Tuesday, October 23, 2012

O Tartufo - Molière

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Foi no seu livro "O Ingénuo", que Voltaire mencionou este título de Molière: O Tartufo. Os clássicos do teatro não são uma novidade neste blogue, e tem sido com prazer que tenho relido uns e descoberto outros. Esta será a primeira obra de Molière que vou ler, mas não será com certeza a última. O exemplar que obtive através da Winking Books, reúne quatro títulos deste autor.

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Este texto, bastante simples e divertido, é uma sátira à beatice. A parte cómica deve-se sobretudo a uma personagem, que numa primeira leitura do elenco, aparenta ser bastante secundária. É ela a Dorina, uma criada sem papas na língua, tão tagarela quanto sábia. Foram as suas falas que mais me prenderam ao texto, e que mais me divertiram.

Apesar de não ter considerado esta obra extraordinária, gostei bastante, e fiquei com vontade de ler outros títulos e de conhecer melhor Molière. Desta peça, apenas fiquei um pouco desapontada com o desfecho final, que ficou um pouco aquém das minhas expectativas.

Um aspecto curioso foi descobrir, que a palavra tartufo passou a designar na língua portuguesa e em outros idiomas, um indivíduo hipócrita, ou um velhaco que oculta os seus vícios sob a capa da religião, devido ao personagem Tartufo desta obra.

Tive também a sorte de, durante o período em que estive a ler este livro, ter tido em minha casa um amigo que vive em França. Disse-me ele, que dos quatro títulos do meu exemplar,  "O Misantropo" é o seu preferido. Falou-me também de um filme, sobre a vida de Molière, no qual um dos seus actores franceses preferidos interpreta o personagem principal. Este é o trailer desse filme:


Tenciono ver este filme, antes de ler a próxima peça deste livro, que em princípio deverá ser "O Misantropo".

Linked books...
D. Quixote de La Mancha - Miguel de Cervantes
Eneida - Virgílio (foi mencionado Polidoro)
Por constarem deste volume:
O Avarento - Molière
O Misantropo - Molière
Dom João - Molière

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"Da àgua mansa, livre-nos Deus" 

"Quem está coberto de mataduras, é quem mais agatanha os sãos"

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argueiropequena aresta, corpúsculo ou coisa insignificante; partícula que entra no olho acidentalmente; [Figurado]  Bagatela, ninharia.

fregona - criada que se ocupa nos mais baixos misteres da casa.

birbante - que ou quem é desprezível (= biltre).

farelório - insignificância; bagatela; palavreado; fanfarrice; bazófia; jactância.

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Periandro
Alcidamas

Thursday, October 18, 2012

O Mandarim - Eça de Queirós

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Foi no livro "Os Comedores de Pérolas" de João Aguiar que este título de Eça de Queirós foi mencionado. Apesar de conhecer alguns livros deste autor, este em particular era-me totalmente desconhecido. Fiquei muito curiosa uma vez que uma pesquisa breve revelou que esta havia sido uma obra algo controversa e contestada deste autor. Assim, pouco tempo depois de ter obtido um exemplar (através da Winking Books), não resisti a iniciar a sua leitura.

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Ao iniciar a leitura deste livro, sabia apenas duas coisas: em primeiro lugar, que nunca tinha ouvido falar deste título, e em segundo, que  Eça de Queirós aqui se havia afastado do realismo que lhe era habitual (e tendencial da época). Estes dois factos, ao invés de me afastarem da leitura, espicaçaram ainda mais o meu interesse.

Foi com grande surpresa minha que constatei, que no final da pág. 12, tinha adquirido a certeza absoluta de que esta história me era familiar. Já não tinha qualquer dúvida em relação a isso, mas de onde?... perguntava-me eu. Fechei o livro, e pus-me a pensar. Um filme! é isso.., e lembrei-me. Partilho aqui o trailer desse filme, que se intitula "The Box".

Lembro-me de ao acabar de ver esse filme, ter pensado que a ideia central da história era excelente e que tinha inúmeras possibilidades de desenvolvimento. Essa ideia central é a caixa, e o dilema que envolve o carregar ou não no seu botão. Pensei também em como já é raro surgirem ideias diferentes nestes filmes de Hollywood, e que pelo menos teria de ser atribuido algum crédito ao filme por esse facto. Isto porque o filme é francamente mau, tendo "aparvalhado" (como costumamos dizer cá por casa), pouco tempo depois da ideia central ter sido apresentada. Independentemente disso, ficou-me este pensamento: algum mérito tem que ser atribuído ao escritor pela sua ideia inicial.

