativas" no século XIX. Considero esse trabalho do autor de grande valor e importância para a memória nacional. As crenças, lendas e mitos do foclore nacional, riquíssimas nos mais variados aspectos, foram assim impedidas de cair no esquecimento.

Penso que para os leitores que apreciem este tema e os autores clássicos portugueses, poderão encontrar aqui um texto de interesse. Pessoalmente, apesar de ter gostado desta história, não foi o suficiente para a recomendar aos leitores deste blogue, de uma forma geral. Não duvido contudo que haverá muitos leitores que poderão ter uma boa experiência de leitura com este título. No entanto, se a resolverem ler, aconselho a que escolham uma outra edição, já que esta é de muito fraca qualidade, e não favorece em nada a leitura.

Nota: a leitura desta lenda é recomendada pelo Plano Nacional de Leitura (leitura autónoma - 3º ciclo)

Linked opinion by other bloggers...
Linked books...

A Abóboda - Alexandre Herculano (é inevitável esta ligação, uma vez que este título é parte integrante desta edição de "A Dama Pé de Cabra")

Lendas e Narrativas - Alexandre Herculano (uma vez que esta lenda foi por Alexandre Herculano compilada neste livro)

Linked saints and biblical figures...
São Tomé
Apóstolo Santiago
Linked places...
Toledo (Espanha)
Galiza (Espanha)
Linked kings...
Os Reis Godos
Linked prayers...
Confiteor Deo
Pater
Linked flora...
Roble
Linked animals...
Gerifalte
Onagro
Linked looked up words...
adarves - espaço estreito que corre ao longo do alto das muralhas para serviço das ameias; muralha.
adova - [antigo] instrumento de ferro para prender pelos tornozelos; [antigo] sala nas cadeias onde os presos passeavam e recebiam visitas.
agareno - descendente de Agar; muçulmano; ismaelita; árabe.
almácega - tanque que recebe a água da nora; [viticultura] casta de uva do Douro.
almenara - facho que se acendia nas torres e castelos para dar sinal ao longe; torre onde se acendia esse facho; torre de mesquita onde os fiéis são chamados à oração.
almuadem - [religião] pessoa que chama os muçulmanos à oração, geralmente da torre da mesquita.
arras - bens que o noivo assegura à noiva no caso de ela lhe sobreviver; sinal (dado em dinheiro para segurança de contrato); garantia, penhor.
ascuma - [antigo] lança arrojadiça.
avoengo - que se herdou dos avós; antepassado.
bucelário - em forma de pequena boca; [antigo] homem adjunto a uma família nobre, que o sustentava, a troca de certos serviços; parasita; soldado forte e destemido, que tinha a seu cargo a guarda de algum príncipe.
caciz - sacerdote mourisco em Moçambique; [antigo] vedor ou homem nobre em alguns estados africanos.
cérceo - sem ficar nada pegado (do que se cortou); cortado rente; cerce.
colgadura - tapete, colcha, etc., que se pendura nas paredes ou janelas, para as cobrir ou ornar.
covoada - série de covas.
cris - [antigo] eclipsado; [antigo] eclipse; punhal de origem malaia de lâmina ondulada; escuro ou pardacento = gris.
cubelo - [heráldica] figura de torre quadrada sem ameias; [antigo] torreão entre dois lanços das antigas muralhas; pequeno vaso para líquidos.
devesa - terreno coutado em que há árvores de rendimento e pastos; lugar cercado por arvoredo, souto.
egresso - que saiu, que se afastou; que deixou de fazer parte de uma comunidade; indivíduo que deixou o convento; indivíduo que sai em liberdade depois de cumprir uma pena de prisão; acto ou efeito de sair ou de se afastar.
escorchar - despojar da corcha; esfolar; crestar (colmeias); [figurado] deixar vazio ou nu (roubando ou despojando); maltratar, molestar; arranhar, ferir; estropiar; [Portugal: Trás-os-Montes] tirar a cabeça à sardinha.
esculca - [antigo] sentinela nocturna ou ronda; guarda avançada nos exércitos antigos.
estamenha - tecido grosseiro de lã.
fossado - aberto como fosso; revolvido ou remexido; fosso; [antigo] correria em território inimigo.
fragueiro - que anda pelas fragas arrancando pedra; que trabalha ou anda mourejando pelas serras; que leva vida rude e cansada; [figurado] rude, agreste; independente, infatigável, fogoso; fragoso; aquele que vive trabalhosamente por serras e fragas; relativo a frágua; em que há calor intenso; [regionalismo] pau de vassoura do forno.
gardingo - nobre visigodo que exercia certos cargos na monarquia.
gasalhado - [antigo] roupas de cama, roupas; agasalho, trato; carinho; camarote, beliche.
infanção - antigo título de nobreza inferior ao de rico-homem.
Mafamede - designação de Maomé.
Mafoma - Maomé.
moimento - monumento fúnebre; [por extensão] monumento em honra de alguém; acto de moer; cansaço, prostração.
monteira - barrete de montanhês; [termo venatório] caçadora de monte.
monteiro - guarda de montados, matas, coutadas; [termo venatório] caçador de monte; de monteiro ou da montaria.
nebri - [termo venatório] diz-se do, ou o falcão adestrado para a caça; caparoeiro.
onzeneiro - que ou quem empresta dinheiro a juros altos; que ou quem fabrica intrigas.
precito - [religião] que ou quem está antecipadamente condenado; que ou quem foi sujeito a condenação ou maldição = condenado, maldito, réprobo.
preia - presa.
reixa - tábua pequena; barra de ferro; grade de janela, porta ou varanda; [popular] rixa, raiva.
retouçar - brincar ou andar na retouça ou baloiço; [por extensão] movimentar-se, brincando; [Portugal: Beira, Trás-os-Montes] comer, pastando (falando-se de animais).
saltério - [música] antigo instrumento musical de cordas; [música] instrumento triangular moderno com 13 ordens de cordas; [zoologia] terceira cavidade do estômago dos ruminantes.
santoral - hagiológio; hinário dos santos.
sémel - [antigo] geração, descendência.
tiple - [música] a voz mais alta na consonância musical = soprano; [música] pessoa que tem essa voz; [música] instrumento musical cordofone.
veniaga - mercadoria; tráfico; comércio; [figurado] tranquibérnia, traficância; o mesmo que sinecura.
vílico -  [antigo] espécie de regedor de pequena localidade que arrecadava impostos gerais e administrava justiça; feitor, caseiro.

