Sunday, July 3, 2016

Utopia - Thomas More

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Chego à leitura do clássico "Utopia" de Thomas More, pela ligação estabelecida no livro de contos "Nove Histórias" de J.D. Salinger , nomeadamente na oitava história "A Fase Azul de De Daumier-Smith". Nesse oitavo conto, existe menção à colecção "Clássicos de Harvard" em geral e aos volumes 36, 44 e 45 dessa colecção, em particular. Para representar estas referências encontradas, resolvemos escolher este  "Utopia" de Thomas More, por integrar o volume 36.

Antes de iniciar esta leitura, as minhas expectativas eram elevadas, essencialmente por dois motivos. Em primeiro porque na origem desta leitura estão as "Nove Histórias" de J.D. Salinger, que neste momento considero ser o meu livro de contos favorito. Em segundo, por ser um clássico com uma enorme relevância filosófica,  histórica e literária.

A edição que li, data de 1973, pertence à colecção "Livros de Bolso Europa América", e foi comprada na Feira da Ladra em Outubro de 2014.

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"Sir Thomas More nasceu em Londres, em 1478, e aí morreu tragicamente, com 57 anos. Estudou Leis em Oxford e Londres e viria a ser uma das figuras proeminentes do movimento humanista do seu tempo. Carácter forte e de uma integridade a toda a prova. Thomas More tornou-se, no reinado de Henrique VIII, personalidade de primeira grandeza na cena politica do seu país. Em 1529 sucedeu ao cardeal Wolsey como chanceler do reino. Durante as perturbações que marcaram os começos da Reforma manteve-se católico, embora advogando energicamente o regresso à pureza primitiva da Igreja.Na questão do divórcio de Henrique VIII achou que, por fidelidade a sua consciência, se devia opor ao rei, que, por isso mesmo, o demitiu, prendeu e fez executar em 1535. Thomas More, cuja vida serviu de argumento ao filme Um Homem Para a Eternidade, foi canonizado em 1935. É universalmente célebre o seu romance político-social Utopia, uma das obras-primas do Renascimento, que ora publicamos. Na primeira parte deste livro, ainda hoje (e sobretudo hoje?) de profunda e palpitante actualidade, o autor apresenta e critica o quadro sociopolítico da Inglaterra e dos outros Estados europeus de então, verberando o despotismo das monarquias, o servilismo dos cortesãos, a venalidade dos altos funcionários, o luxo e a injustiça dos nobres e dos monges. Na segunda parte, em vez de propor dogmaticamente as reformas que considerava necessárias, Thomas More preferiu imaginar concretizada numa terra longínqua a organização ideal da sociedade, oferecendo-nos, deste modo, uma descrição magnifica do que poderíamos chamar o Estado socialista e democrático perfeito."

 fonte: wook
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Foi com enorme curiosidade e interesse que li esta obra  e não caberá neste post, tudo quanto haveria para dizer sobre a mesma. De imensurável impacto filosófico, histórico e literário, a Utopia é considerada uma das obras primas do Renascimento.

Como curiosidade, gostaria de partilhar que a palavra Utopia foi criada pelo próprio autor, Thomas More, juntando duas palavras gregas que significariam "Não Lugar" ou seja um lugar que não existe. A palavra transformou-se posteriormente em sinónimo de algo irrealizável e em termos literários vai servir não só para criar toda uma filosofia ou género, mas para pensar obras anteriores como "A República" de Platão.

A vida do próprio autor é de grande interesse e digna de ser conhecida, pois entre outras coisas foi Chanceler do Reino, acabando por ser condenado à morte por se opôr a Henrique VIII. Não me querendo alongar sobre a vida e obra de Thomas More, quero no entanto remeter para os "Linked Movies" em baixo, onde coloquei o filme "Um Homem para a Eternidade", filme biográfico sobre o autor.