Agora reparem no que "descubro" agora: aparentemente o escritor a quem deve ser dado esse mérito é nada mais nada menos que Eça de Queirós ?!. Interrogei-me sobre como teria sido possível o escritor e guionista Richard Matthewson ter escrito a sua short story "Button, Button", sem haver qualquer menção a Eça de Queirós.  A história de Matthewson, antes ainda de ter sido utilizada como base do guião deste filme (The Box), havia servido primeiramente para um episódio do "Twilight Zone" (que aproveito para dizer que foi uma das minhas séries favoritas de sempre). Julguei então saber nesta altura de quem tinha sido a ideia, mas enganei-me. Anterior ainda a Eça, François-René de Chateaubriand, um autor francês, publicou em 1802 a obra "Le Génie du Christianisme", onde (segundo a Wikipedia), o autor pergunta ao leitor o que faria se pudesse ficar rico assassinando um mandarim da China, apenas com o poder da mente. Assim sendo, é mais semelhante a história de Eça com Chateaubriand, do que Mattewson com Eça, e afinal o mérito da ideia central é de François-René de Chateaubriand, escritor considerado o fundador do romantismo na literatura francesa.

A resumir grande parte da informação que obtive de forma fragmentada, encontrei (aqui) as seguintes afirmações :
  
"O registo genérico é o da farsa moralizante, e o ponto de partida é um problema moral que era conhecido, no século passado, como o “paradoxo do mandarim”. Formulado em 1802 por Chateaubriand, consistia numa pergunta: se você pudesse, com um simples desejo, matar um homem na China e herdar sua fortuna na Europa, com a convicção sobrenatural que nunca ninguém descobriria, você formularia esse desejo?"
 
Depois de saber tudo tudo isto, confesso que fiquei um pouco decepcionada, com o facto de a ideia central do livro não ser da autoria de Eça de Queirós, e de ter apenas desenvolvido a história a partir do "paradoxo do mandarim".  Por outro lado, este "apenas" tem muito que se lhe diga, pois apenas um autor notável o poderia ter feito desta forma. Devo dizer também, que apesar de esta obra ter sido muito criticada na altura, e de ter sido considerada uma obra menor de Eça de Queirós, eu pessoalmente não a consigo ver dessa forma. Um grande escritor, não deixa de ser "grande" porque envereda pelo fantástico em detrimento do naturalismo. Antes pelo contrário. Esta sua capacidade de se afastar da estética realista, a meu ver, é só mais uma prova da sua grandeza.
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Vinhos Médoc
Porcelana de Dresden
Vinhos Romanée-Conti
Linked places...

Templo do Céu (Pequim, República Popular da China)
Travessa da Conceição (Lisboa, Portugal)
imagem do blogue: mariomarzagaoalfacinha.blogspot.pt


Palácio Valada - Azambuja (Lisboa, Portugal)
imagem do blogue: lisboasos.blogspot.pt



Rua Nova do Almada (Lisboa, Portugal)
imagem do blogue: aps-ruasdelisboacomhistria.blogspot.pt


Linked musical instruments...

Viola Francesa

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L’Oiseau

(Paul et Virginie)

1er couplet

L’Oiseau s’envole
Là bas là bas
L’Oiseau s’envole
Et ne revient pas
Ah pauvre fille
Reste à ta maison
Crois à ma chanson
L’Oiseau s’envole
Et ne revient pas

2ème couplet

Oiseau fidèle
Reste en ton doux nid
Oiseau fidèle
Que Dieu bénit
Ferme ton aile
Tu dormiras bien mieux
Que sous d’autres Cieux
Oiseau fidèle
Reste en ton doux nid

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Bonnie Dundee

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A canção de Mignon 

 (Johann Wolfgang von Goethe)
Conheces tu a terra, onde os limoeiros florescem,
Onde no meio da escura folhagem as laranjas douradas brilham,
Do céu azul uma brisa suave sopra,
Onde silencioso o mirto e alto o loureiro ficam?
Conhece-la bem?
Aí! Aí
Eu gostaria de ir contigo, minha amada.

