Friday, November 23, 2018

A Vida Era Assim Em Middlemarch - George Eliot

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Esta é a segunda vez que um livro da autora George Eliot surge aqui no Linked Books. O seu primeiro a surgir no  âmbito deste projecto, foi "O Moinho à Beira do Rio"

Volta agora com este novo título pela mão de três livros anteriormente lidos:
O exemplar que li é igual ao da foto, infelizmente em bastante pior estado do que este. Foi comprado na Feira da Ladra em 2014.

Como já tinha lido esta autora e me tinha agradado foi com prazer que aceitei esta ligação e iniciei esta leitura.


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"Middlemarch" (1871-72) é o mais importante romance saído do período vitoriano. Nele, George Eliot aborda todos os temas fulcrais da vida moderna: arte, religião, ciência, política, carácter, sociedade e relações humanas. Entre as suas personagens estão algumas das mais notáveis da literatura inglesa: Dorothea Brooke (a heroína), Rosamond Vincy (bela e egoísta), Edward Casaubon (o estudioso), Tertius Lydgate (um médico brilhante de duvidosa moralidade), Will Ladislaw (o artista) e Fred Vincy e Mary Garth (namorados de infância).

«"Middlemarch" é a sua [de George Eliot] mais subtil análise da imaginação moral, possivelmente a mais subtil que alguma vez foi conseguida na prosa de ficção.» «George Eliot, tal como Emily Dickinson ou Blake, e tal como Shakespeare, repensou tudo para si mesma de uma ponta a outra. Ela é o romancista como pensador (não como filósofo), e frequentemente deturpamo-la porque menosprezamos a força cognitiva que ela traz às suas perspectivas.» «O romance canónico, no verão da sua existência, pode ter atingido o seu Sublime em Middlemarch, cujo efeito sobre os leitores se mantém “incalculavelmente difusivo”.» Harold Bloom (less)

fonte: goodreads


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O título deste livro reflecte fielmente o que nele se vai encontrar: um relato sobre a vida em Middlemarch (Middlemarch: A Study of Provincial Life é o seu título original).

Trata-se de um relato da vida na província (Inglaterra rural do século XIX) que conta as histórias de vários personagens. O ritmo do livro é lento, compassado, que ajuda a sermos transportados para esse cenário bucólico de época, em que tudo tem o seu tempo para acontecer.

São muitos os personagens desta história, bem construídos e interessantes. Um enredo também ele bastante bom, que permitiu a George Eliot traçar um retrato fiel da sociedade da época georgiana (periodo que antecedeu a época victoriana), "chamando a atenção" para vários temas. O papel da mulher, o seu estatuto e o casamento são alguns dos temas principais, mas surgem outros como a religião ( hipocrisia religiosa), a economia, a política, a educação, as diferenças de classes, etc.

Dito isto, a época não me interessa particularmente e este género de histórias também não. As duas histórias principais deste longo enredo (existem várias outras paralelas), giram à volta de duas personagens principais (Dorothea e Lydgate) e apesar de serem boas histórias e bons personagens, não me entusiasmaram. 

Achei também o livro demasiado longo para aquilo que no final acabei por reter dele. Foi sem dúvida uma leitura agradável, mas tépida. E quando um livro não nos transmite emoção...enfim, fica a faltar quase tudo.

Em comparação com o livro "O Moinho à Beira do Rio" da mesma autora, achei este inferior. Assim, apesar de não vos dizer para se afastarem de Middlemarch porque é sem dúvida uma boa leitura e um bom livro, a aconselhar um livro de George Eliot, aconselharia antes esse.

nota: uma recente leitura (Jane Eyre de Charlotte Brontë) faz-me doravante desaconselhar as edições "Romano Torres". São edições das quais gostava bastante, mas tendo comparado a versão original do inglês de Jane Eyre e a edição da Romano Torres, fiquei bastante desiludida e até um pouco incrédula com as "liberdades" de tradução que encontrei. Pessoalmente, irei evitar estas edições. Estou até desconfiada que esta minha leitura de Middlemarch poderá ter sido "contaminada" pela edição que escolhi para ler.


Deixo aqui um video que publiquei no canal, onde falo um pouco sobre a minha experiência com Middlemarch...



Uma boa leitura, agradável e interessante mas que não me entusiasmou.
Não é bem o meu género de leitura. Não o desaconselho, mas também a minha experiência não foi suficientemente positiva para o poder aconselhar.


