Wednesday, November 22, 2017

Frankenstein - Mary Shelley

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Chego à leitura deste grandioso clássico da literatura, pelas referências ao mesmo encontradas em quatro livros lidos até ao momento:
Para além das referências literárias que colocaram este livro na nossa lista, li-o também no âmbito da maratona de literatura Outono/Inverno, já referida no nosso post anterior. Um dos desafios da maratona era "ler um livro de horror/terror", e assim aproveitei este título, cuja leitura já estava pendente, para cumprir esse desafio.

Este título é sobejamente conhecido, bem como os subprodutos de entretenimento que gerou. O nome de Frankenstein e sua história foi largamente difundido, mas parto para esta leitura tentando colocar de lado tudo o que penso saber sobre o assunto. Há sempre algo novo nos livros e é isso que me leva a "agarrar" esta história com entusiasmo.

Também uma conversa há pouco tempo com uma amiga me suscitou curiosidade sobre o livro. Dizia ela que haveria uma relação entre o movimento feminista e o Frankenstein de Mary Shelly, mas não me soube explicar o porquê dessa relação. Fiz por isso uma pequena pesquisa e descobri algumas curiosidades:
  1. É considerado o percursor do género literário "ficção científica";
  2. A mãe da autora foi a primeira mulher a escrever sobre os direitos da mulher no século XVIII;
  3. Foi com o surgimento da crítica literária feminista na década de 1970 que as obras desta autora, em particular Frankenstein, começaram a atrair a atenção de estudiosos;
  4. A concepção deste Frankenstein ocorreu após sugestão de Lord Byron numa reunião de amigos em foi sugerido que cada um escrevesse sobre o sobrenatural. Este aspecto já era meu conhecido por ter participado na qualidade de escritora na "Noite de Lord Byron", um evento que tentou recriar essa reunião de amigos, em que todos passavam a noite juntos a escrever sobre terror.
São tantos os aspectos que despertam a minha curiosidade sobre esta obra, que estou confiante não irá desildir!

Nota sobre esta edição : comprei esta 1ª edição de 1973, da Editorial Minerva (Minerva de Bolso) na Feira da Ladra em Março de 2014.

(*nota)
Este livro foi posteriormente mencionado em:


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"Frankenstein conta a história de Victor Frankenstein, um jovem estudante, que a partir de corpos de seres humanos que obtinha em cemitérios e hospitais consegue dar vida a um monstro que se revolta contra a sua triste condição e persegue o seu criador até à morte.

Frankenstein foi adaptado inúmeras vezes ao cinema, mas a mais memorável imagem do monstro foi encarnada pelo actor Boris Karloff, em 1931, fazendo ainda hoje parte da cultura popular."
fonte:wook

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Esta foi sem dúvida uma leitura maravilhosa e totalmente surpreendente!

Como esperava, o livro vai muito além daquilo que nos chega dos filmes e demais subprodutos da cultura popular, mas não esperava que me surpreendesse tanto como o fez. Muitas das concepções que fazia de Frankenstein estavam mesmo completamente erradas e esta leitura foi uma leitura muito reveladora.

A história na sua base, é a que todos conhecemos. Um médico dá vida a uma criatura a partir de "retalhos" de corpos, com o intuito apenas científico da descoberta e de assegurar um lugar na história da ciência. Como sabemos também, apesar de atingido o resultado a que se propôs, as coisas não correm como ele desejaria e a criatura revela-se um monstro que se vira contra o seu criador. Isto na essência é a sinopse da história que não dista daquilo que sabemos sobre Frankenstein. Contudo, a história é muito mais que isso.

Em primeiro lugar, uma das "confusões" a que a cultura popular pode levar é que Frankenstein é o nome do monstro. Não é verdade. Victor Frankenstein é o nome do médico que consegue concretizar esta experiência de dar vida a um ser por ele criado. Mas este é apenas um pormenor, que desde logo na sinopse do livro é esclarecido.

O que de facto me surpreendeu mesmo muito são as características deste monstro, desta criatura, tida como hedionda e ameaçadora. A verdade que o livro nos traz é que este monstro, não é um ser limitado cognitivamente que fala apenas por sílabas e que só conhece a força bruta, imagem essa que era a que guardava. Este monstro é sensível, emociona-se a ler Werther e outros clássicos, reflecte sobre o seu lugar no mundo e sobre o seu criador, aprende a ler e a falar sózinho ouvindo outras pessoas, é prestável e tem sentimentos e atitudes em tudo iguais a qualquer pessoa. Isto faz com que o livro vá para além de uma simples história de terror ou horror para algo bastante mais profundo, levando o leitor a uma reflexão séria acerca de vários assuntos.

Um desses assuntos de reflexão é o da ética médica ou científica. Sobre o médico que conduzido por motivações questionáveis, consegue o que mais ninguém havia conseguido, mas logo que o faz repudia a sua criação e a abandona à sua sorte. Abandona-a apenas porque ela lhe é abjecta, quando foi ele mesmo que a criou assim. Nunca este médico se preocupou com as consequências da sua investigação, com o ser que criou ou com a ameaça que a mesma se possa tornar para a sociedade.

O outro assunto é o do percurso da criatura, que tudo tenta para ser aceite, nunca o conseguindo apenas por causa da sua aparência física. Este percurso faz reflectir como nós próprios somos muitas vezes céleres a julgar os outros pelas aparências. A criatura faz vários esforços de integração sempre mal sucedidos percebendo por fim que nunca terá um lugar na sociedade e que nunca será aceite por ter uma aparência diferente e monstruosa. Chega então à conclusão que para viver necessitaria de pelo menos uma companheira, criada à sua imagem, para não ser também por ela rejeitado. Concluiu que conseguiria viver afastado da sociedade, se pudesse partilhar a sua vida com outro ser e combater a solidão profunda a que é condenado pela sua aparência física monstruosa. E é esse o pedido que faz ao seu criador: uma companheira.

