Tuesday, November 14, 2017

Os Maias - Eça de Queiróz

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Surgiram referências a este clássico de Eça de Queiróz em  vários dos livros que lemos até agora, e estamos seguros de que será mais vezes mencionado no futuro.

Até ao momento, são estes os livros que conduziram a esta leitura de "Os Maias":
Já há muito tempo que este blogue tem estado parado e devo à Maratona Literária Outono/Inverno o regresso às leituras. Esta maratona, organizada pelos blogues "Flames" e "Agora que Sou Crítica" é composta por diversos desafios. Um deles era "ler um livro que faça lembrar a escola" e eu tendo "Os Maias" na estante, leitura obrigatória a que me "esquivei" durante os meus tempos de estudante, não hesitei em escolhê-lo para cumprir esse desafio. 

Acontece que quando estava no secundário, esta leitura fazia parte do programa de português, mas eu apesar de ter sempre sido uma ávida leitora de vários géneros literários, não a cumpri. Isto porque a leitura obrigatória anterior (Viagens na Minha Terra de Almeida Garret) tinha deixado lembranças amargas, pois nunca o tinha conseguido terminar apesar de ter insistido muitas vezes. Pensando que seria uma leitura similar e vendo o tamanho destes Maias, pus logo de parte a ideia de os ler. Fiz batota lendo apenas um resumo, mas ainda durante o tempo de escola me arrependi, pois a discussão nas aulas sobre o livro despertou a minha curiosidade. 

Tive agora então a oportunidade de colmatar essa minha falha, a qual nunca esqueci. Apesa de Eça de Queiróz, nas minhas leituras anteriores para este blogue me ter levantado algumas questões que não vale a pena voltar a referir, tentei iniciar esta leitura sem reservas e com algum entusiasmo.

Não me recordo já onde adquiri estes dois volumes, mas é uma edição maravilhosa de 1944. o que decerto só melhorará a minha experiência de leitura.

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"A obra-prima de Eça de Queirós, Os Maias, publicada em 1888, é uma das mais importantes de toda a literatura narrativa portuguesa. Vale principalmente pela linguagem em que está escrita e pela fina ironia com que o autor define os caracteres e apresenta as situações. É um romance realista (e naturalista) onde não faltam o fatalismo, a análise social, as peripécias e a catástrofe próprias do enredo passional. Esta obra é um retrato da sociedade contemporânea do autor, onde os valores que os nobres e pessoas de alta sociedade querem fazer transparecer são fachadas para as mais inacreditáveis situações. A educação exemplar de Carlos da Maia não o impediu de decair numa rua do Chiado.

A obra ocupa-se da história de uma família (Maia) ao longo de três gerações, centrando-se depois na última geração e dando relevo aos amores incestuosos de Carlos da Maia e Maria Eduarda. Mas a história é também um pretexto para o autor fazer uma crítica à situação decadente do país (a nível político e cultural) e à alta burguesia lisboeta oitocentista, por onde perpassa um humor (ora fino, ora satírico) que configura a derrota e o desengano de todas as personagens.

Eça de Queiroz foi impreciso e modesto ao dar a Os Maias o subtítulo "episódios da vida romântica". Na verdade, o seu mais famoso romance é uma tragédia, tal como a entendia Sófocles quando, já na maturidade, compôs o seu Édipo. Uma tragédia burguesa pois que lá está a grave transgressão moral, cometida em completa inconsciência por seus dois personagens centrais — Carlos Eduardo e Maria Eduarda Da Maia, ambos; irmãos, apaixonados e incestuosos ambos, e belos e trágicos.

Eça de Queirós faz seus tipos principais, com a elegância e a minúcia de um genial pintor romântico, mas com "o seu olho à Balzac". A começar não por um tipo, mas por uma casa, mais exatamente a "casa que os Maias vieram habitar em Lisboa, no outono de 1875", que surge, penumbrosa e prenunciadora, logo na primeira frase do livro, e que era conhecida como a casa do ramalhete" ou, mais simplesmente, "o Ramalhete". Então, lemos, já encantados: Apesar deste fresco nome de vivenda campestre, o Ramalhete, sombrio casarão de paredes severas, com um renque de estreitas janelas de ferro no primeiro andar, e por cima uma tímida fila de janelinhas abrigadas à beira do telhado, tinha o aspecto tristonho de residência eclesiástica que competia a uma edificação dos tempos da Sra. D. Maria I; com uma sineta e com uma cruz no topo, assemelhar-se-ia a um colégio de jesuítas. Ai está o cenário da tragédia."
fonte: PasseiWeb

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A minha leitura já um pouco "tardia" de "Os Maias" teve aspectos positivos e alguns negativos, mas posso dizer que de uma forma geral, foi uma boa leitura.