Saturday, July 13, 2013

Os Filhos de Wang Lung - Pearl S. Buck

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Viemos aqui parar através da menção de João Aguiar, no seu livro "Os Comedores de Pérolas". O nome deste autor é-me familiar, mas não me recordo de alguma vez o ter lido.
Nas minhas buscas virtuais sobre este título, descobri que faz parte de uma trilogia. Por infelicidade, este é o 2º volume, o que me fez pensar que talvez não fosse o melhor sítio para começar.

Acabei por descobrir este exemplar, que andava a estragar-se em casa da minha sogra, de onde foi resgatado.

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Este livro é excelente. Uma história muito interessante, escrita de forma simples. Uma escrita limpa e fluida que muito me agradou.

O facto de a história decorrer na China rural, proporcionou-me um "contacto", uma proximidade encantadora, com os costumes do povo chinês daquela época. Fiquei maravilhada com o que "conheci" através deste livro, e sendo a minha ignorância neste tema quase total, foi aí que o livro mais me marcou.

A história é sólida e interessante. É também estranhamente inesperada. Utilizo a palavra estranhamente, porque o que me aconteceu foi pensar que sabia o que vinha a seguir, e ver-me sempre negada a confirmação dessa expectativa, que parecia tão provável e por vezes até o único desenlace possível...Grande imaginação do autor. Excelente.

Não senti qualquer estranheza em relação à história, ou falta de informação pelo facto de este ser o 2º volume da trilogia, e não ter lido ainda nenhum dos outros dois. Pode até ser que venha a senti-lo no futuro ao ler as outras histórias, mas para já diria que apesar de se completarem, cada um dos volumes tem uma história auto-suficiente, bem delimitada e independente.

Muito bom este livro. Recomendado.

