Wednesday, December 24, 2014

A Dama Pé-de-Cabra - Alexandre Herculano

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Foi João Aguiar no seu livro "Diálogo das Compensadas" que ao mencionar a expressão "cousa mui escusada e indecente" me conduziu a este título. É a primeira vez que Alexandre Herculano surge no nosso blog.

Apesar de desconhecer este livro, tem no entanto um título bastante sugestivo, e esta pequena edição convida à leitura. Assim partimos para este texto com algum interesse, mas sem saber o que esperar.

Este exemplar foi adquirido atavés da Winking Books.

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"A Dama Pé-de-Cabra, conto que dá título ao livro, conta a história de um nobre senhor que, ao encontrar na serra uma dama, por ela se perde de amores; mas a dama não é quem parece ser e muito terá o nobre de sofrer em consequência das suas escolhas. Um conto misterioso, intrigante, marcante pelo tom com que é apresentado (quase como uma história contada em voz alta) e onde os elementos sobrenaturais são soberanos."
from: Goodreads

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Como atrás referi, quando iniciei esta leitura, não fazia ideia sobre o que esperar. O início foi algo atribulado, uma vez que o texto está escrito em português antigo, repleto de palavras cujo significado desconhecia. Como podem ver em baixo na rúbrica "Linked looked up words...", foram muitos os significados que tive que consultar, o que foi uma experiência um pouco estranha de início. Contudo, após alguma habituação, comecei a apreciar esta particularidade, pois apesar de tornar a minha leitura mais lenta e cuidada, transportou-me de facto para um imaginário de tempos antigos, levando-me a "sentir" a época da lenda contada. Assim, apesar de este aspecto ter levado a que a leitura do texto não fosse fácil e simples, confere-lhe algo de especial e diferente das leituras que ultimamente tenho realizado.

Quanto à história, é bastante simples. Trata-se de uma lenda, que joga com os temas clássicos do sagrado e do profano, sem nada de muito surpreendente, pelo menos, não para os tempos habituais. Acredito que quando foi escrita, possa ter despertado em muitos o interesse pelo fantástico, e pelas lendas e mitos do nosso país, mas apesar de ter sido uma leitura interessante, não foi uma história relevante ou marcante. Julgo mesmo que não irá permanecer na minha memória durante muito tempo.

Esta história é uma lenda popular, que data do séc. XI, e que Alexandre Herculano compilou no livro "Lendas e Narrativas" no século XIX. Considero esse trabalho do autor de grande valor e importância para a memória nacional. As crenças, lendas e mitos do foclore nacional, riquíssimas nos mais variados aspectos, foram assim impedidas de cair no esquecimento.

Penso que para os leitores que apreciem este tema e os autores clássicos portugueses, poderão encontrar aqui um texto de interesse. Pessoalmente, apesar de ter gostado desta história, não foi o suficiente para a recomendar aos leitores deste blogue, de uma forma geral. Não duvido contudo que haverá muitos leitores que poderão ter uma boa experiência de leitura com este título. No entanto, se a resolverem ler, aconselho a que escolham uma outra edição, já que esta é de muito fraca qualidade, e não favorece em nada a leitura.

Nota: a leitura desta lenda é recomendada pelo Plano Nacional de Leitura (leitura autónoma - 3º ciclo)

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A Abóboda - Alexandre Herculano (é inevitável esta ligação, uma vez que este título é parte integrante desta edição de "A Dama Pé de Cabra")

Lendas e Narrativas - Alexandre Herculano (uma vez que esta lenda foi por Alexandre Herculano compilada neste livro)

