Wednesday, August 22, 2012

Spartacus - Howard Fast

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Um índice de livros sublinhado, no exemplar da "Odisseia" de Homero que me chegou às mãos, levou-me a este livro. Este é mais um daqueles livros que nunca iria escolher numa livraria. Apesar de pensar que conheço a história, e que o tema dos escravos e dos gladiadores de Roma é um pouco ultrapassado, não deixa de ser algo que me atrai. Não foi suficiente para ir ler este livro, sem que ele fizesse parte das referências do blogue, mas é o suficiente para começar a lê-lo com boas expectativas. Este exemplar foi obtido pela Winking Books.

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Que grande surpresa me guardava este livro. Simplesmente fantástico. Adorei. Esta é muito mais que uma história de escravos e gladiadores, de aventura, coragem, valores e heróis. Esta é uma história política, uma visão da República e da democracia, enquanto ferramentas para manter os privilegiados protegidos, manipulando tudo o resto. A receita "era" a de manter os pobres ignorantes e submissos, e os "remediados" satisfeitos e com a ilusão de poder (através do voto). Isto para que os remediados nunca se juntem aos pobres em revolta, pois seria o final do poder estabelecido. E foi isso que faltou a Spartacus. Teria tido escravos em número suficiente para enfrentar Roma, não fossem aqueles que "não estavam assim tão mal", não se terem juntado à luta. Mostra-nos a podridão do poder, já nesse tempo, as manipulações dos votos e os jogos políticos. Mostra-nos a crueldade humana, o egoísmo, e a ânsia de poder. Mostra-nos o dinheiro e a posição social enquanto medidas do sucesso dos indivíduos. Ao mostrar-nos a Roma daqueles tempos, é tão fácil vermo-nos ali retratados. Os paralelismos são tão evidentes. O autor mostra-nos também a alternativa...contudo essa continua ainda hoje a ser utópica. Muito bom mesmo este livro. Recomendo.

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Spartacus (1960)

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Roma
Cápua
Via Ápia
Fórmia
Tarracina
Gália
Trácia
Colunas de Hércules
Monte Vesúvio
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A Ilíada - Homero (foi mencionado Aquiles e Heitor)
Em publicidade da editora surgiram os títulos:
História Concisa de Portugal - José Hermano Saraiva
História Universal (volume a designar)

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Cícero
Eunus
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Gergelim
gergelim - planta pedaliácea muito cultivada nalgumas regiões tropicais devido ao óleo que se extrai das suas sementes; semente desta planta; doce feito com essa semente.
feérico - deslumbrante, maravilhoso. 
manípulo - décima parte da coorte romana.
sátrapa - governador de uma província da antiga Pérsia; déspota; sibarita; voluptuoso.
nédio - de pele lustrosa por efeito de gordura; anafado.

Tuesday, August 21, 2012

O Vagabundo das Estrelas - Jack London

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Este livro, com o título "O Andarilho das Estrelas", e não "O Vagabundo das Estrelas" foi mencionado em "Até à Eternidade", de James Jones (um livro que eu adorei). Esta diferença de título, pelo que apurei, parece dever-se apenas a uma opção da editora, já que os dois títulos servem para designar o mesmo livro. O título original é "Star Rover".  Para além de a referência, já ter sido em si mesma boa, outras boas "referências" sobre o autor já me tinham chegado aos ouvidos. Estava assim com bastante curiosidade em conhecê-lo, e ao iniciar a leitura, esperava ter optado por um bom título para começar. Obtive este exemplar na Winking Books.