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Sem dúvida com ligação a este título, e mencionados pela editora estão os outros dois livros desta trilogia:
Terra Bendita - Pearl S. Buck
A Casa Dividida  - Pearl S. Buck

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Zimbro
Peónias
Canafístula
Sorgo
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Cabaia
Linked looked up words...
jerarquia - o mesmo que hierarquia.
gorja - garganta, pescoço. 
momo - momice; representação mímica; farsa satírica. [figurado]; escárnio.
concitava - instigar (para o que é mau); excitar, provocar.
geomancia - adivinhação por meio de figuras traçadas no solo.
escamotear - fazer desaparecer de modo que não se perceba; roubar com subtileza. = EMPALMAR; esconder ou encobrir algo.
algibebe - o que negoceia em fatos feitos.
hausto - acto de haurir.[linguagem poética]; acção de aspirar. = ASPIRAÇÃO, SORVO; porção que se bebe de uma só vez. = GOLE, TRAGO
adelo -
pessoa que compra roupas e coisas usadas para revender. = ADELEIRO, FERRO-VELHO
poltrão - cobarde, medroso, pusilâmine; homem timorato.
festão -  cordão de folhagem com ou sem flores entremeadas; grinalda; ornato ou bordado de flores dispostas com arte.
vilegiatura - temporada que se passa fora da terra, a banhos, no campo ou viajando, para descansar dos trabalhos habituais.
arenga - discurso enfadonho; exposição fastidiosa; alocução.
flanar - passear sem destino e sem pressa por mera distracção = flainar

Monday, November 5, 2012

A Casa Sem Chaves - Earl Derr Biggers

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No seu livro "Os Comedores de Pérolas", João Aguiar mencionou o personagem Charlie Chan, personagem criado por Earl Derr Biggers. É neste livro, "A Casa sem Chaves" que o personagem de Biggers, faz a sua primeira aparição, e é desta forma que este livro acaba por figurar neste blogue.

Foi na Winking Books que encontrei este exemplar bastante usado. Trará duas novidades a este blogue: será o primeiro livro policial e será o primeiro da "Colecção Vampiro". 

Os livros policiais trazem-me boas recordações da minha pré adolescência e adolescência, altura em que a minha "fase policial" atingiu o pico, e durante a qual consumi avidamente todos os livros de Agatha Christie e de Sir Arthur Conan Doyle a que tive acesso.

Já da "Colecção Vampiro" não guardo grandes recordações. No início da minha vida profissional, comecei por trabalhar em turnos de 24 horas, aos quais se seguiam 3 dias de folga. No entanto, o primeiro dia de folga era praticamente todo gasto a tentar chegar a casa. Passo a explicar. Eu saía do trabalho em Lisboa pelas 09:00 am, e o comboio para o Alentejo partia antes disso...O comboio seguinte era só perto das 16:00 pm, pelo que passava quase um dia na estação do Barreiro a combater o sono e à espera do comboio. Havia um intermédio, mas era o "Intercidades", e ficava muito caro para mim. E que tem isto a ver com a colecção Vampiro? Nas minhas deambulações sonolentas pela estação, encontrei um quiosque que vendia estes livrinhos muito baratos. Não os conhecia na altura, e resolvi comprar um. Descobri que eram um excelente entretenimento para aquelas horas de espera, por diversas razões. Primeiro porque o livro era barato e o podia comprar, depois porque as histórias eram interessantes o suficiente para me manter acordada, e por ultimo porque os erros ortográficos, tipográficos e a falta de qualidade geral, me irritavam tanto, que serviam também como antídoto do sono e do cansaço. A sua leitura durava também normalmente o meu tempo de espera.

Li assim, vários destes livros nessa altura, e não me lembro de uma única história que tenha lido. Era isso também que esperava deste livro, uma história interessante mas facilmente olvidável, numa edição que deixa muito a desejar em termos de qualidade.

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O que eu esperava desta leitura veio a concretizar-se. É uma pena de facto ter sido publicada nestas edições, pois acho sinceramente que prejudicam a obra. Apesar de a idade (e talvez a experiência recente com o novo acordo ortográfico), fazer com que já não me irrite (tanto) com as incorrecções ortográficas, tipográficas e a falta de qualidade geral, julgo que a publicação dos textos desta forma, constitui uma falta de consideração pelos autores e pelos leitores. Como se costuma dizer..."o barato sai caro". Tentarei a todo custo "fugir" à Colecção Vampiro em futuras leituras, e só voltar a recorrer às mesmas caso não consiga ter acesso a uma edição alternativa. Julgava até que teriam desaparecido do circuito comercial, mas reparei que ainda se vendem livros destes "novos" na Wook.

