Thursday, April 19, 2012

Última Saída Para Brooklyn - Hubert Selby Jr.

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Foi em Wilt de Tom Sharpe  que este livro foi mencionado. Julgava desconhecer de todo o autor e este título, contudo no decorrer da sua leitura, pareceu-me reconhecer remotamente alguns dos personagens e algumas das histórias nele contidas. Foi uma sensação um pouco estranha já que não conseguia lembrar-me exactamente de onde. Só bastante mais tarde relembrei que havia visto o filme, não todo, mas partes do mesmo, já há muitos anos atrás. Apesar desta sensação de "déjá vu" em algumas partes do livro, fiquei muito agradada com esta referência, uma vez que era isto mesmo que pretendia, quando comecei esta "viagem" pelos livros. Isto porque duvido que fosse ler este livro, não fora a referência encontrada, o que sem dúvida seria uma perda para mim.

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Chegada a esta referência e pensando pouco saber sobre o livro e o seu autor, foi com enorme surpresa, como já atrás expliquei, que fui reconhecendo as histórias e os personagens. Contudo, como nem tudo me era conhecido o livro ainda me reservou grandes surpresas. Não diria "boas" somente apenas porque as histórias não são bonitas, mas sim cruas, reais, e "feias" como pode ser feia a realidade. E as "realidades" deste livro são realmente duras, e os temas são sem dúvida fortes. A marginalidade, pobreza, prostituição, crime, sexo, violência doméstica, homossexualidade, travestismo, greves, são alguns dos temas retratados pelo autor. O livro está dividido em seis partes independentes, contudo o espaço físico no qual os personagens se movimentam é partilhado, e também alguns dos personagens se intersectam. As histórias remontam à década de 50, nos bairros sociais de Brooklyn, mas é muito fácil (infelizmente) encontrar paralelismos para os dias de hoje. Talvez as histórias já não nos choquem hoje como chocaram na altura da sua publicação (o livro chegou a ser proibido, por ordem de tribunal), uma vez que a violência, a pobreza e os dramas humanos nos entram pela "casa" dentro a quase toda a hora, com uma infeliz e inevitável dessensibilização para estas matérias. Não há qualquer dúvida no entanto que me parece impossível ficar-se indiferente ao que se leu. 
A forma de escrita do autor requer ao leitor alguma habituação. Primeiro porque a oralidade e a escrita se fundem, já que o autor transcreve a fonética da oralidade para o papel. É reforçada a acção desta forma, e somos levados instantaneamente ao universo linguístico dos personagens. Também algo que requer habituação são as ausências de pausas, por exemplo quando um personagem fala, ou entre acções. Os ritmos de leitura e da acção, têm uma cadência única já que não há pausa e todas as acções, falas, etc, estão ligadas por "e". Quando esperávamos um ponto final, não o temos, e temos mais um "e", que se sucedem em catadupa, até ao final esperado do parágrafo. Após o leitor se habituar, deixa de pensar nisso, e só reconhece que tudo se passa muito depressa dentro da história, tal como acontece na realidade.
Em suma, este foi um livro do qual gostei particularmente, e fiquei agradecida a "Tom Sharpe" por mo ter dado a conhecer.

Linked review... 
  
«Última Saída para Brooklyn (1964), um dos expoentes míticos da literatura norte-americana contemporânea, é uma obra que se destaca pela originalidade narrativa e enquanto testemunho impiedoso da vida na zona mais feroz da selva nova-iorquina.

Com personagens inesquecíveis (marginais, travestis, prostitutas, famílias operárias), intensa justaposição de descrições, pensamentos e diálogos, extraordinária capacidade de captação da gíria e da oralidade características dos vários grupos sociais, o aparato de violência e crueza destas páginas são consequência natural de uma sociedade sem amor.

Ao longo de seis histórias, que constituem um políptico em movimento e cujo denominador comum é o bairro de Brooklyn, Hubert Selby Jr. escruta implacavelmente essa violência, girando-a em torno da sexualidade, das drogas e da brutalidade humana, em geral.

"Amado e odiado (a ponto de ter sido proibido em vários Estados americanos e na Grã-Bretanha - o seu caso acabará por ser determinante na evolução da lei inglesa a respeito da chamada literatura obscena), tornou-se uma obra mítica que a passagem do tempo transformou num clássico." - Ana Cristina Leonardo, Expresso

Fonte: www.bbde.org 

Linked movie... 

Este livro foi adaptado ao cinema em 1989 por Uli Edel, com guião do próprio autor.

 
"Ultima Saída Para Brooklyn" (trailer)


Linked poem...

Durante a narrativa do livro é lido um poema, "O Corvo" de Edgar Allan Poe. Gostaria de partilhá-lo aqui, na tradução de Fernando Pessoa. Como é um pouco grande para este post, deixo o link, que permite também ler a versão original: http://www2.dem.ist.utl.pt/~jsantos/Literature/O_Corvo.html.


Linked songs...

 A canção mencionada foi "Un bel di, Vedremo", da Madame Butterfly de Puccini.. Tomei a liberdade de escolher esta versão/interpretação para partilhar.


Linked People...
Illinois Jacquet (1922-2004) - mencionado no texto. A música foi por mim escolhida.


Este músico, Charlie "Bird" Parker foi mencionado algumas vezes durante o texto. Escolhi esta música para partilhar aqui. Existe também um filme de Clint  Eastwood sobre este a vida deste músico, interpretado no filme por Forest Whitaker.



Também mencionado no texto vem Lefty Frizzell (1928 - 1975) do qual escolhi esta música para partilhar.

 Dinah Washington (1924 - 1963)
(Tomei a liberdade de escolher a música. Apenas a intérprete é mencionada no texto.)


Linked words...

baia - tapume ou gradeamento usado para isolar ou separar um espaço.
adejar - bater as asas; esvoaçar; mover.
requebros  -  movimento lascivo ou lânguido; inflexão ou tom amoroso; expressão amorosa do olhar; galanteio, dito apaixonado; trinado.

 

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