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Após ler a sinopse da história, preparei-me para um livro sobre um condenado à morte. Esse era o tema que eu antecipava, pelo que quando o autor primeiro divagou sobre "reencarnaçoes" e "vidas passadas", achei um pouco estranho. Quando voltou a esse tema, mais do que estranhar, achei irritante e despropositado. Finalmente percebi, que era esse afinal o assunto central, a partir do qual se desenvolveria a história do livro. Entrei então nessa "onda", e confesso que encontrei algum interesse nas histórias inventadas sobre as "vidas passadas" deste prisioneiro. No entanto, estas reencarnações, apesar do autor nos querer convencer (a meu ver, erradamente) da sua veracidade, não são mais do que descrições das viagens da mente, enquanto o personagem se encontra num estado de consciência alterado. Apesar de tudo, no fundo acaba por ser uma boa história sobre a natureza humana e sobre a capacidade de resistência ao sofrimento. Mas se o ser humano é capaz de em vida suportar sofrimentos e torturas inenarráveis, a ideia de que tudo acaba com a morte não é fácil de suportar. Esta personagem, julga-se superior aos que acreditam na religião, aos seus encarceradores, e à sociedade em geral, porque estes acreditam em deus, segundo ele, porque temem a morte. Ele não teme a morte porque acredita que não vai morrer mas sim reencarnar...Diferenças? nenhuma. O sentimento de superioridade advém do facto de que ele "sabe" que é imortal. Pensar que tudo acaba na morte é sem dúvida difícil, apesar de ser o mais óbvio e o mais credível. Para muitos, pensar dessa forma é simplesmente insuportável, porque retira o sentido às suas próprias vidas, mesmo que esse sentido seja "forjado".  Este autor apresenta a posição de um condenado à morte, que é imortal. Apresenta a morte, não como parte da vida, o seu capítulo final, mas como uma porta para uma outra vida. Um livro razoável, que não deixou em mim grandes marcas, mas que discorre sobre preocupações fundamentais do autor sobre a morte e sobre a condição e natureza humana, de uma forma bem escrita e razoavelmente interessante. Penso que talvez este não tenha sido o melhor livro para me iniciar neste autor.

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Grócio

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Hamlet - William Shakespeare (o autor menciona Shakespeare, acerca dos viajantes do outro mundo, pelo que aparenta tratar-se desta obra, apesar de o autor não ter especificado)
As Vidas Sucessivas - Albert de Rochas

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planta da juta
 juta - planta têxtil tiliácea.

enxovia - parte térrea ou lajeada da prisão, rente com a rua, ou abaixo do seu nível.
sinecura - emprego remunerado, de pouco ou nenhum trabalho.

preboste - antigo magistrado de justiça militar; militar encarregado do serviço de polícia em campanha, com jurisdição correccional.

sumaúma
sumaúma - árvore bombacácea (Ceiba pentandra) de grande porte; algodão ou paina dessa árvore.

huri - cada uma das mulheres extremamente belas e virgens que, segundo o Alcorão, devem desposar no Céu os crentes muçulmanos; mulher de grande beleza.

alcantil - rocha escarpada. = DESPENHADEIRO

tabo - embarcação africana e asiática.

geena - inferno, lugar de tormentos.; sofrimento, dor. 

tripsina - fermento do suco pancreático.

pentose - açúcar simples que contém cinco átomos de carbono.

Wednesday, August 8, 2012

O Vale da Paixão - Lídia Jorge

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Este livro surgiu publicitado na contracapa de "O Deus das Moscas" de William Golding, e foi no site Leilões.Net que conseguí adquirir este exemplar. Da autora, apenas tinha ouvido falar, sendo este o primeiro livro que dela vou ler. Não sei o que esperar.

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Infelizmente, não posso dizer que gostei de ler este livro. Digo infelizmente, pois é de facto um livro muito bem escrito, com uma história original. Contudo, a história, para mim não foi interessante. O livro retrata a história de uma família portuguesa rural, nas décadas de 60 a 80, e essencialmente das suas disfunções familiares e relacionais. A escrita e a narração são muito bem construidas, sincopadas, ritmadas, e ganham uma melodia própria, que conquista o leitor. Acho bastante impressionante esta forma algo diferente de fazer a narrativa, parecendo por vezes quase poética. Foi pena a história em si, e as suas personagens, não terem captado de todo o meu interesse.

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 O Anjo Azul (1930)


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Lake Elliot (Ontário, Canadá)
Mormugão (Goa, Índia)
Muskoka (Ontário, Canadá)
Baía de Fundy (Canadá)
Camberra (Australia)
Faro (Algarve, Portugal)
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A Ilíada - Homero
Notícia da Cidade Silvestre - Lídia Jorge (título escolhido de entre os outros títulos mencionados na nota biográfica da autora)

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Charles Boyer
Michelle Morgan
Vivien Leigh
Bob Dylan
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VIARCO
LAND ROVER
SIERA
KODAK
DYANE