Em relação à história do livro, é uma história simples e pouco interessante. Tem todos os componentes de um livro policial da época de ouro desta literatura, mas achei a história pouco credível, e "básica" no que respeita à descoberta de quem é o assassino (ponto central na literatura policial). É também demasiado remota no tempo (data de 1925), o que neste género literário faz uma grande diferença, a não ser que estejamos perante um caso de mestria do género. Tudo isto fez com que a história não me tenha cativado, e lido na nossa época,  é apenas um policial muito fraquinho, que se esquece rapidamente. O que fica apenas é a recordação penosa da desigualdade entre géneros que "se vivia nessa época".

No entanto este livro obteve grande sucesso na época em que foi lançado, bem como todos os que lhe seguiram ( o autor publicou seis livros com o personagem Charlie Chan) . Para além do sucesso dos livros, o personagem Charlie Chan tornou-se um fenómeno cinematográfico, e  foram feitos mais de cinquenta filmes baseados neste personagem. O primneiro filme foi baseado neste livro e data de 1926, e o ultimo filme com o Charlie Chan data de 1981.

Relembro que foi a menção a este personagem que me remeteu para esta leitura. Fazia assim grandes expectativas sobre o mesmo, e também neste ponto fiquei desiludida. Não senti qualquer empatia ou simpatia por este personagem. Se tivesse apenas lido este livro, sem saber que o personagem Charlie Chan se tornou uma figura central nos livros de Earl Derr Biggers e um fenómeno cinematográfico, seria um dos primeiros personagens a ser esquecido. Não me marcou em nada mesmo, e para mim figurou apenas um personagem secundário,  apenas um pouco mais "colorido" no contexto da investigação, por ser oriental (chinês) e distar culturalmente dos restantes. Fora esse aspecto, não memorável.

Coloco a hipótese de que talvez o personagem tenha sido "construído" pelo autor durante a série, e que tenha adquirido maior relevância nas aventuras que se seguiram . Tenho conhecimento de que foi baseado num personagem real, e que este livro foi inovador por ter colocado um personagem chinês como herói e não como vilão (que era a abordagem mais popular na altura). Para além disso, foi também importante porque "apresentou" o Hawai aos cidadãos dos EUA, a maioria dos quais desconhecia até que o Hawai fazia parte dos Estados Unidos.

Posso até aconselhar esta leitura, devido à importância que teve na literatura policial, mas apenas aos verdadeiros aficionados deste género. O que aconselho vivamente a todos é a evitarem a "Colecção Vampiro". 



Linked books...


Investigação Perigosa - Frank Gruber (publicidade de contracapa/próximo volume) 

Enigma do Quarto Fechado - Frank Gruber (surge mencionado no fim do livro, na apresentação do próximo volume Invetigação Perigosa de Frank Gruber)

As Aventuras de Robinson Crusoe - Daniel Defoe (foi mencionado o personagem Robinson Crusoe) 

O Papagaio Chinês - Earl Derr Biggers (incluido por se tratar do 2º livro da série Charlie Chan) 

Revolutionary New England - James Truslow Adams

Mark Twain´s Letters From Hawaii - Mark Twain (foi mencionado o que Mark Twain disse sobre o Havai) 

As Aventuras de Sherlock Holmes - Arthur Conan Doyle (foi mencionado o personagem Sherlock Holmes) 

O Flautista de Hamelin - Robert Browning (foi mencionado este autor, e esta foi a obra escolhida, por ser a única disponível na Winking Books) 



Linked poem...


Foi mencionado o que Rudyard Kipling disse sobre o Oriente e o Ocidente (segundo este autor os dois não se podem misturar...): "East is East and West is West, and never the twain shall meet..." do seu poema "The Ballad Of East and West". 


Linked places...



Judiciary Building - (Honolulu, Hawaii, EUA)
Beacon Street (Boston, Massachusetts, EUA) - foto de 1890
Boston Symphony Hall (Massachusetts, EUA) foto de 1920
Waikiki e Diamond Head (Hawaii, EUA) anos 20
Monumento Bunker Hill (Boston, Massachusetts, EUA) - por volta de 1900



Linked flowers and trees...


Alamanda (autor da foto: José Jaime Rocha Siqueira)
Bougainvillea
Ohia
Hau


Linked music...


