Tuesday, May 29, 2012

A Aventura de Waverly - Walter Scott

Linked by...
Foi no livro "O Moinho à Beira do Rio" , que George Eliot se referiu a esta aventura de Walter Scott. Desconhecendo de todo de que se tratava, foi sem qualquer expectativa que iniciei a sua leitura. Não foi dos livros mais fáceis de encontrar, mas acabei por encontrei um exemplar em boas condições (na foto) em www.alfarrabista.com.

Nota -  Posteriormente este livro foi também mencionado nas seguintes obras:
Linked opinion...
Só tenho a agradecer a George Eliot esta referência, pois dificilmente iria ler esta obra, apenas por minha iniciativa. Como já atrás tinha referido, não fazia qualquer ideia do que tratava este livro. O tema em si não é dos que me causam mais interesse, visto tratar das aventuras de um jovem inglês que se vê envolvido, pela trama de muitas histórias, na revolução de 1745. Nesta revolução, o pretendente ao trono Charles Edward Stuart, tentou, (malogradamente), obter o trono de Inglaterra e Escócia para seu pai, James Stuart.  No entanto, o facto de decorrer nas Highlands escocesas no tempo dos clãs, foi algo que me agradou. Sempre considerei a Escócia e as suas Terras Altas como místicas, pois durante a minha infância, muitas foram as histórias sobre elas e os seus clãs, que fizeram voar a minha imaginação. A Escócia é sem dúvida um daqueles locais que sempre desejei visitar. A forma como está escrito também me agradou bastante, e fez com que o interesse se mantivesse até à ultima linha. Demonstra o autor uma cultura vastíssima, e uma forma de escrever um pouco diferente do habitual, intercalando a sua prosa com vários "brindes" para o leitor.  Pequenos poemas, provérbios e ditos populares, expressões gaélicas, francesas e latinas, entre outras, sempre a propósito de ilustrar melhor o que a prosa ia contando. Será natural que este autor volte a ser lido nesta minha própria "aventura" dos Linked Books (uma vez que outras duas obras do autor já foram mencionadas em livros já lidos). É com agrado que antecipo essas leituras.

Linked music... 

 Coronach (canto fúnebre)


No livro foram mencionadas as canções jacobitas

"Faithless Nancy Dawson"

"Os Tambores de Dumbarton"

"Goodnight and joy be wi' you a'" 


Linked dances...

Strathspey (dança montanhesa)


Linked books...

A Vida Era Assim em Middlemarch - George Eliot (publicidade de contracapa da editora)
Tom Jones - Henry Fielding (referido no prólogo por Gentil Marques)
Noite de Reis - William Shakespeare
Picara Justina - Francsico Lopez de Ubeda
The History of the Rebellion in the year 1745 - John Home
Crook in the Lot - Thomas Boston
Odisseia - Homero
Ab Urbe Condita Libri - Tito Lívio
A Dama do Lago : Poema em Seis Cantos - Walter Scott
The Lay of the Last Minstrel - Walter Scott

Obras do autor referidas no Prólogo de Gentil Marques:

Ivanhoe - Walter Scott 
O Pirata - Walter Scott
O Talismã - Walter Scott
O Cavaleiro da Escócia - Walter Scott
A Noiva de Lamermoor - Walter Scott
A Donzela do Nevoeiro - Walter Scott
Rob Roy - Walter Scott

Linked places...
Uma pequena amostra dos muitos locais mencionados no livro.