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alferce - o mesmo que alferça: picareta, alvião.
astracã - pele de cordeiro, de pêlo encaracolado, preparada na cidade do mesmo nome, ou segundo o processo ali empregado.
breque - carruagem de quatro rodas, com um assento alto adiante e dois bancos atrás, longitudinais e fronteiros um ao outro.
féretro - ataúde; caixão; tumba; esquife.
manajeiro - o que dirige o trabalho da ceifa; capataz; maioral; marnoto.
fueiro -  cada um dos paus que se erguem nos lados do leito do carro de bois ou de atrelado. = ESTADULHO

Sunday, August 5, 2012

Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada - Pablo Neruda

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Esta obra foi mencionada por Gabriel García Márquez, em "A Aventura de Miguel Littín Clandestino no Chile". Foi na Fnac do Colombo que encontrei esta edição bilingue, a preço promocional, e não hesitei em adquiri-la. Não tenho por hábito ler livros de poesia, apesar de gostar de poesia. Deste autor, Prémio Nobel de Literatura de 1971, nunca tinha lido nada, pelo que foi com grande curiosidade e entusiasmo que dei início a esta leitura.

Posteriormente, este livro foi também mencionado em:
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Gostei. Era-me desconhecida a obra poética de Pablo Neruda, e esta colecção de poemas, apesar de terem sido escritos quando o autor era ainda bastante novo, são de facto muito belos. Por vezes é uma poesia dura, directa e literal, mas na maioria das vezes, é extremamente subtil e melodiosa. Ouvimos contar histórias de amor e de paixão, provavelmente sempre do mesmo amor, nas suas diversas etapas e momentos, até chegar à canção desesperada (minha parte favorita). O objecto do seu amor, a mulher e o seu corpo, são sublimados, encontrando-se quase sempre num nível superior ao do poeta apaixonado, solitário e sofredor. Por outro lado, elementos do mundo natural, são frequentemente utilizados, conferindo corpo aos sentimentos e aos estados de espírito. Considero pessoalmente, que esta experiência de leitura foi bastante positiva, e julgo que se revelou uma excelente forma dos livros de poesia darem "entrada" neste blogue.

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 O poema 20 - "Posso escrever os versos" cantado por Paco Ibañez

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Tal como aconteceu no post anterior, e como seria de esperar, não existem grandes referências neste blogue. Aproveito pois para colocar alguns links sobre o autor deste livro, para quem tenha ficado interessado em saber um pouco mais.




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O Jardineiro - Rabindranath Tagore

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nácar - O mesmo que madrepérola ; [figurado]  Cor-de-rosa.
segadura - ferro que se adapta ao timão do arado, adiante da relha, para facilitar a lavra e cortar as raízes.  

Copihues

Saturday, August 4, 2012

A Pequena Sereia - Hans Christian Anderson

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É ao livro "Os Passos Perdidos" de Alejo Carpentier que devo este regresso ao passado. Apesar de Hans Christian Anderson ser um dos autores principais da minha infância, esta história em particular não o foi. O imaginário das sereias foi algo que nunca me atraiu muito, pelo que esta história ficou por ler. É claro que conheço a história em linhas gerais, mas desafiei-me agora lê-la na íntegra. Este exemplar de 1984 foi obtido, mais uma vez, através da Winking Books.

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Foi até engraçado ler este livro. As ilustrações deste exemplar são tão estranhas e antigas, que chegam a ser giras. Quanto ao texto, é uma história de amor, trágica. Quase um Romeu e Julieta para os mais novos (apesar das diferenças no desfecho), mas nem por isso suavizado. Já me tinha esquecido como os contos infantis podem ser tão "duros", apesar do público a que se destina. Achei o final da história bastante triste. Claro que se retiram ensinamentos válidos, como por exemplo, a máxima de lutar pelos nossos sonhos, independentemente dos sacrifícios a que isso obrigue, mas sem deixarmos de sermos íntegros. E isso será talvez, o aspecto mais válido deste livro, a mensagem que fica. Uma razoável história para os mais novos, mas haverá com certeza histórias alternativas, que transmitam a mesma mensagem, sem haver tanto "sofrimento" à mistura.

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Pela visualização do trailer, julgo que o guião cinematográfico terá sofrido alterações em relação ao original de Hans Christian Anderson. Talvez para não ter um final tão triste, não sei. Provavelmente terá sido por isso que me surpreendi com o final do livro.