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nota: A lista das referências encontradas não está completa. Algumas obras referidas no texto não foram consideradas por impossibilidade de acesso às edições e outros motivos que inviabilizam ou condicionam fortemente a leitura das mesmas. Em baixo apresento a lista das obras cuja leitura é de facto exequível. No entanto e caso tenham interesse, poderão encontrar aqui uma lista completa de todas as menções desta obra.

A Donzela do Nevoeiro - Walter Scott

A Eneida  - Virgílio 

A Expedição de Humphry Clinker - Tobias Smollet

A Rainha das Fadas - Edmund Spenser 

A Tempestade - William Shakespeare 

As Aventuras de Roderick Random - Tobias Smollet

As Viagens de Gulliver - Jonathan Swift

Cançoes de Inocência e Experiência - William Blake 

Childe Harold´s Pilgrimage - Lord Byron (Byron foi mencionado e este foi o título escolhido para representar essa menção por já se encontrar na nossa lista de livros a serem lidos)

Dom Quixote de La Mancha - Miguel de Cervantes 

Every man in His Humour - Ben Jonson 

Fausto  - Goethe 

Hamlet - William Shakespeare

Henrique IV - William Shakespeare 

Henrique V - William Shakespeare 

Henrique VIII - William Shakespeare 

Ivanhoe - Walter Scott

Medida por Medida - William Shakespeare 

Noite dos Reis - William Shakespeare

O Diamante da Lua - Wilkie Collins (publicidade de contracapa)

O Homem que Ri - Vitor Hugo

O Judeu de Malta - Christopher Marlowe (Marlowe foi mencionado e este foi o título escolhido para representar essa referencia por já se encontrar na nossa lista de livros a serem lidos)

O Pirata - Walter Scott 

O Purgatório - Dante Alighieri (esta obra foi citada: "L'altro vedete c'ha fatto a laguancia de la sua palma, sospirando, letto".)

O Vigário de Wakefield - Oliver Goldsmith 

Os Contos da Catuária - Geoffrey Chaucer 

Our Town - Thornton Wilder (obra mencionada no prefácio desta edição)

Paraíso Perdido - John Milton 

Rasselas - Samuel Johnson

Romeu e Julieta  - William Shakespeare

Rómula  - George Eliot (mencionado no prefácio desta edição)

The Maid´s Tragedy - Francis Beaumont e John Fletcher 

The Pilgrim´s Progress - John Bunyan 

Troilus and Cressida - William Shakespeare 

Vida Nova - Dante Alighieri 

Waverly - Walter Scott 

Zadig - Voltaire (o autor foi mencionado e este foi o título escolhido porque  já se encontrava na nossa lista)


Linked quotes...


"Mulher eu sou, e, portanto, não posso fazer o bem, mas tendo incessantemente para o que dele se aproxima"

Beaumont e Fletcher, «The Maid´s Tragedy»

***

"«Olha: não vês aquele cavaleiro que avança para nós num cavalo ruço malhado, que trás na cabeça um elmo de ouro?». «O que eu vejo, respondeu Sancho, não passa de um homem a cavalo num burro pardo como o meu, que trás à cabeça uma coisa brilhante». «Pois é o elmo de Mamboino», disse D. Quixote."
Cervantes

***

"«Dize-me, deusa, que sucede quando o amável arcanjo Rafael...». Eva, atenta, escutou-o, e ouviu coisas tão elevadas, tão estranhas, que se maravilhou profundamente e se extasiou, cheia de admiração"
Milton, «Paraíso Perdido»

***


"Aqueles que estudam com perssistência são geralmente atormentados pela gota, pelo catarro, pelas constipações, pela caquexia, pela dispepsia, por perturbações na vista, por cálculos e cólicas, por tumores nervosos, pela vertigem, pela flatulência, por doenças pulmonares e todos os males que atacam as pessoas que vivem muito tempo sentadas; na sua maior parte, magros e ressequidos, têm a tez sarrabulhenta...tudo isto não é devido senão às fadigas imoderadas e aos seus estudos arrasadores. Se duvidam, observem a obra do grande Tostatus ou a de S. Tomás de Aquino e digam-me se estes homens não realizam esforços tremendos".