Loch Katrine (Stirling, Escócia)
Avignon (França)
Dundee (Escócia)
Preston (Lancashire, Inglaterra) - 1862
Perthshire (Escócia)
Edinburgh (Escócia)

Linked proverbs and sayings...
Muitos foram os provérbios e ditos populares com que Walter Scott coloriu a sua prosa. Aqui ficam alguns:


"Possa estar sempre cheia a mão que se abre" (provérbio celta)

"Falcão ou montanhês, todos temos que cumprir o nosso fadário" (ditado)

"Mais vale uma velha com uma bolsa na mão, que três rapazes de espada à cinta" (máxima)

"Quando deixa de abrir-se a mão do chefe, gela-se o bafo nos lábios de bardo"

"Quem o sabe e torna a perguntar, lá nas profundas o há-de pagar"

"D'un petit pendemet bien joli" (Moliére)

"Pé que anda, sempre tropeça"

"Quanto mais rápida e segura é a vingança, melhor"

"O primeiro a chegar, é o primeiro a ser aviado"

"Assaz tem o que se contenta com o que tem" 

Linked people...
Este livro oferece-nos muitas referências a personalidades. Partilho aqui apenas algumas.


George II (1683-1760)
Pierre de Brantôme (1540-1614)


George I (1660-1727)


James III (1460-1488)
Castruccio Castracani (1281-1328)
Izaak Walton (1593-1683)
Miguel de Cervantes (1547-1616)
Linked words...

Teixo
lente - professor universitário.

teixo - árvore conífera da família das taxáceas.

libar - beber em honra de alguém (parte ou todo o líquido contido em copo ou taça, derramando ou não o que pode ficar).
estentor - pessoa que tem a voz muito forte.
patíbulo - Lugar de execução da pena de morte. = CADAFALSO 
lei sálica - código das leis francas escrito em latim. [Diz-se particularmente de uma das suas disposições, em virtude da qual as mulheres eram excluídas do trono.] 
boldrié - correia a tiracolo, a que se prende uma arma ou em que se firma o conto da haste da bandeira. = TALABARTE ; cinturão, geralmente de couro. 
clavina - carabina. 

Friday, May 25, 2012

Inês de Portugal - João Aguiar

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O "link" que me trouxe a este livro, foi a publicidade na contracapa do livro "O Deus das Moscas" de William Golding. Foi novamente pela Winking Books (comunidade online de troca de livros), que consegui um exemplar desta obra, cujo autor me era totalmente desconhecido. Apesar de abordar uma parte da História de Portugal sobejamente conhecida, dei o benefício da dúvida. Talvez me viesse a surpreender, pensei.

Linked opinion...
A esperança de ser surpreendida, não se concretizou. Bem sei que se trata da História de Portugal, e que o autor lhe deve ser fiel. No entanto, esta não era uma crónica, mas um romance histórico. Talvez um olhar novo , para um tão conhecido assunto, pelo menos.... Contudo, também há que ter em conta que foi escrito primeiramente enquanto guião para o filme, o que também decerto terá imposto diversas restrições ao autor. Assim, o que temos é, a história de Inês de Portugal, entre a sua morte e o ser coroada rainha, com uns flashbacks ocasionais ao tempo em que decorre o romance entre D. Pedro e Inês de Castro (que é, de facto, muito cinematográfico...). Esta história, bem escrita, lê-se muito rapidamente, e é prazenteira a sua leitura. Pena é, realmente, a história em si. Dizem que é uma grande história de amor, esta de Pedro e Inês, de um amor infinito no tempo e no espaço, da mais linda história de amor que este nosso país conheceu... O que eu vejo é, em primeiro lugar adultério (D. Pedro era casado com D. Constança quando a "linda história de amor" começou..., em segundo lugar incesto (D. Pedro e D. Inês eram primos, e daí a proibição do seu casamento), depois loucura (de um homem habituado a ter tudo o que quer, e que perde o seu amor), perjúrio (o que D. Pedro jurou a seu pai, D.Afonso, fê-lo apenas por interesse próprio, e quando o pai morreu, faltou á promessa), traição (entregou a Castela, em troca pelos "assassinos de Inês", nobres que lhe haviam pedido refúgio) e por fim assassinato (a morte dos "responsáveis" pela sentença de morte proferida a D. Inês, quando "todo o reino a queria morta"...).  Para além disso o nosso rei "justiceiro", diz-se que ficou com fome de justiça pelo que aconteceu à sua Inês (eu vejo sede de vingança...) e foi um implacável executor das leis. Punindo, por exemplo, de morte o crime de adultério (curioso...deve ser porque o adultério de Reis é coisa fina, é outra coisa), e misericórdia era palavra que não conhecia. História de amor? Mais uma vez, só se for sobre o seu poder destruidor. Para alguns momentos do prazer de Pedro e Inês, tantos tiveram as suas vidas destruídas. Mas parece que também sempre foi assim. Por amor, pela fé, pela pátria, pela justiça, e por tudo e mais alguma coisa, tanto sangue, tanto ódio, tantas vidas perdidas. A nossa história (e da humanidade em geral) está pejada de vergonhas, mas que são embelezadas em histórias épicas ou de amor, talvez porque viver com tamanho legado se tornasse demasiado pesado. Ou então para que quem ocupe o poder possa continuar a escrever nas mesmas linhas, do livro da história da humanidade, que esse sim, é o livro mais triste do mundo.

