Thursday, September 12, 2019

Os Infortúnios da Virtude - Marquês de Sade

Ligações anteriores...



Foram três as leituras anteriores que conduziram à leitura de "Os Infortúnios da Virtude" de Marquês de Sade:
Ellery Queen e Jack Kerouac mencionaram o Marquês de Sade nos textos destes seus livros. Estabeleci a ligação a este título por ter sido aquele que me foi mais fácil de adquirir. Mais recentemente, no livro de Patricia Highsmith "Inocência Perversa" ocorreu também uma referência ao autor ("ler as memórias do Marquês de Sade") pelo que estabeleci a ligação a este livro, já presente na nossa lista de livros a serem lidos.

"Os Infortúnios da Virtude", ou "Justine" como por vezes surge publicado foi um dos primeiros escritos do autor (diz-se ser menos obsceno e mais equilibrado que as suas obras posteriores). Foi publicado em 1791 e a primeira versão escrita no espaço de 15 dias, quando o autor se encontrava preso na Bastilha (em 1797).

Apesar de já ter adquirido esta edição há muito tempo (comprei-a na Feira da Ladra em Dezembro de 2014), confesso que tive muita resistência em iniciar esta leitura. Os temas que antevia, de cariz sexual, erótico e sádico, faziam-me recear tratar-se de uma leitura da qual não iria gostar. Ao finalmente decidir-me ler esta obra, estava mesmo convencida que iria detestar esta experiência, mas o Linked Books não rejeita a leitura de nenhuma obra, muito menos a de um clássico com uma enorme importância na história da literatura. Parti para a mesma com a convicção de que mesmo que detestasse, pelo menos ia conhecer em primeira mão de que trata esta obra tão conhecida.



Sinopse...


"A virtuosa Justine confia os seus infortúnios, demorando-se nos mais escabrosos pormenores da incarnação da virtude. Apologia do crime, da liberdade do corpo como do espírito, da crueldade, «sensibilidade extrema dos órgãos só experimentada pelos seres sensíveis», esta obra do Marquês de Sade provoca e escandaliza."
fonte: wook

Opinião...


Esta foi uma leitura tremendamente perturbadora e incómoda. Contudo, aquilo que eu temia (detestar o livro), não aconteceu. 

Esperava encontrar um livro de cariz erótico ou sexual e o que aqui encontrei foi uma leitura cuja essência é o terror e a crueldade humana. Penso que a melhor categorização para este livro é mesmo a de "romance libertino". Este género literário do século XVIII caracteriza-se por ser anti moral, anti clero, em suma contra o que está estabelecido e a moral vigente.

O conteúdo do livro é sem dúvida horrível, um autêntico tratado sobre a crueldade de que a nossa espécie é capaz... Para mim foi um verdadeiro livro de horror/terror, mais terrífico ainda quando se sabe que o autor se encontrava preso quando escreveu o primeiro manuscrito deste livro, acusado de crimes similares... Se este é o seu "livro mais equilibrado", nem consigo imaginar o que se seguiu...
Mas ainda bem que finalmente o li. Aconselho esta leitura, mas...preparem-se para o pior... 

Em baixo deixo a opinião em video que fiz para o canal Youtube do blogue.



Este livro é muitas vezes referido enquanto clássico da literatura erótica. Por esse motivo e por ligar instintivamente Sade a práticas sexuais sádicas e masoquistas, julguei ir detestar este livro. Contudo, foi um livro que não me arrependo de ter lido e que até vos aconselho, apesar de ser necessário ao leitor ir precavido para uma leitura com conteúdos fortes.


Linked Books...


La Philosophie Dans Le Boudoir (A Filosofia na Alcova) - Marquês de Sade - na nota biográfica do autor, foram mencionadas três das suas obras: "Aline et Valcour", "La Philosophie Dans Le Boudoir" e "Les Cent Vingt Journées de Sodome" ; escolhi "A Filosofia na Alcova" de entre as mencionadas para dar continuidade à leitura da obra deste autor, uma vez que à data em que escrevo este post, me parece ser aquela que mais facilmente poderei requisitar na biblioteca ou adquirir)

Zadig (ou O Destino) - Voltaire - no texto foi mencionado "o anjo Jesrad de Zadig" que remete para esta obra, já presente na nossa lista de livros a serem lidos.

Uma Outra Vida - Alberto Moravia - este livro surgiu enquanto publicidade da editora (Publicações Europa-América, colecção Séc. XX) no final desta edição.