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adarves - espaço estreito que corre ao longo do alto das muralhas para serviço das ameias; muralha.
adova - [antigo] instrumento de ferro para prender pelos tornozelos; [antigo] sala nas cadeias onde os presos passeavam e recebiam visitas.
agareno - descendente de Agar; muçulmano; ismaelita; árabe.
almácega - tanque que recebe a água da nora; [viticultura] casta de uva do Douro.
almenara - facho que se acendia nas torres e castelos para dar sinal ao longe; torre onde se acendia esse facho; torre de mesquita onde os fiéis são chamados à oração.
almuadem - [religião] pessoa que chama os muçulmanos à oração, geralmente da torre da mesquita.
arras - bens que o noivo assegura à noiva no caso de ela lhe sobreviver; sinal (dado em dinheiro para segurança de contrato); garantia, penhor.
ascuma - [antigo] lança arrojadiça.
avoengo - que se herdou dos avós; antepassado.
bucelário - em forma de pequena boca; [antigo] homem adjunto a uma família nobre, que o sustentava, a troca de certos serviços; parasita; soldado forte e destemido, que tinha a seu cargo a guarda de algum príncipe.
caciz - sacerdote mourisco em Moçambique; [antigo] vedor ou homem nobre em alguns estados africanos.
cérceo - sem ficar nada pegado (do que se cortou); cortado rente; cerce.
colgadura - tapete, colcha, etc., que se pendura nas paredes ou janelas, para as cobrir ou ornar.
covoada - série de covas.
cris - [antigo] eclipsado; [antigo] eclipse; punhal de origem malaia de lâmina ondulada; escuro ou pardacento = gris.
cubelo - [heráldica] figura de torre quadrada sem ameias; [antigo] torreão entre dois lanços das antigas muralhas; pequeno vaso para líquidos.
devesa - terreno coutado em que há árvores de rendimento e pastos; lugar cercado por arvoredo, souto.
egresso - que saiu, que se afastou; que deixou de fazer parte de uma comunidade; indivíduo que deixou o convento; indivíduo que sai em liberdade depois de cumprir uma pena de prisão; acto ou efeito de sair ou de se afastar.
escorchar - despojar da corcha; esfolar; crestar (colmeias); [figurado] deixar vazio ou nu (roubando ou despojando); maltratar, molestar; arranhar, ferir; estropiar; [Portugal: Trás-os-Montes] tirar a cabeça à sardinha.
esculca - [antigo] sentinela nocturna ou ronda; guarda avançada nos exércitos antigos.
estamenha - tecido grosseiro de lã.
fossado - aberto como fosso; revolvido ou remexido; fosso; [antigo] correria em território inimigo.
fragueiro - que anda pelas fragas arrancando pedra; que trabalha ou anda mourejando pelas serras; que leva vida rude e cansada; [figurado] rude, agreste; independente, infatigável, fogoso; fragoso; aquele que vive trabalhosamente por serras e fragas; relativo a frágua; em que há calor intenso; [regionalismo] pau de vassoura do forno.
gardingo - nobre visigodo que exercia certos cargos na monarquia.
gasalhado - [antigo] roupas de cama, roupas; agasalho, trato; carinho; camarote, beliche.
infanção - antigo título de nobreza inferior ao de rico-homem.
Mafamede - designação de Maomé.
Mafoma - Maomé.
moimento - monumento fúnebre; [por extensão] monumento em honra de alguém; acto de moer; cansaço, prostração.
monteira - barrete de montanhês; [termo venatório] caçadora de monte.
monteiro - guarda de montados, matas, coutadas; [termo venatório] caçador de monte; de monteiro ou da montaria.
nebri - [termo venatório] diz-se do, ou o falcão adestrado para a caça; caparoeiro.
onzeneiro - que ou quem empresta dinheiro a juros altos; que ou quem fabrica intrigas.
precito - [religião] que ou quem está antecipadamente condenado; que ou quem foi sujeito a condenação ou maldição = condenado, maldito, réprobo.
preia - presa.
reixa - tábua pequena; barra de ferro; grade de janela, porta ou varanda; [popular] rixa, raiva.
retouçar - brincar ou andar na retouça ou baloiço; [por extensão] movimentar-se, brincando; [Portugal: Beira, Trás-os-Montes] comer, pastando (falando-se de animais).
saltério - [música] antigo instrumento musical de cordas; [música] instrumento triangular moderno com 13 ordens de cordas; [zoologia] terceira cavidade do estômago dos ruminantes.
santoral - hagiológio; hinário dos santos.
sémel - [antigo] geração, descendência.
tiple - [música] a voz mais alta na consonância musical = soprano; [música] pessoa que tem essa voz; [música] instrumento musical cordofone.
veniaga - mercadoria; tráfico; comércio; [figurado] tranquibérnia, traficância; o mesmo que sinecura.
vílico -  [antigo] espécie de regedor de pequena localidade que arrecadava impostos gerais e administrava justiça; feitor, caseiro.

4 comments:

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  2. Que horror, custou-me tanto ler este livro! Eu conhecia esta história porque quando vim para Portugal o meu pai comprou uma colecção de livros que explicavam a história de Portugal de forma muito simples, e ele queria saber mais sobre o pais. Num desses livros vinha a lenda explicada através de uma linguagem muito simples, e eu na altura adorei. Estava então muito curiosa por ler o original, mas detestei mesmo!
    Adorei, no entanto, o post :p
    BEIJINHOS

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  3. Mais informações sobre a "aventura" do Flames com este livro :D aqui:
    http://youtu.be/ohbOjIcXShA

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  4. Ahahaha, só agora é que vi este comentário (não sei porque não me aparece nenhuma notificação bah!) foi mais uma desaventura (atenção que já o li :p )
    Beijinhos
    Roberts

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