Linked movie...


Linked books...
No texto foram referenciados dois títulos:
Os Lusíadas - Luis Vaz de Camões
Crónica do Senhor rei Dom Pedro - Fernão Lopes
De todas as obras do autor publicitavas no final do livro, escolhi uma. O critério foi apenas ter sido a primeira que encontrei disponível na Winking Books:

Linked music...


Foram referidas as trovas de El-Rei D. Dinis. Aqui uma cantiga de amor: "O que vos nunca cuidei a dizer"

Linked places...
 Dos muitos lugares mencionados, ficam aqui alguns:

 
Marco de Canaveses aqui em 1910. (Porto, Portugal)

Muralhas/Castelo de Monterrey (Galiza, Espanha)
Chaves (Vila Real, Portugal)
Alcanede (Santarém, Portugal)
Linked words...

Charamela

charamela - espécie de clarinete pastoril. 

segrel - cavaleiro trovador.; jogral.

merlão -  parte do parapeito entre duas seteiras.

almadraquexa - travesseiro.
 
Seteiras e Merlão
Segrel
beetria - localidade que gozava o direito de eleger todos os seus magistrados.

mesnada - tropa mercenária.

adarve - espaço estreito que corre ao longo do alto das muralhas para serviço das ameias; muralha.

Adarve

Wednesday, May 23, 2012

O Hóspede de Job - José Cardoso Pires

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Este livro surge por referência de "O Deus das Moscas" de William Golding. Não se tratou de uma referência directa, mas sim por publicidade da editora, na sua contracapa. Tratando-se de José Cardoso Pires, uma referência na literatura nacional, aceitei sem reservas esta referência, apesar da sua natureza indirecta. Obter um exemplar desta obra, também foi muito fácil. Para tal, utilizei como recurso uma comunidade online de troca de livros, a Winking Books, através da qual obtive um exemplar em perfeitas condições. Já antes, o livro "O Processo" de Kafka, fora obtido do mesmo modo, e julgo que mais se seguirão. Aos amantes de livros, aconselho vivamente a utilização desse site.

Linked Opinion...
Já esperava uma boa leitura, o que veio a confirmar-se. Mas uma surpresa me esperava. Senti-me quase "em casa" durante esta leitura. Apesar deste tempo já não ser o meu, e talvez pouco diga às gerações pós 25 de Abril, o lugar é o meu. O meu Alentejo, a minha terra, "as minhas gentes"... tudo me pareceu tão familiar. A minha terra natal, tal como o Cercal Novo, foi durante muitos anos uma "vila-quartel", de artilharia, com um polígono de tiro, e bem perto de Lavre e de Montemor. Da pobreza do Alentejo desses tempos, das jornas de terra em terra, da procura de trabalho longe do lar, foram também protagonistas os meus avós paternos. Deles me habituei a ouvir as histórias das "durezas" desses tempos. E é assim este livro, também ele simples e duro, contrastando as agrestes realidades do figurado "Job" com as do seu hóspede. A balança com um prato totalmente vazio, de pobreza, e o outro pesado a abarrotar , de (pre)potência do visitante. Personagens fortes, corajosas, pobres, leais, há de tudo, nestas gentes do Alentejo. Em redor delas se desenvolvem mini histórias que me prenderam às páginas deste livro, a partir do primeiro momento. Apenas não gostei de um pequeno pormenor: cheguei ao fim demasiado depressa...

