Friday, May 25, 2012

Inês de Portugal - João Aguiar

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O "link" que me trouxe a este livro, foi a publicidade na contracapa do livro "O Deus das Moscas" de William Golding. Foi novamente pela Winking Books (comunidade online de troca de livros), que consegui um exemplar desta obra, cujo autor me era totalmente desconhecido. Apesar de abordar uma parte da História de Portugal sobejamente conhecida, dei o benefício da dúvida. Talvez me viesse a surpreender, pensei.

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A esperança de ser surpreendida, não se concretizou. Bem sei que se trata da História de Portugal, e que o autor lhe deve ser fiel. No entanto, esta não era uma crónica, mas um romance histórico. Talvez um olhar novo , para um tão conhecido assunto, pelo menos.... Contudo, também há que ter em conta que foi escrito primeiramente enquanto guião para o filme, o que também decerto terá imposto diversas restrições ao autor. Assim, o que temos é, a história de Inês de Portugal, entre a sua morte e o ser coroada rainha, com uns flashbacks ocasionais ao tempo em que decorre o romance entre D. Pedro e Inês de Castro (que é, de facto, muito cinematográfico...). Esta história, bem escrita, lê-se muito rapidamente, e é prazenteira a sua leitura. Pena é, realmente, a história em si. Dizem que é uma grande história de amor, esta de Pedro e Inês, de um amor infinito no tempo e no espaço, da mais linda história de amor que este nosso país conheceu... O que eu vejo é, em primeiro lugar adultério (D. Pedro era casado com D. Constança quando a "linda história de amor" começou..., em segundo lugar incesto (D. Pedro e D. Inês eram primos, e daí a proibição do seu casamento), depois loucura (de um homem habituado a ter tudo o que quer, e que perde o seu amor), perjúrio (o que D. Pedro jurou a seu pai, D.Afonso, fê-lo apenas por interesse próprio, e quando o pai morreu, faltou á promessa), traição (entregou a Castela, em troca pelos "assassinos de Inês", nobres que lhe haviam pedido refúgio) e por fim assassinato (a morte dos "responsáveis" pela sentença de morte proferida a D. Inês, quando "todo o reino a queria morta"...).  Para além disso o nosso rei "justiceiro", diz-se que ficou com fome de justiça pelo que aconteceu à sua Inês (eu vejo sede de vingança...) e foi um implacável executor das leis. Punindo, por exemplo, de morte o crime de adultério (curioso...deve ser porque o adultério de Reis é coisa fina, é outra coisa), e misericórdia era palavra que não conhecia. História de amor? Mais uma vez, só se for sobre o seu poder destruidor. Para alguns momentos do prazer de Pedro e Inês, tantos tiveram as suas vidas destruídas. Mas parece que também sempre foi assim. Por amor, pela fé, pela pátria, pela justiça, e por tudo e mais alguma coisa, tanto sangue, tanto ódio, tantas vidas perdidas. A nossa história (e da humanidade em geral) está pejada de vergonhas, mas que são embelezadas em histórias épicas ou de amor, talvez porque viver com tamanho legado se tornasse demasiado pesado. Ou então para que quem ocupe o poder possa continuar a escrever nas mesmas linhas, do livro da história da humanidade, que esse sim, é o livro mais triste do mundo.

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No texto foram referenciados dois títulos:
Os Lusíadas - Luis Vaz de Camões
Crónica do Senhor rei Dom Pedro - Fernão Lopes
De todas as obras do autor publicitavas no final do livro, escolhi uma. O critério foi apenas ter sido a primeira que encontrei disponível na Winking Books:

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Foram referidas as trovas de El-Rei D. Dinis. Aqui uma cantiga de amor: "O que vos nunca cuidei a dizer"

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 Dos muitos lugares mencionados, ficam aqui alguns:

 
Marco de Canaveses aqui em 1910. (Porto, Portugal)

Muralhas/Castelo de Monterrey (Galiza, Espanha)
Chaves (Vila Real, Portugal)
Alcanede (Santarém, Portugal)
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Charamela

charamela - espécie de clarinete pastoril. 

segrel - cavaleiro trovador.; jogral.

merlão -  parte do parapeito entre duas seteiras.

almadraquexa - travesseiro.
 
Seteiras e Merlão
Segrel
beetria - localidade que gozava o direito de eleger todos os seus magistrados.

mesnada - tropa mercenária.

adarve - espaço estreito que corre ao longo do alto das muralhas para serviço das ameias; muralha.

Adarve

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