Burton, «Anatomy of Melancholy»


***


"Ele teria apanhado uma constipação se não tivesse trazido outro vestuário senão a pele de um urso que ainda trotava"

 Thomas Fuller, «The History of The Worthies of England»

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"A comédia escolheria tais personagens e emprestar-lhes-ia aqueles gestos e aquelas palavras, se pretendesse ridicularizar as loucuras do seu tempo, em vez de lhes denunciar os crimes"

Ben Jonson

***


"Havia mais filhos no seu berço do que suporia Gervais"

Geoffrey Chaucer, Conto do Moleiro em "Contos da Cantuária"

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"Com a sua facundia simples de pobre mulher, parecia assisada sem recorrer a termos alambicados"

Geoffrey Chaucer, The Doctoures Tales


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"Conversámos por muito tempo; ela era simples e bondosa ignorando o mal, fazia o bem; de riquezas do coração me deu esmola; e ao escutar como o coração se dá, sem ousar pensar nisso, dei-lhe o meu; levou-me a vida, e eu nunca o soube"

Alfred de Musset, Une Bonne Fortune

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"Jovens e velhos, cantam, à compita, que eu devo ser censurado. Os ferimentos que eles infligirem ao nome que uso recaiam sobre eles"

The Not-browne Mayde


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"E saudemos agora as nossas almas que despertam e se contemplam mutuamente sem receio, porque o olhar amante suscita o amor, e de um cubículo faz um universo"

Dr. Donne


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"Na aflição todos invocam a graça, a piedade, a paz e o amor. Atendidos, exprimem a sua gratidão a essas deliciosas virtudes. Porque a graça tem um coração humano, a piedade um rosto humano, o amor diviniza a forma humana; e a paz veste-se como um ser humano"

William Blake, Songs of Innocence


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"O sentimento da falsidade dos prazeres presentes e a ignorância da inutilidade dos prazeres ausentes, causam a inconstância"

Pascal

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"Que veste de graça envergará a virtude, se o vício está tão bem vestido e procede tão bem? Se o mal, a duplicidade e a indiscrição desempenham um papel honesto com fins recomendáveis?"

Musophilus, Samuel Daniel


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"A aflição do ofensor conforta muito pouco aquele que suporta a cruz de uma afronta"

Soneto 34, William Shakespeare

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"Ele bate-me e eu insulto-o; doce prazer. Seria tão diferente se eu pudesse bater-lhe enquanto eu o insultasse"

Troilus and Cressida, William Shakespeare

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"Compreendo que o génio de outrém já não me dê prazer. Os meus míseros paradoxos inquinavam essa gente de consolação"

The Traveler, Oliver Goldsmith

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"Engolirão os nossos conselhos como um gato lambe o leite"

The Tempest, William Shakespeare

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"Quem quer descansar fora de propósito, cansa."

Pascal

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"Fechem-lhe os olhos, corram as cortinas, e meditemos todos"

Henrique VI, William Shakespeare

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"Não poderei prosperar à força de insolência?"

Noite de Reis, William Shakespeare

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"Quanto eu desprezaria aquele homem, se a caridade não mo proibisse"

Noite de Reis, William Shakespeare



Linked proverbs and sayings...


"Piacer e popone. Vuol la sua stagione" (provérbio italiano)


Linked places...


Northumberland
condado situado no norte de Inglaterra



Linked people...



Robert Peel
houve uma referência ao "senhor Peel e o problema católico"
Humphry Davy
referência à "química agrícola de Davy"
William Wilberforce
24 de agosto de 1759 — 29 de julho de 1833
político britânico, filantropo e líder do movimento abolicionista do tráfico negreiro
Jacques-Bénigne Bossuet
Dijon, 27 de setembro de 1627 — Paris, 12 de abril de 1704
bispo e teólogo francês, um dos principais teóricos do absolutismo por direito divino
Edward Jenner
1749-1823 naturalista e médico britâncio
Sir William Herschel
1738-1822 astrónomo
Bichat
1771-1802 anatomista e fisiologista francês
Robert Brown
1773-1858 botânico e físico escocês



Linked poetry...


    To Celia

      NOT, Celia, that I juster am
      Or better than the rest;
      For I would change each hour, like them,
      Were not my heart at rest.
      But I am tied to very thee,
      By every thought I have;
      Thy face I only care to see,
      Thy heart I only crave.
      All that in woman is adored
      In thy dear self I find,
      For the whole sex can but afford
      The handsome and the kind.  --> passagem citada em Middlemarch
      Why then should I seek farther store,
      And still make love anew?
      When change itself can give no more,
      'Tis easy to be true.

                                  Sir Charles Sedley

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