Thursday, October 18, 2012

O Mandarim - Eça de Queirós

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Foi no livro "Os Comedores de Pérolas" de João Aguiar que este título de Eça de Queirós foi mencionado. Apesar de conhecer alguns livros deste autor, este em particular era-me totalmente desconhecido. Fiquei muito curiosa uma vez que uma pesquisa breve revelou que esta havia sido uma obra algo controversa e contestada deste autor. Assim, pouco tempo depois de ter obtido um exemplar (através da Winking Books), não resisti a iniciar a sua leitura.

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Ao iniciar a leitura deste livro, sabia apenas duas coisas: em primeiro lugar, que nunca tinha ouvido falar deste título, e em segundo, que  Eça de Queirós aqui se havia afastado do realismo que lhe era habitual (e tendencial da época). Estes dois factos, ao invés de me afastarem da leitura, espicaçaram ainda mais o meu interesse.

Foi com grande surpresa minha que constatei, que no final da pág. 12, tinha adquirido a certeza absoluta de que esta história me era familiar. Já não tinha qualquer dúvida em relação a isso, mas de onde?... perguntava-me eu. Fechei o livro, e pus-me a pensar. Um filme! é isso.., e lembrei-me. Partilho aqui o trailer desse filme, que se intitula "The Box".

Lembro-me de ao acabar de ver esse filme, ter pensado que a ideia central da história era excelente e que tinha inúmeras possibilidades de desenvolvimento. Essa ideia central é a caixa, e o dilema que envolve o carregar ou não no seu botão. Pensei também em como já é raro surgirem ideias diferentes nestes filmes de Hollywood, e que pelo menos teria de ser atribuido algum crédito ao filme por esse facto. Isto porque o filme é francamente mau, tendo "aparvalhado" (como costumamos dizer cá por casa), pouco tempo depois da ideia central ter sido apresentada. Independentemente disso, ficou-me este pensamento: algum mérito tem que ser atribuído ao escritor pela sua ideia inicial.

Agora reparem no que "descubro" agora: aparentemente o escritor a quem deve ser dado esse mérito é nada mais nada menos que Eça de Queirós ?!. Interrogei-me sobre como teria sido possível o escritor e guionista Richard Matthewson ter escrito a sua short story "Button, Button", sem haver qualquer menção a Eça de Queirós.  A história de Matthewson, antes ainda de ter sido utilizada como base do guião deste filme (The Box), havia servido primeiramente para um episódio do "Twilight Zone" (que aproveito para dizer que foi uma das minhas séries favoritas de sempre). Julguei então saber nesta altura de quem tinha sido a ideia, mas enganei-me. Anterior ainda a Eça, François-René de Chateaubriand, um autor francês, publicou em 1802 a obra "Le Génie du Christianisme", onde (segundo a Wikipedia), o autor pergunta ao leitor o que faria se pudesse ficar rico assassinando um mandarim da China, apenas com o poder da mente. Assim sendo, é mais semelhante a história de Eça com Chateaubriand, do que Mattewson com Eça, e afinal o mérito da ideia central é de François-René de Chateaubriand, escritor considerado o fundador do romantismo na literatura francesa.

A resumir grande parte da informação que obtive de forma fragmentada, encontrei (aqui) as seguintes afirmações :
  
"O registo genérico é o da farsa moralizante, e o ponto de partida é um problema moral que era conhecido, no século passado, como o “paradoxo do mandarim”. Formulado em 1802 por Chateaubriand, consistia numa pergunta: se você pudesse, com um simples desejo, matar um homem na China e herdar sua fortuna na Europa, com a convicção sobrenatural que nunca ninguém descobriria, você formularia esse desejo?"
 
Depois de saber tudo tudo isto, confesso que fiquei um pouco decepcionada, com o facto de a ideia central do livro não ser da autoria de Eça de Queirós, e de ter apenas desenvolvido a história a partir do "paradoxo do mandarim".  Por outro lado, este "apenas" tem muito que se lhe diga, pois apenas um autor notável o poderia ter feito desta forma. Devo dizer também, que apesar de esta obra ter sido muito criticada na altura, e de ter sido considerada uma obra menor de Eça de Queirós, eu pessoalmente não a consigo ver dessa forma. Um grande escritor, não deixa de ser "grande" porque envereda pelo fantástico em detrimento do naturalismo. Antes pelo contrário. Esta sua capacidade de se afastar da estética realista, a meu ver, é só mais uma prova da sua grandeza.
Linked brands...