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Uma vez que este conto não nos traz referências, o que é natural, por se tratar de um livro infantil, resolvi dedicar um espaço do post ao autor, que como já referi, foi um dos autores que mais marcaram as minhas leituras de infância: Hans Christian Anderson.

Hans Christian Andersen nasceu no seio de uma família dinamarquesa muito pobre. O seu pai era um sapateiro de vinte e dois anos, instruído mas de saúde fraca, e de uma lavadeira vários anos mais velha. Toda a família vivia e dormia num único quarto. O pai adorava o seu filho a quem fomentou a imaginação e a criatividade, deixando-o aprender a ler, contando-lhe histórias e, mesmo, fabricando-lhe um teatrinho de marionetas. Hans apresentava no seu teatro peças clássicas, tendo chegado a memorizar muitas peças de Shakespeare, que encenava com seus brinquedos.

Em 1816, seu pai morreu e ele, com apenas onze anos de idade, foi obrigado a abandonar a escola. Hans Christian foi forçado a se sustentar. Trabalhou como aprendiz de tecelão e, mais tarde, para um alfaiate. Aos quatorze anos, mudou-se para Copenhaga para procurar emprego como ator. Um colega do teatro disse-lhe que o considerava um poeta. Levando a sério a sugestão, começou a focar-se na literatura. Andersen nasceu e viveu numa época em que a Dinamarca regressava ao nacionalismo ancorado em valores ancestrais. De certa forma graças à sua infância pobre, Andersen teve a chance de conhecer os contrastes da sua sociedade, o que influenciou bastante as histórias infantis e adultas que viria a escrever quando mais velho.

Em Copenhaga as suas atitudes diferentes, depressa o isolaram como um lunático. Apesar da sua voz lhe ter falhado, foi admitido no Teatro Real pelo seu diretor, Jonas Collin, de quem se tinha aproximado e que seria seu amigo para o resto da vida. Andersen trabalhou no teatro como ator e bailarino, para além de escrever algumas peças.
]Jonas Collin, que após um encontro casual com Andersen imediatamente sentiu um grande carinho por ele, enviou-lhe para uma escola em Slagelse, cobrindo todas as suas despesas. Andersen já havia publicado seu primeiro conto, O Fantasma da Tumba de Palnatoke, em 1822 . Embora não tenha sido um aluno exemplar, ele também frequentou a escola em Elsinore, até 1827.
Apesar da sua aversão aos estudos, Andersen permaneceu em Slagelse e Elsinor até 1827, embora tenha confessado mais tarde que estes foram os anos mais escuros e amargos da sua vida. Durante esse período, Collin financiou os seus estudos.

Em 1828, foi admitido na Universidade de Cpenhaga. Em 1829, quando os seus amigos já consideravam que nada de bom resultaria da sua excentricidade, obteve considerável sucesso com Um passeio desde o canal de Holmen até à ponta leste da ilha de Amager, e acabou por alcançar reconhecimento internacional em 1835, quando lançou o romance O Improvisador, na sequência de viagens que o tinham levado a Roma, depois de passar por vários países da Europa.

Contudo, apesar de ter escrito diversos romances adultos, livros de poesia e relatos de viagens, foram os contos de fadas que tornaram Hans Christian Andersen famoso. Especialmente pelo fato de que, até então, eram muito raros livros voltados especificamente para crianças.
Ele foi, segundo estudiosos, a "primeira voz autenticamente romântica a contar histórias para as crianças" e buscava sempre passar padrões de comportamento que deveriam ser adotados pela nova sociedade que se organizava, inclusive apontando os confrontos entre "poderosos" e "desprotegidos", "fortes" e "fracos", "exploradores" e "explorados". Ele também pretendia demonstrar a ideia de que todos os homens deveriam ter direitos iguais.

Entre 1835 e 1842, Andersen lançou seis volumes de Contos, livros com histórias infantis traduzidos para diversos idiomas. Ele continuou escrevendo seus contos infantis até 1872, chegando à marca de 156 histórias. No começo, escrevia contos baseados na tradição popular, especialmente no que ele ouvia durante a infância, mas depois desenvolveu histórias no mundo das fadas ou que traziam elementos da natureza.
No final de 1872, Andersen ficou gravemente ferido ao cair da sua própria cama, e permaneceu com a saúde abalada até 4 de Agosto de 1875, quando faleceu, em Copenhague, onde foi enterrado.

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