A escrita deste tão conhecido autor  não desiludiu e "Os Maias" são sem dúvida mais uma prova da sua mestria e domínio da língua portuguesa. As suas descrições pormenorizadas são carregadas de floreados, num jogo bonito de palavras que contribui para a qualidade literária do texto. No entanto este aspecto faz com que a história se desenrole muito lentamente e que por vezes a leitura se torne um pouco entediante. 

Na minha opinião, um volume seria mais que suficiente para contar esta história. As partes mais descritivas de um livro são essenciais para posicionar o leitor na história e envolvê-lo na trama, mas achei as descrições um pouco exageradas no que respeita aos aspectos e obejctos decorativos das salas e casas. Também existem muitas personagens "supérfluas" que não contribuem para o desenrolar da história central. Contudo nesse aspecto considero que contribuem em muito para o colorido social e para a caracterização de uma época, pelo que gostei muito do  "tempo perdido" a explorá-las, 

Quanto à história em si, é uma história interessante, mas que não tem nada de muito marcante ou especial, seguindo a vida de três gerações da família Maia, e fazendo o retrato de uma época. Há quem diga que se trata de uma história de amor ou de uma tragédia, mas para mim o tema central e recorrente é o adultério. Aliás, todos os acontecimentos maiores giram em volta do comportamento adúltero, retratado como algo normal daqueles tempos. Parece até que os rapazes não procuram raparigas solteiras, mas antes prostitutas ou as mulheres dos outros (sejam seus conhecidos ou não) numa aparente competição de virilidade.

O adultério é de facto central, mas não o único indício de uma sociedade doente e profundamente corrompida de valores. A amizade, a lealdade e outros valores são enaltecidos pelos personagens que no entanto se comportam de modo completamente contrário. É o retrato de uma sociedade ociosa centrada no dinheiro, nas aparências e em etretenimentos fúteis vários. Nem os personagens que estudam e tiram cursos superiores os usam para algo útil. Os políticos, os intelectuais, enfim, toda a sociedade é pobre de espírito e de ideias, formando-se da mesma um retrato muito pouco positivo.

O papel da mulher também é algo que não abona a favor da história desta época e deste retalho da sociedade que Eça escolheu para a sua história. Para além de aparecerem como meros objectos de entretenimento ou desejo (as prostitutas ou as "espanholas") ou de conquista viril ( as mulheres casadas), há algumas passagens que mostram bem como a mulher era vista: 
"Se eu fosse cavalo ou mulher, antes o queria a você do que a esses badamecos que aí andam todos podres" 
ou
 "Enfim, eu não lhe dizia que em certos casos duas boas bolachas, mesmo um par de bengaladas não fossem úteis...sabiam, por exemplo, os amigos quando se devia bater? Quando elas não gostavam da gente e se faziam ariscas...então sim! Zás , trapona, que elas ficavam logo pelo beiço..."
ou ainda
"A mulher só devia ter duas prendas, cozinhar bem e amar bem"
"O dever da mulher era primeiro ser bela e depois ser estúpida"
"O lugar da mulher era junto do berço, não na biblioteca"

Resumindo, é uma boa história e uma boa leitura, mas nada que eu fosse aconselhar a alguém, e depois de tudo acabo por não entender o porquê de ser ou ter sido em tempos um livro de  leitura obrigatória. Continuo contudo curiosa em ler mais obras deste autor e espero que sujam mais títulos neste blogue no futuro. 

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A Caldeira de Pêro Botelho - Arnaldo Gama (Pêro Botelho foi mencionado e encontrámos este livro com o seu nome, que considerámos para representar esta referência)

A Dama das Camélias - Alexandre Dumas (filho) (foi mencionada esta obra, bem como a personagem Margarida Gautier)

A Divina Comédia - Dante ("Beatriz de Dante" foi mencionada)

A Ilíada - Homero (Aquiles, Páris e Helena foram mencionados)

A Lógica das Ciências Morais - John Stuart Mill (foi mencionada "a lógica de Stuart Mill")

A Noiva de Lamermoor - Walter Scott (Walter Scott foi referido, e escolhemos este título por ser um dos que já se encontra na nossa lista de livros a serem lidos)

A Oração da Coroa - Demóstenes (Demóstenes foi mencionado, e este foi o título escolhido por ser o único disponível em língua portuguesa no site da "wook")

A Origem das Espécies - Charles Darwin (Darwin foi mencionado e este título foi o escolhido para representar esta referência por já se encontrar na nossa lista de livros a serem lidos)

A Taberna (L'Assommoir) - Emile Zola (foi mencionado o livro e o autor)