Linked people...

Sébastien Le Preste de Vauban (1633-1707)
Ardant du Picq (1821-1870)

Matthew Ridgway (1895-1993)
George S. Patton (1885-1945)
Linked songs...


 



Linked bird...

Peneireiro
Linked places...
Muitos são os locais referidos. Para partilhar, escolhi alguns...

Beringel (Beja, Portugal) foto de Nuno Chacoto
Lavre (Évora, Portugal)
Montemor-o-Novo (Évora, Portugal) foto de João Fialho
Monte Cassino (Itália)
Kalamazoo (Michigan, USA)
Linked books...
As obras referidas no texto, de "literatura de cordel", são os folhetos lidos pelo velho Aníbal, os quais não podem ser aqui incluidos. No entanto não quis deixar de, de alguma forma dar continuidade a esta leitura. No final do livro estavam referidas todas as obras do autor publicadas pela editora. Não podendo incluir todas, procurei na Winking Books se havia alguma disponível. Assim, ficou esta como única referência deste post:


Sovela
Linked words...

locanda - tenda, tasca, loja reles.

gaibéu - mondador que trabalha nas lezírias do Ribatejo.

ganhão -  homem sem ofício que trabalha a jornal; cavador; zagal; homem rude. = RÚSTICO


algoz - pessoa que inflige castigos físicos ou pena de morte; pessoa cruel.

sovela -  instrumento com que os sapateiros e correeiros abrem os furos por onde fazem passar a cerda com o fio.

Monday, May 21, 2012

A Abadia do Pesadelo - Thomas Love Peacock

Linked by...

É a partir do livro "A Alternativa Wilt" de Tom Sharpe, que chego a esta obra. Tratando-se de um título bastante antigo, não foi fácil encontrar um exemplar. Quando já me tinha convencido de que a única forma de conhecer esta obra seria ler o e-book em inglês, encontrei, um pouco por sorte, uma 1ª edição na Frenesi. Não hesitei, pois,  em fazer a encomenda online. Foi com surpresa que ao receber o livro verifiquei que nunca havia sido lido, uma vez que tive de separar as folhas, algo que nunca tinha tido o "prazer" de fazer. Julgando-a uma obra antiga e de leitura talvez densa e pesada, surpreendeu-me ver que fazia parte da colecção "Biblioteca dos Humoristas". Foi assim com enorme curiosidade que comecei a ler este livro.

Nota: Posteriormente à sua leitura, o autor desta obra surgiu indicado também em:


Linked opinion...
Gostei bastante deste livro, tanto da sua história como pela forma como está construído. Melhor ainda que a história, são as suas personagens deliciosas e perfeitamente conseguidas, no sentido da sátira pretendida pelo autor. Thomas Love Peacock satiriza neste livro o Romantismo, e alguns dos autores românticos da época. Apesar de o prefácio, de Jorge de Sena,  ajudar ao entendimento do propósito do autor, não é contudo imprescindível. A história em si evidencia os "ridículos" de cada personagem, e das suas "visões da vida". A tristeza, a melancolia, a misantropia, etc., como única forma de elevação intelectual, e os "males" do amor enquanto necessários a essa tão profunda tristeza, que só o "génio" detém...Enfim, esta é uma das visões. Talvez a mais preponderante, visto ser partilhada pelos dois personagens principais da história. A história e os seus personagens são em si mesmo muito engraçados. Achei também sagazes os nomes atribuídos aos personagens, que os tornam ainda mais hilariantes. De todos, o meu preferido, embora sem grande intervenção na história, foi o Mr. Listless, o cúmulo da preguiça e da inércia, a quem as forças escasseiam para fazer seja o que for. E se não forem as forças, serão os nervos...que ficam num estado tal, que lhe suga toda a energia. Resumindo, achei realmente o livro muito bom, e proporcionou-me para além do riso ocasional, motivo para reflexão sobre a vida e sobre como a entendemos e vivemos.

