Thursday, October 18, 2012

O Mandarim - Eça de Queirós

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Foi no livro "Os Comedores de Pérolas" de João Aguiar que este título de Eça de Queirós foi mencionado. Apesar de conhecer alguns livros deste autor, este em particular era-me totalmente desconhecido. Fiquei muito curiosa uma vez que uma pesquisa breve revelou que esta havia sido uma obra algo controversa e contestada deste autor. Assim, pouco tempo depois de ter obtido um exemplar (através da Winking Books), não resisti a iniciar a sua leitura.

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Ao iniciar a leitura deste livro, sabia apenas duas coisas: em primeiro lugar, que nunca tinha ouvido falar deste título, e em segundo, que  Eça de Queirós aqui se havia afastado do realismo que lhe era habitual (e tendencial da época). Estes dois factos, ao invés de me afastarem da leitura, espicaçaram ainda mais o meu interesse.

Foi com grande surpresa minha que constatei, que no final da pág. 12, tinha adquirido a certeza absoluta de que esta história me era familiar. Já não tinha qualquer dúvida em relação a isso, mas de onde?... perguntava-me eu. Fechei o livro, e pus-me a pensar. Um filme! é isso.., e lembrei-me. Partilho aqui o trailer desse filme, que se intitula "The Box".

Lembro-me de ao acabar de ver esse filme, ter pensado que a ideia central da história era excelente e que tinha inúmeras possibilidades de desenvolvimento. Essa ideia central é a caixa, e o dilema que envolve o carregar ou não no seu botão. Pensei também em como já é raro surgirem ideias diferentes nestes filmes de Hollywood, e que pelo menos teria de ser atribuido algum crédito ao filme por esse facto. Isto porque o filme é francamente mau, tendo "aparvalhado" (como costumamos dizer cá por casa), pouco tempo depois da ideia central ter sido apresentada. Independentemente disso, ficou-me este pensamento: algum mérito tem que ser atribuído ao escritor pela sua ideia inicial.

Agora reparem no que "descubro" agora: aparentemente o escritor a quem deve ser dado esse mérito é nada mais nada menos que Eça de Queirós ?!. Interrogei-me sobre como teria sido possível o escritor e guionista Richard Matthewson ter escrito a sua short story "Button, Button", sem haver qualquer menção a Eça de Queirós.  A história de Matthewson, antes ainda de ter sido utilizada como base do guião deste filme (The Box), havia servido primeiramente para um episódio do "Twilight Zone" (que aproveito para dizer que foi uma das minhas séries favoritas de sempre). Julguei então saber nesta altura de quem tinha sido a ideia, mas enganei-me. Anterior ainda a Eça, François-René de Chateaubriand, um autor francês, publicou em 1802 a obra "Le Génie du Christianisme", onde (segundo a Wikipedia), o autor pergunta ao leitor o que faria se pudesse ficar rico assassinando um mandarim da China, apenas com o poder da mente. Assim sendo, é mais semelhante a história de Eça com Chateaubriand, do que Mattewson com Eça, e afinal o mérito da ideia central é de François-René de Chateaubriand, escritor considerado o fundador do romantismo na literatura francesa.

A resumir grande parte da informação que obtive de forma fragmentada, encontrei (aqui) as seguintes afirmações :
  
"O registo genérico é o da farsa moralizante, e o ponto de partida é um problema moral que era conhecido, no século passado, como o “paradoxo do mandarim”. Formulado em 1802 por Chateaubriand, consistia numa pergunta: se você pudesse, com um simples desejo, matar um homem na China e herdar sua fortuna na Europa, com a convicção sobrenatural que nunca ninguém descobriria, você formularia esse desejo?"
 