Vinhos Médoc
Porcelana de Dresden
Vinhos Romanée-Conti
Linked places...

Templo do Céu (Pequim, República Popular da China)
Travessa da Conceição (Lisboa, Portugal)
imagem do blogue: mariomarzagaoalfacinha.blogspot.pt


Palácio Valada - Azambuja (Lisboa, Portugal)
imagem do blogue: lisboasos.blogspot.pt



Rua Nova do Almada (Lisboa, Portugal)
imagem do blogue: aps-ruasdelisboacomhistria.blogspot.pt


Linked musical instruments...

Viola Francesa

Linked songs...

L’Oiseau

(Paul et Virginie)

1er couplet

L’Oiseau s’envole
Là bas là bas
L’Oiseau s’envole
Et ne revient pas
Ah pauvre fille
Reste à ta maison
Crois à ma chanson
L’Oiseau s’envole
Et ne revient pas

2ème couplet

Oiseau fidèle
Reste en ton doux nid
Oiseau fidèle
Que Dieu bénit
Ferme ton aile
Tu dormiras bien mieux
Que sous d’autres Cieux
Oiseau fidèle
Reste en ton doux nid

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Bonnie Dundee

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A canção de Mignon 

 (Johann Wolfgang von Goethe)
Conheces tu a terra, onde os limoeiros florescem,
Onde no meio da escura folhagem as laranjas douradas brilham,
Do céu azul uma brisa suave sopra,
Onde silencioso o mirto e alto o loureiro ficam?
Conhece-la bem?
Aí! Aí
Eu gostaria de ir contigo, minha amada.

Conheces tu a casa? Sobre colunas assenta o seu telhado.
Brilha o salão, brilha o aposento,
Erguem-se figuras de mármore e olham para mim:
O que te fizeram, pobre criança?
Conhece-la bem?
Ai, aí
Eu gostaria de ir contigo, meu protector.

Conheces tu a montanha e o seu caminho perdido nas nuvens?
O mar procura na bruma o seu caminho;
Nas cavernas reside a velha geração dos dragões;
As rochas precipitam-se e sobre elas a corrente!
Conhece-la bem?
Aí! Aí
Fica o nosso caminho! Ó pai deixa-nos ir!



Linked books...

Viagens na Minha Terra - Almeida Garrett (menção a Joaninha do Vale de Santarém)
Jerusalém Libertada - Torquato Tasso (menção aos jardins de Armida) 
Ifigénia na Táurida - Johann Wolfgang Goethe (foi mencionado Goethe no contexto do romantismo italiano: "A Itália será o eterno amor da humanidade sensível". Escolhi esta obra de Goethe para representar esta referência, pois foi escrita durante a sua viagem a Itália).
A Dama das Camélias - Alexandre Dumas (filho)  - foi mencionado este autor, e escolhida esta obra, a sua mais conhecida.
Mademoiselle de Maupin - Theóphile Gautier
A Taberna (L'assommoir) - Émile Zola
Odisseia - Homero (foram mencionadas as sereias de Homero)
Fausto - Johann Wolfgang Goethe (Mefistófeles foi mencionado...)

Estas obras estão relacionadas com o Mandarim de Eça de Queirós, tal como foi acima exposto na "Linked Opinion":

Le Génie du Christianisme - François-René de Chateaubriand
Button, Button - Richard Matthewson


Linked words...
infólio -  diz-se de um livro ou de um formato em que cada folha de impressão é apenas dobrada em duas.
nababo -   [figurado]  homem rico que vive com grande luxo e fausto. 
casabeque - casaco leve e curto de senhora. = CASAVEQUE, CASIBEQUE


Jaspe
Coolies
Linked people...


Lao Tsé
Sarah Bernhardt
Heliogábalo
Tibério
Aspásia
Linked operas...

Le Roy de Lahore - Jules Massenet

 Madame Favart  - Jacques Offenbach

Linked poem...

Babel e Sião
(Luis Vaz de Camões)

Sôbolos rios que vão 
Por Babilônia, me achei,
 
Onde sentado chorei
 
As lembranças de Sião
 
E quanto nela passei.