Linked review... 

“(…) os seus dotes de ensaista e de comediógrafo vão encontrar, de par com os de poeta, a mais original das ocupações nos romances admiráveis de ironia, lucidez, cultura e espírito satírico (…) entre os quais se destaca esta Abadia, e cuja importância, através de um Jorge Meredith, um Norman Douglas, e um Aldous Huxley, não tem cessado de aumentar na literatura inglesa”.
Jorge de Sena 
Linked people...
François Rabelais (1494 - 1553)

Friedrich Schiller (1759 - 1805)
George Berkeley (1685-1753)
Jeremy Taylor (1613-1667)

Linked music...
O compositor Rossini foi mencionado no livro. Aqui a escolha por um trecho de uma das suas mais conhecidas obras "O Barbeiro de Sevilha"

 
 "Nina, o sia la pazza per amore" de Giovanni Paisiello

"Don Giovanni" de Mozart

Linked books...
São várias as obras referidas por este livro. Entre elas:
Erewhon - Samuel Butler
Kubla Khan - Samuel Taylor Coleridge
Stella - Johann Wolfgang Goethe 
O Purgatório - Dante Alighieri
Childe Harold´s Pilgrimage - Lord Byron

Linked places...
Berkeley Square (Londres, Inglaterra). Fotografia de David Wallace.
Lincolnshire (Inglaterra)

Brasenose College, originalmente designado por Brazen Nose College (Oxford, Inglaterra)
West End (Londres, Inglaterra)
Gronelândia
Linked poem...
"The Tempest" by James T. Fields
We were crowded in the cabin;
Not a soul would dare to sleep:
It was midnight on the waters,
And a storm was on the deep.

 ’Tis a fearful thing in winter
To be shattered by the blast,
And to hear the rattling trumpet
Thunder, “Cut away the mast!”

So we shuddered there in silence,
For the stoutest held his breath,
While the hungry sea was roaring,
And the breakers threatened death.

And as thus we sat in darkness,
Each one busy in his prayers,
“We are lost!” the captain shouted,
As he staggered down the stairs.

But his little daughter whispered,
As she took his icy hand,
“Isn’t God upon the ocean,
Just the same as on the land?”

Then we kissed the little maiden,
And we spoke in better cheer;
And we anchored safe in harbor
When the morn was shining clear.
Linked words...
atrabiliário - que ou quem é colérico ou melancólico.
serralho - palácio de sultão, no império otomano; o mesmo que harém.
antitéticos - que encerra antítese; pé métrico inverso do tético. 
facécia - chiste, graça; motejo. 
estíptico - que serve para apertar ou contrair; que tem avareza. = AVARENTO, AVARO, SOMÍTICO, SOVINA.
silfo - génio do ar (na mitologia céltica e germânica da Idade Média).

Tuesday, May 15, 2012

O Processo - Franz Kafka

Linked by...
Este livro apareceu referenciado em O Deus das Moscas de William Golding, mas apenas enquanto publicidade da editora em contracapa, e não no texto. De qualquer das formas, por vezes, tenho aceitado essas referencias , de igual forma como aceito as que surgem directamente no texto. E este título não seria para descurar. Estava bastante curiosa ao iniciar a sua leitura, imaginando como seria esta obra. Do autor, apenas havia lido "A Metamorfose", e apesar de não ter correspondido totalmente às minhas expectativas, constituiu uma leitura inolvidável.