O monstro tenta a aproximação ao seu criador, sendo por ele repudiado também, e vê negado o seu pedido para que lhe criasse uma companheira à sua imagem. E é aí que se revolta por fim, irado por tudo quando lhe foi acontecendo, tornando-se uma séria ameaça a quem se atravessa no seu caminho. Mas chegamos à conclusão que qualquer um de nós na mesma situação poderia tornar-se esse monstro e que talvez o verdadeiro monstro não seja a criatura mas sim o seu criador ou mesmo a própria sociedade, que o conduziram a tais extremos, pela incompreensão e constante repúdio.

É verdadeiramente uma história bastante mais profunda do que se poderia imaginar à partida e por isso não me inibo de a recomendar vivamente!

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Linked books...

A Ars Magna da Alquimia - Eduardo Amarante, Alberto Magno, Nicolas Flamel e Paracelso (foram mencionadas "as obras de Paracelso" sem especificar qual e também Alberto Magno, pelo que escolhemos este título, único que encontrámos disponível em português, para representar essas referências aos autores)

A Ilíada - Homero (este título foi mencionado, bem como Homero, o seu autor)

A Origem das Espécies - Charles Darwin (Darwin foi mencionado pela autora e este foi o título escolhido para representar essa referência, por já se encontrar na nossa lista de livros a serem lidos)

A Tempestade - William Shakespeare

As Ruinas de Palmira - Volney (foram referidas "as ruínas dos impérios de Volney)

North´s Translation of Plutarch´s Life of Julius Caeser - Plutarch (a autora referiu-se às "vidas paralelas de Plutarco" e este foi o título escolhido para representar essa referência por já se encontrar na nossa lista de livros a serem lidos)

O Conto do Velho Marinheiro - Samuel Taylor Colleridge

O Fim dos Tempos Cavaleirescos - François Johan (a autora mencionou a "Távola Redonda do Rei Artur; já aqui lemos um livro com esse tema: A Demanda do Graal de François Johan, livro #4 da série "Os Cavaleiros da Távola Redonda", pelo que escolhemos este outro título da série para representar a referência feita por Mary Shelley)

O Vigário de Wakefield - Oliver Goldsmith

Orlando Furioso - Ludovico Ariosto (a autora referiu-se a "Ariosto acerca da beleza de Angélica")

Paraíso Perdido - John Milton 


Tintern Abbey - William Wordsworth

Three Books of Occult Philosophy - Cornelius Agrippa (foi referido um "volume das obras de Cornélio Agrippa, tendo escolhido este título, por parecer der de entre os que encontrei, o mais representativo dessa menção)

Vida Nova  - Dante Alighieri (Dante foi mencionado, e este foi o título escolhido para representar essa referência, por já se encontrar na nossa lista de livros a serem lidos)

Werther - Johann Wolfgang Goethe (foram referidos "os sofrimentos do jovem Werther")

Linked people...
Isaac Newton
César
Numa Pompílio
Sólon
Rómulo

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Teseu
Ísis

Linked places...
Gronelândia

São Petersburgo
(Rússia)
Lucerna
(Suíca)
Nápoles
(Itália)
Milão
(Itália)
Genebra
(Suíca)
Inglostádio
(Alemanha)
Plainpalais
(Genebra, Suíca)
Lausana
(Suíca)
Vale de Chamonix
(França)
Constantinopla
(actual Istambul)
Lião
(França)
Livorno
(Itália)
Gravesend
(Inglaterra)

Linked landmarks and monuments...


Universidade de Inglostádio
Castelo de Edimburgo
St Bernard´s Well
Tilbury Fort
Torre de Londres
Catedral de São Paulo (Londres)

Linked rivers and lakes...


Rio Reuss
(Suíca)
Lago de Como
(Itália)
Rio Reno
Rio Tamisa
Rio Ródano

Linked mountains...



Montanhas do Jura
Os Alpes
Monte Branco
Salève
Montanvert
Arthur´s Seat
Monte Cénis

Linked historical events...

Batalha de Roncesvales
(foram mencionados os "heróis de Roncesvales")
Linked animals...


Camurça

Linked sayings, definitions and expressions...

"schiavi ognor frementi" - significa "slaves forever enraged"

"galvanismo" - 1. accção das correntes eléctricas contínuas sobre os orgãos vivos; 2.  electricidade desenvolvida pelas acções químicas ou pelo contacto de dois metais diferentes, com um líquido interposto.

Linked words...

acme - periodo mais agudo de uma doença; ponto mais alto = auge, clímax
cadinho - recipiente em material refractário, geralmente barro, ferro ou platina, utilizado para as reacções químicas a altas temperaturas.
coruscante - que brilha muito = fulgurante
ínvio - em que não há caminho; que não dá passagem, onde não se pode passar.
panegírico - discurso em louvor de alguém; sermão laudatório; elogio exagerado = louvor; que enaltece, elogia.
paroxismo - [Medicina] o maior grau de intensidade de uma doença ou periodo em que os sintomas são mais agudos ou intensos = crise; [Figurado] momento de maior intensidade de um sentimento, de uma sensação ou de um estado = auge, cúmulo; momento que antecede a morte = agonia, estertor.
timorato - que teme errar, que receia ofender, que não se atreve a actuar ou a executar; tímido, medroso, acanhado, vergonhoso.

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