Depois de saber tudo tudo isto, confesso que fiquei um pouco decepcionada, com o facto de a ideia central do livro não ser da autoria de Eça de Queirós, e de ter apenas desenvolvido a história a partir do "paradoxo do mandarim".  Por outro lado, este "apenas" tem muito que se lhe diga, pois apenas um autor notável o poderia ter feito desta forma. Devo dizer também, que apesar de esta obra ter sido muito criticada na altura, e de ter sido considerada uma obra menor de Eça de Queirós, eu pessoalmente não a consigo ver dessa forma. Um grande escritor, não deixa de ser "grande" porque envereda pelo fantástico em detrimento do naturalismo. Antes pelo contrário. Esta sua capacidade de se afastar da estética realista, a meu ver, é só mais uma prova da sua grandeza.
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Vinhos Médoc
Porcelana de Dresden
Vinhos Romanée-Conti
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Templo do Céu (Pequim, República Popular da China)
Travessa da Conceição (Lisboa, Portugal)
imagem do blogue: mariomarzagaoalfacinha.blogspot.pt


Palácio Valada - Azambuja (Lisboa, Portugal)
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Rua Nova do Almada (Lisboa, Portugal)
imagem do blogue: aps-ruasdelisboacomhistria.blogspot.pt


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Viola Francesa

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L’Oiseau

(Paul et Virginie)

1er couplet

L’Oiseau s’envole
Là bas là bas
L’Oiseau s’envole
Et ne revient pas
Ah pauvre fille
Reste à ta maison
Crois à ma chanson
L’Oiseau s’envole
Et ne revient pas

2ème couplet

Oiseau fidèle
Reste en ton doux nid
Oiseau fidèle
Que Dieu bénit
Ferme ton aile
Tu dormiras bien mieux
Que sous d’autres Cieux
Oiseau fidèle
Reste en ton doux nid

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Bonnie Dundee

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A canção de Mignon 

 (Johann Wolfgang von Goethe)
Conheces tu a terra, onde os limoeiros florescem,
Onde no meio da escura folhagem as laranjas douradas brilham,
Do céu azul uma brisa suave sopra,
Onde silencioso o mirto e alto o loureiro ficam?
Conhece-la bem?
Aí! Aí
Eu gostaria de ir contigo, minha amada.

Conheces tu a casa? Sobre colunas assenta o seu telhado.
Brilha o salão, brilha o aposento,
Erguem-se figuras de mármore e olham para mim:
O que te fizeram, pobre criança?
Conhece-la bem?
Ai, aí
Eu gostaria de ir contigo, meu protector.

Conheces tu a montanha e o seu caminho perdido nas nuvens?
O mar procura na bruma o seu caminho;
Nas cavernas reside a velha geração dos dragões;
As rochas precipitam-se e sobre elas a corrente!
Conhece-la bem?
Aí! Aí
Fica o nosso caminho! Ó pai deixa-nos ir!



Linked books...

Viagens na Minha Terra - Almeida Garrett (menção a Joaninha do Vale de Santarém)
Jerusalém Libertada - Torquato Tasso (menção aos jardins de Armida) 
Ifigénia na Táurida - Johann Wolfgang Goethe (foi mencionado Goethe no contexto do romantismo italiano: "A Itália será o eterno amor da humanidade sensível". Escolhi esta obra de Goethe para representar esta referência, pois foi escrita durante a sua viagem a Itália).
A Dama das Camélias - Alexandre Dumas (filho)  - foi mencionado este autor, e escolhida esta obra, a sua mais conhecida.
Mademoiselle de Maupin - Theóphile Gautier
A Taberna (L'assommoir) - Émile Zola
Odisseia - Homero (foram mencionadas as sereias de Homero)
Fausto - Johann Wolfgang Goethe (Mefistófeles foi mencionado...)

Estas obras estão relacionadas com o Mandarim de Eça de Queirós, tal como foi acima exposto na "Linked Opinion":

Le Génie du Christianisme - François-René de Chateaubriand
Button, Button - Richard Matthewson


Linked words...
infólio -  diz-se de um livro ou de um formato em que cada folha de impressão é apenas dobrada em duas.
nababo -   [figurado]  homem rico que vive com grande luxo e fausto. 
casabeque - casaco leve e curto de senhora. = CASAVEQUE, CASIBEQUE


Jaspe
Coolies
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Lao Tsé
Sarah Bernhardt
Heliogábalo
Tibério
Aspásia
Linked operas...

Le Roy de Lahore - Jules Massenet

 Madame Favart  - Jacques Offenbach

Linked poem...

Babel e Sião
(Luis Vaz de Camões)

Sôbolos rios que vão 
Por Babilônia, me achei,
 
Onde sentado chorei
 
As lembranças de Sião
 
E quanto nela passei.
  

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