Posteriormente, foi também mencionado em:
Linked opinion...
Este livro causou-me essencialmente um sentimento de "estranheza". Relembrei, a propósito, as mesmas emoções que senti ao  ler "A Metamorfose"... Existe enredo e história, que nos capta o interesse e nos faz avançar na sua leitura. Contudo, se no fim nos perguntarmos o que foi de facto contado, pouco ou nada se extrai... É claro que entendemos que se trata de uma crítica. Em particular ao sistema judicial excessivamente burocratizado, e, em geral, à nossa forma de organização social. Uma sociedade cuja estrutura é considerada opressiva, e na qual, o indivíduo acaba por ser "engolido" , perdendo-se numa complicada engrenagem, sem pouco ou nada poder fazer, para dela se escapar. No fundo, uma crítica à falta de liberdade individual da sociedade moderna, uma vez que a modernidade tende a iludir-nos a noção contrária. Se uma parte figura no livro, outra parte, talvez a maior, retiramos depois. Inúmeras interpretações (filosóficas, psicológicas, etc.) têm sido feitas a esta obra. Parece-me que este livro acaba por ser um ponto de partida para uma "discussão" mais profunda, e uma base para as mais diversas análises e reflexões. A forma como é escrito, e que me causou "estranheza", baseia-se no facto de se relatarem locais, pessoas, mas em particular, interacções tão reais quanto absurdas, ou despropositadas. Estas, captam o leitor, mas  de nada servem o enredo, ou se o fazem, só mesmo de forma tangencial. Esta, pelo que entendi, é a forma natural de Kafka escrever, que lança aqui também vários pontos de partida para interpretações, procura de simbolismos e metáforas. Categorizando, julgo que se tratará de algo que se costuma chamar de realismo fantástico, mas que em vez de ser "colocado na caixa", talvez se possa designar apenas de "kafkiano". Aquilo que o autor de facto quis dizer, talvez apenas ele o saberá. Para mim, considero que esta obra constitui um excelente motivo  para reflexão e para debate, tal como o foi também para mim,  "A Metamorfose". 

Linked movies...
Estas são as duas mais importantes versões cinematográficas deste livro de Kafka.
 



Linked books...
O único livro referenciado, que surge apenas em publicidade de contra-capa, é:
Os Carneiros de Fogo - Pierre Gascar

Linked words...

igualha -  identidade de condição social ou moral.
otomana - sofá largo sem respaldo.
sequazes - que ou pessoa que segue, que acompanha; partidário; membro de um bando ou partido (relativamente ao chefe ou à ideia); sectário; seguidor.
libelo - exposição breve e articulada do que se pretende provar contra um réu; acusação; escrito acusatório.
retábulo - obra de arte de pedra ou madeira esculpida, de encontro ao altar; painel ou quadro de altar. 

Wednesday, May 9, 2012

Os Lusíadas de Luís de Camões, Contados às Crianças e Lembrados ao Povo - João de Barros


Linked by...

Foi a partir de Coca-Cola Killer de António Vitorino de Almeida, que cheguei a este livro. Contudo, a referência não é para ele. O livro menciona "Os Lusíadas" de Luís Vaz de Camões, e não esta versão, em prosa e "simplificada", que eu desconhecia sequer existir. Acontece que procurava os Lusíadas na feira da ladra, convicta de ir encontrar um exemplar. O intuito era o de revisitar esta obra, seguindo o "link" do Coca-Cola Killer. Já tinha encontrado um, mas como se estava literalmente a "desfazer", continuei a minha procura, e é nessa procura que li numa lombada  "Os Lusíadas de Luís de Camões". Finalmente...pensei. Enganava-me. Era esta versão. Contudo, chamou-me a atenção e fiquei curiosa...Como seria possível transformar os Lusíadas em prosa, sem massacrar esta obra de inegável genialidade poética? E para quê? Com que finalidade se macularia tamanho legado da nossa cultura? Bem, só lendo...Dois euros, disse o senhor. Comprado, apesar de dar para comprar 4 na banca do lado...

Linked opinion...

