Saturday, August 4, 2012

A Pequena Sereia - Hans Christian Anderson

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É ao livro "Os Passos Perdidos" de Alejo Carpentier que devo este regresso ao passado. Apesar de Hans Christian Anderson ser um dos autores principais da minha infância, esta história em particular não o foi. O imaginário das sereias foi algo que nunca me atraiu muito, pelo que esta história ficou por ler. É claro que conheço a história em linhas gerais, mas desafiei-me agora lê-la na íntegra. Este exemplar de 1984 foi obtido, mais uma vez, através da Winking Books.

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Foi até engraçado ler este livro. As ilustrações deste exemplar são tão estranhas e antigas, que chegam a ser giras. Quanto ao texto, é uma história de amor, trágica. Quase um Romeu e Julieta para os mais novos (apesar das diferenças no desfecho), mas nem por isso suavizado. Já me tinha esquecido como os contos infantis podem ser tão "duros", apesar do público a que se destina. Achei o final da história bastante triste. Claro que se retiram ensinamentos válidos, como por exemplo, a máxima de lutar pelos nossos sonhos, independentemente dos sacrifícios a que isso obrigue, mas sem deixarmos de sermos íntegros. E isso será talvez, o aspecto mais válido deste livro, a mensagem que fica. Uma razoável história para os mais novos, mas haverá com certeza histórias alternativas, que transmitam a mesma mensagem, sem haver tanto "sofrimento" à mistura.

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Pela visualização do trailer, julgo que o guião cinematográfico terá sofrido alterações em relação ao original de Hans Christian Anderson. Talvez para não ter um final tão triste, não sei. Provavelmente terá sido por isso que me surpreendi com o final do livro.


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Uma vez que este conto não nos traz referências, o que é natural, por se tratar de um livro infantil, resolvi dedicar um espaço do post ao autor, que como já referi, foi um dos autores que mais marcaram as minhas leituras de infância: Hans Christian Anderson.

Hans Christian Andersen nasceu no seio de uma família dinamarquesa muito pobre. O seu pai era um sapateiro de vinte e dois anos, instruído mas de saúde fraca, e de uma lavadeira vários anos mais velha. Toda a família vivia e dormia num único quarto. O pai adorava o seu filho a quem fomentou a imaginação e a criatividade, deixando-o aprender a ler, contando-lhe histórias e, mesmo, fabricando-lhe um teatrinho de marionetas. Hans apresentava no seu teatro peças clássicas, tendo chegado a memorizar muitas peças de Shakespeare, que encenava com seus brinquedos.

Em 1816, seu pai morreu e ele, com apenas onze anos de idade, foi obrigado a abandonar a escola. Hans Christian foi forçado a se sustentar. Trabalhou como aprendiz de tecelão e, mais tarde, para um alfaiate. Aos quatorze anos, mudou-se para Copenhaga para procurar emprego como ator. Um colega do teatro disse-lhe que o considerava um poeta. Levando a sério a sugestão, começou a focar-se na literatura. Andersen nasceu e viveu numa época em que a Dinamarca regressava ao nacionalismo ancorado em valores ancestrais. De certa forma graças à sua infância pobre, Andersen teve a chance de conhecer os contrastes da sua sociedade, o que influenciou bastante as histórias infantis e adultas que viria a escrever quando mais velho.

Em Copenhaga as suas atitudes diferentes, depressa o isolaram como um lunático. Apesar da sua voz lhe ter falhado, foi admitido no Teatro Real pelo seu diretor, Jonas Collin, de quem se tinha aproximado e que seria seu amigo para o resto da vida. Andersen trabalhou no teatro como ator e bailarino, para além de escrever algumas peças.
]Jonas Collin, que após um encontro casual com Andersen imediatamente sentiu um grande carinho por ele, enviou-lhe para uma escola em Slagelse, cobrindo todas as suas despesas. Andersen já havia publicado seu primeiro conto, O Fantasma da Tumba de Palnatoke, em 1822 . Embora não tenha sido um aluno exemplar, ele também frequentou a escola em Elsinore, até 1827.
Apesar da sua aversão aos estudos, Andersen permaneceu em Slagelse e Elsinor até 1827, embora tenha confessado mais tarde que estes foram os anos mais escuros e amargos da sua vida. Durante esse período, Collin financiou os seus estudos.

Em 1828, foi admitido na Universidade de Cpenhaga. Em 1829, quando os seus amigos já consideravam que nada de bom resultaria da sua excentricidade, obteve considerável sucesso com Um passeio desde o canal de Holmen até à ponta leste da ilha de Amager, e acabou por alcançar reconhecimento internacional em 1835, quando lançou o romance O Improvisador, na sequência de viagens que o tinham levado a Roma, depois de passar por vários países da Europa.

Contudo, apesar de ter escrito diversos romances adultos, livros de poesia e relatos de viagens, foram os contos de fadas que tornaram Hans Christian Andersen famoso. Especialmente pelo fato de que, até então, eram muito raros livros voltados especificamente para crianças.
Ele foi, segundo estudiosos, a "primeira voz autenticamente romântica a contar histórias para as crianças" e buscava sempre passar padrões de comportamento que deveriam ser adotados pela nova sociedade que se organizava, inclusive apontando os confrontos entre "poderosos" e "desprotegidos", "fortes" e "fracos", "exploradores" e "explorados". Ele também pretendia demonstrar a ideia de que todos os homens deveriam ter direitos iguais.

Entre 1835 e 1842, Andersen lançou seis volumes de Contos, livros com histórias infantis traduzidos para diversos idiomas. Ele continuou escrevendo seus contos infantis até 1872, chegando à marca de 156 histórias. No começo, escrevia contos baseados na tradição popular, especialmente no que ele ouvia durante a infância, mas depois desenvolveu histórias no mundo das fadas ou que traziam elementos da natureza.
No final de 1872, Andersen ficou gravemente ferido ao cair da sua própria cama, e permaneceu com a saúde abalada até 4 de Agosto de 1875, quando faleceu, em Copenhague, onde foi enterrado.

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2 comments:

  1. Tenho este livro! É um dos livros da minha infância. Concordo que é mesmo muito triste, acho até um pouco angustiante. Realmente as versões das histórias infantis hoje em dia estão muito mais suavizadas, por um lado acho que não vale a pena angustiar os miúdos com histórias tristes, mas por outro lado... a vida nem sempre é feliz ou fácil...

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  2. Uma grande verdade Maria :). Obrigada pelo seu comentário.

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