Thursday, February 14, 2013

O Marinheiro - Fernando Pessoa

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Foi João Moura, no seu belíssimo livro de poesia "Nos Destroços de Um Naufrágio" que mencionou Fernando Pessoa. Senti estranheza por este grande poeta (pelo qual nutro grande admiração), não ter sido ainda mencionado. Mas se não o tinha sido ainda, é-o agora.

Ao procurar por um livro de Pessoa para ler, deparei-me, com esta "novidade" (para mim, é claro): uma peça dramática escrita pelo poeta. Entusiasmada, escolhi de imediato esta obra, e um exemplar foi adquirido pela Winking Books. Existe contudo uma versão online gratuita do livro , se estiverem interessados. O teatro, bem como a poesia, têm figurado neste blog como dois géneros com muito ainda por descobrir, e têm proporcionado surpresas muito agradáveis. A expectativa era grande para ver o que Pessoa nos oferece, a partir da fusão da poesia com o teatro.

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Bem...seguramente não era aquilo que estava à espera...e sinceramente acho que não entendi, se é que existe algo para entender. Talvez o autor não ambicionasse fazer passar qualquer mensagem, e almejasse unicamente incutir uma reflexão metafísica ou filosófica sobre a realidade...ou  talvez,  o texto represente somente um exercício, uma experiência, de teatro, de poesia ou de literatura...ou de todas estas artes numa só...talvez...

E é do "talvez" que se trata somesmente: é um diálogo da dúvida, do talvez...são afirmações que nada afirmam...entre a realidade e o sonho. Mas onde é sonho e onde é realidade ? Não sabemos. Nem sequer sabemos se existe o sonho ou o real...ou sabemos? Mais uma vez a dúvida...a constante neste texto, e na minha opinião o seu tema principal.

É um texto curioso, diferente, místico e misterioso, inconclusivo e perturbador, mas ao mesmo tempo com uma linguagem poética, de uma beleza à altura do seu autor.

Qual o seu veradeiro significado? O que representam as veladoras? Li algumas explicações sobre isso na net, mas confesso que nenhuma me satisfez. Talvez nunca encontrarei uma.

Surprrendeu-me, mas não me encantou. Este conceito, novo para mim, de teatro estático, não me agradou. Ao procurar informação sobre isso li que :

"aquele cujo enredo dramático não constitui acção, isto é, onde as figuras não só não agem, porque nem se deslocam nem dialogam sobre deslocarem-se, mas nem sequer têm sentidos capazes de produzir uma acção;em que o mais fundamental é a revelação das almas. Considerado por muitos como um anti-teatro, não sobreviveu e muitas peças desta classe foram consideradas poemas dramáticos como por exemplo "O Marinheiro" de Fernando Pessoa"

De facto, julgo mais positivo encarar o texto como poema e não como teatro. Como teatro, seria algo que detestaria ver. Como poema já é algo que leio com algum prazer. No entanto este diálogo da dúvida não me espanta, nem me faz desvirgar algum novo caminho de reflexão. São reflexões comuns ao longo do nosso desenvolvimento, que atingem o seu pico talvez na adolescência, e que se encontram também na filosofia de vários autores conhecidos. Contudo em nenhum dos casos será explorada com tão belas frases como Fernando Pessoa aqui empregou.

Apesar de tudo, é uma obra que deixa ecos na minha memória, talvez por ter ficado "algo por resolver".  E como toda a poesia ou prosa poética, este texto chegará a cada leitor de diferentes formas, tocando e operando diferentes mecanismos do seu ser.

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Não havendo mais ligações para seguir, chegamos aqui ao fim de uma cadeia.

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