Foi com enorme curiosidade que "peguei" neste livro, e confesso, com baixas expectativas. Julguei que haveria duas possibilidades. Uma: o livro seria de facto, uma versão em prosa muito simplificada para crianças, e aí nada haveria a apontar, uma vez que tendo como público alvo os mais novos, seria justificado este "atentado" à obra original, para que os mesmos a conhecessem e entendessem. Duas: iria deparar-me com uma história em prosa, sem qualquer qualidade, e que na qual, nem por sombras se vislumbraria  pitada da magnitude dos Lusíadas. Pois bem, estava enganada. Logo ao ler o prefácio, me dei conta que os "medos" que a mim me assaltavam, também os teve o autor da obra. Também ele temia "conspurcar" ou diminuir de alguma forma, o que são os Lusíadas e os intentos de Camões. E em minha opinião não o fez. A história que ele conta, é de facto a história dos Lusíadas, entendível para os mais novos, mas não demasiado simplificada. Há nesta prosa emoção, brio, e melodia. Não é a mesma melodia que a poesia proporciona, muito menos a poesia genial de Camões, mas serve o intuito de contar a sua história sem perder do original (em termos da história em si, é claro). Para que os mais novos consigam entender a obra poética, e até em jeito de preparação para essa leitura, julgo que a leitura deste livro poderá ser um enorme benefício. Aos mais novos, e não só. Penso também nos mais velhos que deixaram "escapar" esta obra. Assim quando chegar a altura de ler cantos de Camões, poderão os leitores estar mais disponíveis para os entender, absorver e apreciar, em toda a sua grandiosidade.

Nota: Verifiquei posteriormente a ter emitido esta opinião, que este livro está integrado no plano nacional de leitura e que é recomendado para todas as idades. Tenho pena que não tivesse sido "no meu tempo", pois acredito que menos pessoas relembrariam os Lusíadas como "uma grande seca...".

Linked review...

"Era uma vez um povo de marinheiros e de heróis, o povo português, o nosso povo, que já lá vão muitos anos — mais de quatrocentos — quis descobrir o caminho marítimo para a Índia. A Índia aparecia então, aos olhos de todos os Europeus, como terra de esplendor e de riqueza, que todos os homens desejavam, mas onde era difícil, quase impossível chegar.

Quatro pequenos navios — tão pequenos sobre o imenso, ignorado Oceano! — Quatro naus comandadas pelo grande capitão Vasco da Gama lançaram-se através do Atlântico, só conhecido até ao Cabo da Boa Esperança, dobraram esse Cabo e puseram-se de vela para a região que demandavam.

O vento era brando, o mar sereno. Até então a viagem correra sossegada. Mas os perigos seriam constantes, a travessia arriscada, a viagem longa. E ninguém sabia ao certo o rumo a seguir, pois nunca outra gente se atrevera sequer a tentar tão comprida e custosa navegação.

Só a coragem e a audácia dos Portugueses seria capaz da proeza heróica! Assim inicia João de Barros a sua adaptação em prosa de Os Lusíadas, o poema épico português. Nesta obra, o autor condensa e simplifica a leitura dessa jóia da literatura nacional, tornando-a acessível a um público mais jovem, mas interessado em conhecer a sua História e as suas Origens."


Linked people...

São muitas as personalidades que são referidas neste texto. Estas foram as que escolhi para partilhar.

Vasco da Gama
Nuno Álvares Pereira
Viriato

Antão Vaz de Almada (Diplomata português, nascido em 1573 e falecido em 1644, foi o grande impulsionador da Restauração. Após o triunfo da revolução, foi nomeado por D. João IV embaixador em Londres. Graças aos seus esforços diplomáticos, foi assinado um Tratado de Paz e Aliança entre Inglaterra e Portugal, que foi fundamental para a manutenção da independência do nosso país)

Linked places...

Abundam os locais nesta "história". Não sendo possível colocá-los todos, foram seleccionados apenas alguns.

Cabo da Boa Esperança (África do Sul)


Cananor (Índia)
Cochim (Índia)
Malaca (Malásia)
Mombaça (Quénia)


Deserto do Saara

Linked words...

aljava - coldre ou recipiente para setas, geralmente transportado ao ombro.

chuço -  pau armado de ponta aguda de ferro.

aljôfar - pérolas miúdas. 

procela - tormenta no mar, tempestade.