Conheces tu a casa? Sobre colunas assenta o seu telhado.
Brilha o salão, brilha o aposento,
Erguem-se figuras de mármore e olham para mim:
O que te fizeram, pobre criança?
Conhece-la bem?
Ai, aí
Eu gostaria de ir contigo, meu protector.

Conheces tu a montanha e o seu caminho perdido nas nuvens?
O mar procura na bruma o seu caminho;
Nas cavernas reside a velha geração dos dragões;
As rochas precipitam-se e sobre elas a corrente!
Conhece-la bem?
Aí! Aí
Fica o nosso caminho! Ó pai deixa-nos ir!



Linked books...

Viagens na Minha Terra - Almeida Garrett (menção a Joaninha do Vale de Santarém)
Jerusalém Libertada - Torquato Tasso (menção aos jardins de Armida) 
Ifigénia na Táurida - Johann Wolfgang Goethe (foi mencionado Goethe no contexto do romantismo italiano: "A Itália será o eterno amor da humanidade sensível". Escolhi esta obra de Goethe para representar esta referência, pois foi escrita durante a sua viagem a Itália).
A Dama das Camélias - Alexandre Dumas (filho)  - foi mencionado este autor, e escolhida esta obra, a sua mais conhecida.
Mademoiselle de Maupin - Theóphile Gautier
A Taberna (L'assommoir) - Émile Zola
Odisseia - Homero (foram mencionadas as sereias de Homero)
Fausto - Johann Wolfgang Goethe (Mefistófeles foi mencionado...)

Estas obras estão relacionadas com o Mandarim de Eça de Queirós, tal como foi acima exposto na "Linked Opinion":

Le Génie du Christianisme - François-René de Chateaubriand
Button, Button - Richard Matthewson


Linked words...
infólio -  diz-se de um livro ou de um formato em que cada folha de impressão é apenas dobrada em duas.
nababo -   [figurado]  homem rico que vive com grande luxo e fausto. 
casabeque - casaco leve e curto de senhora. = CASAVEQUE, CASIBEQUE


Jaspe
Coolies
Linked people...


Lao Tsé
Sarah Bernhardt
Heliogábalo
Tibério
Aspásia
Linked operas...

Le Roy de Lahore - Jules Massenet

 Madame Favart  - Jacques Offenbach

Linked poem...

Babel e Sião
(Luis Vaz de Camões)

Sôbolos rios que vão 
Por Babilônia, me achei,
 
Onde sentado chorei
 
As lembranças de Sião
 
E quanto nela passei.
  

Wednesday, October 3, 2012

O Apelo da Selva - Jack London

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Mencionado em "Até à Eternidade", este é o segundo livro de Jack London que vem parar a este blogue pela mão de James Jones. O primeiro ( "O Andarilho das Estrelas") não correspondeu totalmente às expectativas, mas não esmoreceu a minha intenção de conhecer melhor a obra deste autor.
Este exemplar foi obtido pela Winking Books.

Linked opinion...
Gostei bastante deste pequeno livro. Uma história muito boa, forte, directa, e muito bem contada. Uma abordagem muito inteligente ao que de mais primitivo e selvagem é transversal às espécies do mundo animal (humanos incluídos, é claro), e uma lição de valores oferecida pelo nosso personagem central: o Buck (um cão). Trata-se de uma verdadeira "chamada à terra" para humanos. Aconselho.

Linked places...

The Thirty Mile
(parte do rio Yukon, Canadá)

Lake Laberge
(Yukon, Canadá)

Mayo
(Yukon, Canadá)

Rio Stuart
(Canadá) - foto by Neil Ever Osborne
Five Fingers
  (rápidos, rio Yukon, Canadá)
Hootalinqua
(Yukon, Canadá)
Desta vez, alguém me facilitou o trabalho. Enquanto andava à procura de informação, encontrei um site com toda a informação sobre o livro, incluindo todos os locais importantes nele mencionados.

Assim, para visualizarem os locais deste livro poderão clicar aqui. Muito bom e completo. Contudo, se não leu ainda o livro, cuidado com os spoilers...

Linked movies...

Encontrei várias adaptações deste livro para televisão/cinema (em 1923,1935,1972,1993,1997, e 2009). Partilho aqui aquele que me pareceu ser mais fiel à história original, e o único que fiquei com vontade de ver.


Linked words...


rechaçar  - repelir; desbaratar; fazer retroceder ou recuar, opondo resistência. = REBATER