Quanto à minha experiência de leitura em si, de uma forma geral confesso que esperava algo diferente, talvez mais interessante. A forma que o autor optou por fazer a narrativa é no entanto brilhante. Escreve a história desta Utopia, como se um amigo lhe escrevesse contando sobre esse lugar por onde tinha viajado. Este formato é bastante convincente, como se um relato de não-ficção se tratasse.

O autor começa por fazer uma crítica ao quadro socio político de Inglaterra, para depois descrever a organização política e social idealizada em contraposição à existente. E é esta descrição da vida na Utopia que se tornou por vezes cansativa para mim enquanto leitora. É natural no entanto que More assim a tenha escrito, sendo ele um homem de leis. Mas se a descrição em si mesmo não é das mais entusiasmante, as ideias nas quais se baseiam são de uma enorme riqueza e profundidade, e sem dúvida que levam à reflexão. Em ideias para debater e reflectir este livro parece-me uma fonte inesgotável.

A certa altura do livro tive contudo o estranho sentimento de distopia ou se preferirem de anti-utopia. Para mim esta Utopia começou a tornar-se um lugar em que viver seria horrível ou pelo menos terrívelmente penoso. A liberdade individual estava sem dúvida comprometida nesta organização social. E se não existe liberdade individual, será mesmo uma Utopia então? Talvez esse seja um dos motivos da impossibilidade, a falta de escolha, de liberdade, de emoção ... pois não são essas as principais características que nos fazem humanos?

Resumindo, julgo que esta obra é quase "de leitura obrigatória" para todos os interessados no pensamento utópico/distópico e na literatura que o mesmo produz. Eu sou uma grande fã dessa filosofia, mas nem assim achei o conteúdo suficientemente interessante para o recomendar para o leitor de ficção em geral.  Mas também não digo que se devam afastar do livro, pois é tão rico em ideias, estamos perante uma tão prolífera fonte para reflexão, que fazê-lo seria uma autêntica maldade.

Linked books...

Proteu - Morris West (a editora publicitou três livros de Morris West, destacando a "Colecção Séc. XX". Este título foi o escolhido por já se encontrar na nossa lista de livros a serem lidos)

O Fim da Utopia - Herbert Marcuse (obra mencionada na Introdução)

O Jovem Torless - Robert Musil (na introdução, foi mencionado o romancista alemão Robert Musil, Escolhemos este título para representar essa menção, por ter sido o seu romance de estreia)

Eneida - Virgílio (foi mencionado Palinuro, personagem desta obra)

Odisseia - Homero (no Livro Primeiro: foram mencionados "Cilas", "Celenes" e "Lestrigões" como monstros mitológicos da Odisseia, e também foi mencionada nas notas. O autor foi também mencionado no Livro Segundo)

Cartas a Lucílio - Séneca (Séneca foi mencionado no Livro Primeiro, e este título foi o escolhido para representar essa referência, por já se encontrar na nossa lista de livros a serem lidos)

A República - Platão (obra e autor mencionados no Livro Primeiro, e autor mencionado no Livro Segundo)

Os Adelfos - Terêncio (foi mencionado Mítio numa obra de Terêncio, e referido que Mítio é um personagem de "Os Adelfos")

Guerra de Jugurta -  Salústio (o autor foi mencionado, e este título foi o escolhido para representar esta referência, após pesquisa sobre as suas obras publicadas)

A Comédia dos Burros - Plauto (foi referida a "comédia de Plauto", não especificando o título. Foi escolhida "A Comédia dos Burros" para estabelecer esta relação, uma vez que este título já se encontra na nossa lista de livros a serem lidos)

Os Rastejadores - Sófocles (Sófocles foi mencionado no Livro Segundo. Deste autor já aqui foram lidas as obras Ajáx, Antígona, Filoctetes e Rei Édipo. Para representar esta menção foi escolhido o título "Os Rastejadores" por já se encontrar na nossa lista de livro a serem lidos, bem como na nossa estante também)