Ab Urbe Condita - Tito Lívio (Tito Lívio foi mencionado, e este título foi escolhido para representar essa referência por já existir na nossa lista de livros a serem lidos)

As Flores do Mal - Charles Baudelaire (Baudelaire foi mencionado, e este título foi escolhido para representar essa referência, por já se encontrar na nossa lista de livros a serem lidos)

As Ruinas de Palmira - Volney (Volney foi mencionado, e este foi o título escolhido para representar essa referência, por ter encontrado uma edição digital em português)

A Vida de Cleópatra - August Bailly (Cleópatra foi mencionada, e colocámos este título a representar esta referência a Cleópatra, por já se encontrar na nossa lista de livros a serem lidos)

Belinda - Rhoda Broughton (a autora "Miss Broughton" foi mencionada, e foi escolhido este título para representar esta referência por ter encontrado uma edição barata e em segunda mão no site "World of Books")

Bem Está o Que Bem Acaba - William Shakespeare (foi mencionado Shakespeare e "tudo é bom quando acaba bem)

Bismarck, O Homem e o Estadista - A. J. P. Taylor (Bismarck foi mencionado, e uma vez que encontrámos este título em português, resolvemos escolhê-lo para integrar a nossa lista de livros a ler, por forma a representar esta menção)

David Livingstone: The Truth Behind The Legend - Rob MacKenzie (Livingstone foi mencionado, e encontrámos este título no site "world of books" para representar esta referencia)

De L'esprit, Or Essays on The Mind - Claude-Adrien Helvétius (Helvétius foi mencionado, e este foi o título escolhido, por ter sido o único encontrado ao qual posso ter acesso de leitura, uma vez que não consigo ler as edições em francês e não encontrei nenhuma traduzida para português)

Defesa da Sociedade Natural - Edmund Burke (Edmund Burke foi mencionado, e este foi o título escolhido para representar essa referência por ter encontrado uma edição disponível em português)

Dicionário Filosófico - Voltaire (Voltaire oi mencionado, e este título foi o escolhido para representar essa referência por já se encontrar na nossa lista de livros a serem lidos)

Discurso do Método - Descartes (Descartes foi mencionado e este foi o título escolhido por já se encontrar na nossa lista de livros a serem lidos)

Discurso sobre a origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens - Rousseau  (Rousseau foi mencionado, e este título foi o escolhido para representar essa referência por já se encontrar na nossa lista de livros a serem lidos)

Dom Quixote de la Mancha - Miguel de Cervantes ("Dulcineia" e "Sancho Pança" foram mencionados)

Écoglas - Virgílio (foi mencionada a expressão "Tityre, tu patulac recubans" frase com que se inicia esta obra poética de Virgílio)

Educação Intelectual, Moral e Física - Herbert Spencer (Spencer foi mencionado bem como "a Educação de Spencer")

Eurico, o Presbítero - Alexandre Herculano

El Diablo Mundo - José de Espronceda (Eça mencionou o "coração D´Espronceda" e este foi o título que encontrámos para representar essa referência)

Fábulas - Fedro (Fedro foi mencionado, e este título foi o escolhido por já se encontrar na nossa lista de livros a serem lidos)

Fausto - Johann Wolfgang Goethe (foram referidos: "a cela de Fausto" e "Mephistófeles e Margarida")

Fedon - Platão (Platão foi mencionado, e escolhemos este título para representar essa referência, por já se encontrar na nossa lista de livros a serem lidos)

First Principles - Herbert Spencer (Spencer foi mencionado, e escolhemos este título para representar essa referência, por já se encontrar na nossa lista de livros a serem lidos)

Frédéric et Bernerette - Alfred de Musset (Musset foi mencionado e este foi o título escolhido por já se encontrar na nossa lista de livros a serem lidos. Foram também mencionadas as "estrofes de Musset à Malibran" referindo-se ao poema do autor "À la Malibran")

Hamlet - William Shakespeare 

História Universal - Cesare Cantu 

Histórias ou Contos De Outrora - Charles Perrault (Gustave Doré foi mencionado, e encontrei esta edição em português disponível para compra, com ilustrações de Doré)

Ilusões Perdidas - Honoré de Balzac (Balzac foi mencionado, e escolhemos este título para representar essa referência, por já se encontrar na nossa lista de livros a serem lidos)

Introdução à Medicina Experimental - Claude Bernard (Claude Bernard foi mencionado e este foi o título escolhido para representar essa referência ao autor, por ter encontrado uma edição em português)

Les Trágiques - Theódore Agrippa D'Aubigné (D'Aubigné foi mencionado e este foi o título escolhido para representar esta referência por se tratar da "obra prima" deste autor)