Os Cavaleiros - Aristófanes  (Aristófanes foi mencionado no Livro Segundo. Para representar esta menção foi escolhido o título "Os Cavaleiros" por já se encontrar na nossa lista de livro a serem lidos, bem como na nossa estante também)

Poética - Aristóteles (no Livro Segundo foram referidas as "obras de Aristóteles", e foi escolhido este título para representar esta referência por já se encontrar na nossa lista de livros a serem lidos)

Hécuba - Eurípedes (o autor foi mencionado no Livro Segundo, e foi escolhido este título para representar esta referência por já se encontrar na nossa lista de livros a serem lidos)

História da Guerra do Peloponeso - Tucídedes (Tucídedes foi mencionado no Livro Segundo e esta obra foi mencionada nas notas)

Os Caracteres - Teofrasto (foi mencionado o "livro de Teofrasto sobre as plantas", mas "Os Caracteres" foi o único livro com edição em português que encontrei, pelo que será utilizado para marcar esta menção)

Linked movies...


(filme mencionado na nota biográfica existente na contracapa do livro)

Linked people...


Cardeal Wosley
(foi mencionado na nota biográfica existente na contracapa do livro)
Fourier
(foi mencionado na introdução)
Pedro Giles
(mencionado na "Epístola a Pedro Giles")


Cuthbert Tunstall
(mencionado no Livro Primeiro)
Américo Vespúcio
(mencionado no Livro Primeiro)
John Morton (Cardeal)
(mencionado no Livro Primeiro)
Eduardo IV
(mencionado nas notas do Livro Primeiro)
Henrique VII
(mencionado nas notas do Livro Primeiro)
Isabel de Iorque
(mencionada nas notas do Livro Primeiro)
Carlos VI
(mencionado nas notas do Livro Primeiro)
Carlos VII
(mencionado nas notas do Livro Primeiro)
Fabrício
(mencionado nas notas do Livro Primeiro)
Hipócrates
(mencionado no Livro Segundo)
Plutarco(mencionado no Livro Segundo)
zLinked places...
Lincoln´s Inn
(mencionado na "Epístola a Pedro Giles")
New Inn
(mencionado na "Epístola a Pedro Giles")
Blackheath
(mencionado nas notas do Livro Primeiro)
Cantuária
(mencionada no Livro Primeiro)

Linked historical events...
Guerra das Duas Rosas
(mencionada nas notas do Livro Primeiro)
Batalha de Blackheath
(mencionada no Livro Primeiro)
Linked landmarks...
Igreja de Nossa Senhora (Antuérpia)
(mencionada no Livro Primeiro)
Linked "houses"...
Casa de Lencastre
(mencionada nas notas do Livro Primeiro)
Casa de Iorque
(mencionada nas notas do Livro Primeiro)

Linked objects...
Alvião
(mencionado no Livro Primeiro)
Linked mythological figures...


Mitra
(mencionado no Livro Segundo)
Abraxas(mencionado no Livro Segundo)
Linked biblical figures...
Salomão
(mencionado no Livro Primeiro)
Moisés
(mencionado no Livro Primeiro)
Eliseu
(mencionado no Livro Primeiro)

Linked proverbs and sayings...

"Aquele que não tem túmulo, tem o céu por montanha"
                                        Thomas More (autor), no Livro Primeiro

"O caminho para o céu é o mesmo onde quer que se esteja"  
                                        Thomas More (autor), no Livro Primeiro

"Respondei ao louco, conforme a sua loucura"
                                        Salomão o Sábio (personagem bíblico),  no Livro Primeiro

"Quem muita tolice diz, alguma vez acerta"  
                                        Thomas More (autor), no Livro Primeiro

Linked looked up words...
celerado - facínora, malvado, perverso; capaz de crimes.
ingente - de grandes dimensões = desmedido, enorme ; que provoca um grande som, muitíssimo forte = retumbante
sageza - qualidade do que é sage. Sage: que tem sabedoria ou age com sensatez ou prudênca =sábio