Lettre à un Ami D'Allemagne - Joseph Ernest Renan (Renan foi mencionado e este foi o título escolhido do autor, de entre os disponíveis na "wook" em língua inglesa)

Meditations - Alphonse De Lamartine (foram mencionadas as "meditações de Lamartine")

O Barbeiro de Sevilha - Pierre-Augustin de Beaumarchais (foi mencionado o "Barbeiro" e o "Dueto de Rosina e Lindor")

O Cavaleiro da Casa Vermelha - Alexandre Dumas


O Desenganado - Francisco Rodrigues Lobo (foram referidas as "Écoglas de Rodrigues Lobo", e este foi o título escolhido por ter encontrado uma edição portuguesa à venda no site da Bertrand)

O Estupro de Lucrécia - William Shakespeare (Lucrécia foi mencionada)

O Livro de Cesário Verde - Cesário Verde (foram mencionados "os Parnasianos", e foi escolhido Cesário Verde e este seu título, por ser um dos representantes do movimento literário intitulado "Parnasianismo" em Portugal)

O Mistério de Edwin Drood - Charles Dickens (Dickens foi mencionado, e este foi o título escolhido para representar esta referência por já se encontrar na nossa lista de livros a serem lidos para este blogue)

O Que é a Propriedade - Proudhon (Proudhon foi mencionado, e este título foi o escolhido para representar essa referência por já se encontrar na nossa lista de livros a serem lidos)

Odes - Horácio (foi mencionado Horácio, e também foi referida a expressão de Horácio "Est Modus In Rebus", pelo que escolhemos este título para representar esta referência ao autor, por ser o único disponível em língua portuguesa na "wook")

Os Cantos do Crepúsculo - Vitor Hugo (Vítor Hugo foi mencionado e foi citado : "Oh! Laissez-toi donc aimer, oh! L' ámour c'est la vie", )

Os Pásssaros - Jules Michelet (Michelet foi mencionado, e foi este o título escolhido para representar esta referência ao autor, por termos encontrado uma edição em português)

Os Segredos da Torre de Nesle - Anónimo (Eça mencionou a "torre de Nesle" e resolvemos representar esta referência com este livro que encontrámos numa edição em português)

Os Três Mosqueteiros - Alexandre Dumas (foi mencionado Alexandre Dumas e D' Artagnan)

Otelo - William Shakespeare (Cássio e Iago foram mencionados)

Pantagruel - Francois Rabelais (Rabelais foi mencionado, e este título foi o escolhido para representar essa referência por já se encontrar na nossa lista de livros a serem lidos)

Princess - Alfred Tennyson (foi mencionado um "livro de Tennyson" sem especificar, e este foi o título escolhido para representar esta referência, pois foi o que encontrámos disponível mais barato)

Romeu e Julieta - William Shakespeare (o personagem Romeu foi mencionado)

Salammbô - Gustave Flaubert

Sapho - Alphonse Daudet (Daudet foi mencionado, e este foi o livro escolhido para representar estar referência por ter encontrado uma edição disponível em português)

Selected Poems - Lord Byron (Byron e os "poemas de Byron" foram mencionados, tendo sido escolhido este o título para representar a referência por existirem várias edições, que aparentemente serão de fácil acesso)

Selected Poetry - Alexander Pope (foi mencionado um "poema de Pope" sem especificar, e este foi o livro escolhido para representar esta referência, por ter sido a edição mais barata encontrada no site world of books)

Socrates - Anthony Gottlieb (Sócrates foi mencionado e escolhemos este título para representar esta referência por termos encontrado uma edição barata no site "world of books")

Spartacus - Howard Fast (Spartacus foi mencionado)

The Death of Adam - Friedrich Gottlieb Klopstock (Klopstock foi mencionado "traduções de Klopstock", e escolhi este título do autor para representar esta referência por ser uma tragédia - que gosto particularmente - e por ter encontrado versões digitais gratuitas)

The Lifted Curtain & My Conversion - Honore Gabriel Mirabeau (Mirabeau foi mencionado, e este foi o título escolhido para representar essa referência por se ter encontrado um exemplar disponível no site "world of books")

Viagens na Minha Terra - Almeida Garret (Garret foi mencionado e este foi o título escolhido por já se encontrar na nossa lista de livros a serem lidos)

Victor Cousin - Jules Simon (Jules Simon foi mencionado e este foi o título escolhido para representar esta referência, escolhido entre os livros do autor disponíveis em inglês no site da "wook")

Vidas dos Santos - Alban Butler

Virtude e Terror - Maximilien Robespierre (Robespierre foi mencionado e este foi o título escolhido para representar esta referência, por ter encontrado uma versão digital e traduzida deste livro)


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